23/12/2025

Good morning, Brasil.

No apagar das luzes, Flávio Bolsonaro e André Esteves se encontraram na casa do banqueiro; dados mostram que as despesas públicas continuam crescendo acima da inflação no governo Lula; Gilberto Kassab articula o nome de Romeu Zema como possível vice de Flávio Bolsonaro; e Lula sancionou o reajuste de 8% para servidores do Judiciário em 2026.

No Paper of the Day de hoje, analisamos a evolução do poder de compra do brasileiro usando a medida mais básica de todas: a cesta básica. Um retrato simples, direto e incômodo sobre quanto o salário realmente compra hoje — e o que isso diz sobre renda, inflação e qualidade de vida no país.

Aqui está o seu THE PAPER de hoje.

📎 Read: Kalshi, da jovem bilionária Luana Lopes Lara, quer operar no Brasil (Valor)

▶️ Watch: Os bastidores dos novos impérios de comunicação que desafiam o mercado (InvestNews)

#️⃣ Stat: Boletim Focus: projeção de inflação em 2025 recua pela sexta semana consecutiva (InfoMoney)

🧊 Ice Breaker: João Fonseca e Alcaraz se enfrentarão no Allianz Parque (CNN Brasil)

ANTES DO SINO

Fechamento 22/12/2025 — (19:00)

PAPER OF THE DAY

O poder de compra do brasileiro em relação a cesta básica

A bolsa pode até fazer máxima histórica, o PIB pode até surpreender, e o governo pode até falar em “inflação controlada”.

Mas, na vida real, o brasileiro mede a economia de um jeito bem mais simples: quantas cestas básicas cabem dentro do salário.

E é aqui que está a história que quase ninguém conta direito: o poder de compra do salário mínimo em relação à cesta básica ficou “travado” num patamar pior do que o pré-pandemia… e parece que vai não destravar tão cedo.

O salário mínimo compra menos comida

Em 2025, o salário mínimo subiu para R$ 1.518. No papel, parece um avanço relevante. Na prática, a conta continua apertada.

Mesmo com ganho real, estudos mostram que o poder de compra do salário mínimo frente à cesta básica deve seguir estagnado até 2026. Hoje, o mínimo compra cerca de 1,7 a 1,8 cestas básicas, bem abaixo do padrão observado entre 2010 e 2019, quando esse número girava em torno de 2,1 cestas.

Ou seja: o brasileiro não ficou mais pobre apenas no mês a mês, ele ficou estruturalmente mais limitado.

Gráfico: @Cleiton_CSJ

O que mudou de verdade desde a pandemia

Entre janeiro de 2020 e novembro de 2025, o IPCA acumulou alta de cerca de 38%, enquanto os alimentos subiram aproximadamente 57%. Essa diferença criou um hiato que penaliza justamente quem gasta a maior parte da renda com comida.

Fonte: IPCA IBGE

Mesmo com a queda recente nos preços da cesta em várias capitais ao longo de 2025, o nível de preços permaneceu elevado. A inflação cedeu, mas o patamar não voltou.

Por que a pressão continua?

Três vetores explicam por que o alívio é frágil:

  1. Câmbio: Alimentos no Brasil têm forte correlação com o dólar. Mesmo produtos produzidos internamente seguem preços internacionais, o que faz qualquer estresse cambial aparecer rapidamente no supermercado.

  2. Exportação versus mercado interno: Com o agro batendo recordes de exportação, parte da produção é direcionada para fora quando os preços internacionais são mais atrativos, pressionando os preços domésticos pela lógica da paridade.

  3. Dependência de insumos importados: Fertilizantes, trigo e outros insumos seguem dolarizados. Isso mantém o custo de produção elevado, mesmo em anos de boa safra.

O impacto social direto

Quando a comida ocupa mais espaço no orçamento, todo o resto encolhe: transporte, vestuário, lazer, educação.

