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Pão de Açúcar acende alerta vermelho
Endividamento, disputa societária e perda de ativos levam GPA a questionar sua própria continuidade operacional

Good morning, Brasil.
Ontem foi um dia relevante de balanços, com destaque para a Nvidia, que superou as expectativas, e para o Nubank, com um crescimento de receita de 45% YoY.
Tirando o Ibovespa, que recuou 0,13%, os mercados globais tiveram mais um dia positivo, e o dólar continuou caindo, cotado a R$ 5,13.
O Paper of the Day relembra a trajetória do Pão de Açúcar, que se tornou um dos maiores grupos empresariais do país, mas que anunciou 'incertezas sobre a continuidade operacional'.
Aqui está o seu the news money de hoje.
QUICK TAKES
📎 Read: As ações brasileiras que devem ganhar com o ‘HALO trade’ (Brazil Journal)
▶️ Watch: Nvidia bate recordes de receita com boom de data centers e Samsung inova em privacidade (Times Brasil)
#️⃣ Stat: Moody’s aponta as gestoras com melhor retorno ajustado ao risco no Brasil (E-investidor)
🧊 Ice Breaker: Será que itens colecionáveis são uma classe de ativos viável? O comprador do cartão Pokémon de US$ 16,5 milhões acha que sim (CNBC)
Resultados:
Nubank (NU): A receita em 2025 subiu 45% YoY, atingindo US$ 16,3 bilhões no ano e US$ 4,9 bilhões no 4T’25 (Nubank)
NVIDIA (NVDA): Divulga resultados e projeções acima do esperado, impulsionada pelo crescimento de 75% na receita de data centers devido à explosão da IA (CNBC)
Salesforce (CRM): As ações caem após projeções mistas, enquanto a empresa anuncia compromisso de US$ 50 bilhões em recompra de ações (CNBC)
PAPER OF THE DAY
Pão de Açúcar acende alerta vermelho
Em 1948, um imigrante português chamado Valentim dos Santos Diniz abriu uma doceria em São Paulo. Chamou de Pão de Açúcar — uma homenagem ao Brasil, ao morro que admirou ao chegar de navio. Onze anos depois, ele e o filho Abilio inauguraram o primeiro supermercado da rede, em frente à própria doceria, na Avenida Brigadeiro Luiz Antônio. Esse era o começo de um dos maiores grupos varejistas da América Latina.

Abilio e Valentim Diniz. Imagem: Abilio Diniz
Setenta e oito anos depois, o GPA incluiu nas notas explicativas do seu balanço de 2025 um alerta de "incerteza relevante" sobre a sua própria continuidade operacional. A Deloitte também endossou o alerta. Ontem, as ações PCAR3 caíram -2,24% e acumulam uma queda de -22,73% em 2026.
O diagnóstico é complicado: R$ 1,7 bilhão em dívidas com vencimento em 2026 (com cerca de R$ 500 milhões já em março), capital de giro negativo de R$ 1,22 bilhão e dívida líquida de R$ 2,08 bilhões, equivalente a 2,4 vezes o EBITDA, ante 1,6 vez no ano anterior.
Como uma empresa que já foi o maior grupo de distribuição da América Latina chegou até aqui?
A resposta passa principalmente por duas novelas de poder: primeiro, dentro da própria família Diniz; depois, com o Casino. Ainda nos anos 1980 e 1990, Abilio travou uma disputa feroz com irmãos e até com a mãe Floripes pela sucessão do grupo, num processo que só foi pacificado em 1993, quando ele consolidou o controle da empresa.
Em 1999, o grupo francês Casino entrou como sócio minoritário. Em 2005, assumiu controle conjunto com Abilio numa holding 50/50. Em 2012, tomou o controle formalmente. E em 2013, Abilio deixou a presidência após dois anos de litígio — exatamente 65 anos após a fundação da empresa por seu pai.
Sob controle do Casino, o GPA foi sendo desmontado peça por peça.
A Via Varejo foi vendida à família Klein por R$ 2,3 bilhões em 2019.
O Assaí foi cindido em 2021, e logo passou a valer mais do que o GPA inteiro.
Em 2021, 71 lojas do Extra Hiper foram vendidas ao próprio Assaí por R$ 5,2 bilhões.
O Grupo Éxito, rede colombiana com mais de 600 lojas, foi separado em 2023.
Cada cisão tinha a lógica de "destravar valor". Mas o resultado foi uma empresa progressivamente menor, sem grande parte dos ativos que a tornavam relevante.
Depois, o Casino francês, sufocado por dívidas próprias, foi diluído de 40,9% para 22,5% após um aumento de capital em 2024, e o GPA ficou, pela primeira vez em décadas, sem controlador.
O vácuo atraiu novos personagens: a família Coelho Diniz (sem relação com a família de Abilio), donos de supermercados em Minas Gerais, acumulou 24,6% das ações ao longo de 2025, superando o Casino. Disputas societárias, troca de conselho e saída do CEO Marcelo Pimentel completaram o quadro de instabilidade.

Alexandre Santoro. Imagem: Leandro Fonseca/Exame
Agora, o novo CEO Alexandre Santoro, ex-IMC, que assumiu em janeiro, tem três prioridades claras: geração de caixa, disciplina financeira e melhoria da experiência do cliente. O plano inclui corte de R$ 415 milhões em despesas operacionais, redução do capex pela metade e venda da FIC ao Itaú por R$ 260 milhões.
Mas o próprio GPA reconhece que parte das soluções — renegociação de dívidas, monetização de créditos tributários — "não está totalmente sob controle da administração".
Takeaway: O GPA não chegou aqui de repente. Foram anos de decisões que retiraram de dentro do grupo ativos valiosos e deixaram uma operação mais enxuta e, portanto, mais vulnerável em um cenário de economia instável e juros altos. O alerta de continuidade operacional de 2026 é o resultado visível desse processo longo, com o novo CEO tendo poucos meses para equacionar o que levou anos para se acumular.
HEADLINES
World Big News
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Ex-dirigentes do INSS fecham delação e entregam Lulinha e políticos (Metrópoles)
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C&A vai abrir até 15 lojas este ano mesmo diante de consumidor cauteloso (InvestNews)
O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica, Sandoval Feitosa, defendeu a caducidade da concessão na Enel São Paulo e uma intervenção na companhia (Brazil Journal)
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Faria Lima, Wall Street, Euro, Ásia
BB pede para adiar devolução de R$ 1,8 bilhão ao Tesouro após “significativa diminuição do lucro” (Valor)
Credores da Raízen pedem injeção ‘substancial e significativa’ de capital. Detentores de títulos e credores argumentam que capitalização proposta por Cosan, Shell e BTG é insuficiente (Bloomberg Línea)
Rioprevidência destinou R$ 431 milhões para um fundo de crédito privado que investiu em títulos sem liquidez, com vencimentos muito longos e ligados a empresas suspeitas de irregularidades (NeoFeed)
Tanure, XP e Sabesp fazem acordo para encerrar briga na Emae (Pipeline Valor)
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O bilionário francês Bernard Arnault consolidou ainda mais seu controle sobre a LVMH após cumprir a promessa de aumentar sua participação no grupo para além de 50% (Fashion Network)
Tech, Silicon Valley, Startups, Criptos, VC
Comp é a primeira startup brasileira a atrair a Khosla Ventures. Companhia de RH captou US$ 17,5 milhões (Pipeline Valor)
A MatX, startup de chips de IA concorrente da Nvidia, captou US$ 500 milhões em rodada de Série B (TechCrunch)
A startup de tecnologia de direção autônoma Wayve levanta US$ 1,2 bilhão da Nvidia, Uber e três montadoras (TechCrunch)
Jane Street enfrenta acusações de uso de informação privilegiada que aceleraram o colapso da Terraform em 2022 (CoinDesk)
IPO, M&A, Deals e Private Equity
Gestoras de private equity desembolsaram R$ 50,1 bilhões em 2025 em um total de 89 companhias, segundo Abvcap (Valor)
General Atlantic está vendendo uma participação acionária na ByteDance em um negócio que avalia a gigante chinesa de mídia social em US$ 550 bilhões (Reuters)
A empresa francesa de energia Engie vai adquirir a UK Power Networks por mais de US$ 14 bilhões (Reuters)
PayPal negocia venda à Stripe após perder espaço para Apple e Google (Times Brasil)
GRÁFICO DO DIA
Crescimento da receita do Mercado Livre por país.

AGENDA
Segunda 23/02: Ano Novo Chinês; Aniversário do Imperador (Japão) - Feriados
Terça 24/02: Investimento Estrangeiro Direto; Confiança do Consumidor CB (EUA); Discurso Donald Trump
Quarta 25/02: PIB Alemanha
Quinta 26/02: IGP-M (BRA); Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego (EUA)
Sexta 27/02: Dívida Bruta/PIB; IPCA-15; Índice de Evolução de Emprego do CAGED; IPP (EUA)
MEMES SESSION

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