Por isso, analisar o poder de compra dos brasileiros não se trata apenas de renda, mas sim de preço relativo. Mesmo com emprego e salário, a margem de escolha do brasileiro diminuiu.

HEADLINES

World Big News:

  • "Violação grave": China condena apreensão de navios da Venezuela pelos EUA (CNN Brasil)

  • General russo morto por bomba debaixo do carro em Moscou (NBC News)

  • Pobreza na Argentina despenca mais de 10% no terceiro trimestre de 2025 (Times Brasil)

  • Vai virar tendência? Após Austrália, Suíça avalia regular redes sociais para menores de 16 anos (O Globo)

Governo, Tesouro, BC e Brasília:

  • Mesmo em baixa, dividendos são aposta do governo (Valor)

  • O encontro de Flávio Bolsonaro e André Esteves (O Globo)

  • Despesas públicas crescem acima da inflação no governo Lula (Revista Oeste)

  • Kassab articula Zema para vice de Flávio Bolsonaro em chapa presidencial (CNN Brasil)

  • Lula sanciona reajuste de 8% para servidores do Judiciário em 2026, mas veta novo aumento para 2027 e 2028 (g1)

Faria Lima, Wall Street, Euro, Ásia:

  • Dividendos e JCP: Porto, Isa Energia, Yduqs e Banrisul aprovam proventos (InfoMoney)

  • Alpargatas, dona da Havaianas, perde R$ 152 milhões em valor de mercado (InfoMoney)

  • Grupo Petz Cobasi define nova diretoria e captura de sinergias (Valor)

  • Ferrari desafia avanço de elétricos com novo Amalfi, 100% movido a combustão (Bloomberg Línea)

Economia Real e Commodities:

  • O ouro sobe mais de 2% e atinge o pico histórico; a prata segue com ganho recorde (Reuters)

  • Delivery avança 12,7% e chega a R$ 79 bi de faturamento em 2025 (Valor)

  • Condomínios ficam mais caros, e inadimplência avança, mostra pesquisa (InfoMoney)

  • Convênio médico mais simples ganha mercado (Valor)

Tech, Silicon Valley, Startups, Criptos, VC:

  • Ex-COO da ‘Shopify chinesa’ capta US$ 15 mi e mira PMEs brasileiras (Bloomberg Línea)

  • Coreia do Norte acaba de ter seu maior ano de todos os tempos em roubo de criptomoedas (Yahoo Finance)

  • Waymo retoma o serviço em São Francisco após os robôs-táxi pararem durante um apagão (TechCrunch)

  • Com a UE diluindo as metas para veículos elétricos até 2035, as startups de veículos elétricos expressam preocupação (TechCrunch)

Deals, M&A e Private Equity:

  • O Google Cloud fecha acordo com a Palo Alto Networks avaliado em cerca de US$ 10 bilhões (Yahoo Finance)

  • Wine capta R$ 100 milhões para reestruturar sua dívida (Neofeed)

  • Grupo Hindiana, de herdeiro do Itaú, faz oferta para tirar Neogrid da Bolsa com prêmio de 10% (InvestNews)

  • Com dívida mais barata, Netflix tenta blindar oferta pela Warner (InvestNews)

  • Capitania compra prédio ocupado pelo Nubank, que renovou o contrato (Metro Quadrado)

GRÁFICO DO DIA

Performance das empresas ligadas aos ecossistemas “Google” e “OpenAI”. Google encerra o ano na frente, principalmente após o lançamento do Gemini 3.

Fonte: Coatue Management

MEMES SESSION

Agora vai!!

AGENDA

Segunda 22/12: PIB (GBP); PCE (EUA)

Terça 23/12: IPCA-15 (BRA); PIB (EUA); Confiança do consumidor (EUA)

Quarta 24/12: Pedidos iniciais seguro desemprego (EUA)

Quinta 25/12: Natal

Sexta 26/12:

THE PAPER // THAT'S ALL, FOLKS

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