24/12/2025

Good morning, Brasil.

Antes de mais nada, um Feliz Natal para você e sua família. Que seja um dia de descanso, de estar perto de quem importa e de fechar o ano com um pouco mais de calma.

Enquanto isso, Brasília não parou. O Congresso aprovou cortes no orçamento das universidades federais; Lula assinou o decreto de indulto de Natal; BC confirmou uma reunião com Gabriel Galípolo no contexto da Lei Magnitsky; e o Supremo Tribunal Federal autorizou a devolução de R$ 26,5 milhões a um ex-executivo da Petrobras envolvido na Lava Jato.

E falando em Lava Jato, o Paper of the Day de hoje é sobre o “Réxico”: a configuração da sociedade brasileira que ajuda a explicar muito sobre como funcionamos, como o poder se organiza e, principalmente, por que certas coisas no Brasil parecem nunca mudar.

Aqui está o seu THE PAPER de hoje.

📎 Read: Bye Bye Brazil or Buy Buy Brazil? (David Wolf)

▶️ Watch: Mundo precisa de 660 mil novos pilotos de avião para suprir demanda até 2044 (Jornal da Record)

#️⃣ Stat: 'Prévia da inflação', IPCA-15 sobe 0,25% em dezembro e fecha 2025 com alta de 4,41% (Valor)

🧊 Ice Breaker: Atletas amadores gastam milhares em esportes de resistência (CNN)

ANTES DO SINO

Fechamento 23/11/2025 — (19:00)

PAPER OF THE DAY

Por que o Brasil virou o “Réxico”?

Nos últimos meses, uma tese passou a circular entre investidores, economistas e gestores: o Brasil deixou de ser a Belíndia — a clássica metáfora de uma Bélgica rica cercada por uma Índia pobre — para se transformar em algo estruturalmente mais perigoso. O nome dessa nova configuração é “Réxico”.

  • Rússia no topo da pirâmide,

  • México na base da sociedade.

Mais do que desigualdade, o Réxico descreve captura institucional, extração de renda e violência organizada como modelo econômico informal.

Rússia no topo: capitalismo de laços e extração

No topo da pirâmide brasileira, a dinâmica se aproxima do capitalismo oligárquico russo: riqueza altamente concentrada, dependente do Estado e protegida por regulações, subsídios e conexões políticas.

Não é um capitalismo orientado à inovação, mas à extração.

Os dados ajudam a entender o paralelo:

  • Segundo o Global Wealth Report do UBS, o Brasil figura entre os países mais desiguais do mundo em riqueza, com índice de Gini próximo de 0,82, patamar semelhante ao da Rússia.

  • O 1% mais rico concentra perto de metade da riqueza nacional, proporção típica de economias oligárquicas, não de democracias de mercado maduras.

  • Setores dominantes — bancos, energia, infraestrutura, concessões — operam sob forte proteção regulatória, com retornos muitas vezes definidos mais por decisões administrativas e judiciais do que por competição.

Na prática, o topo brasileiro funciona em um sistema de capitalismo de compadrio: lucros privados, risco público e barreiras jurídicas que afastam novos entrantes.

México na base: cartelização da vida cotidiana

Se o topo lembra Moscou, a base social deixou de parecer Índia e passou a se assemelhar ao México: territórios onde o Estado recua e organizações criminosas assumem funções de governo.

No Brasil, facções como PCC, Comando Vermelho e milícias já se tornaram conglomerados econômicos bilionários inseridos nas diferentes camadas da sociedade.

Hoje, há evidências consistentes de controle criminoso sobre:

  • gás de cozinha,

  • transporte alternativo e linhas de ônibus,

  • internet e TV a cabo,

  • distribuição de combustíveis,

  • mercado imobiliário informal.

Em várias regiões, o cidadão tem que pagar “pedágio” para o crime para poder “sobreviver”. O consumo básico da população de baixa renda é taxado por quem controla o território.

Além disso, a fronteira entre crime e economia formal ficou turva:

  • empresas de ônibus concessionárias usadas para lavagem de dinheiro,

  • postos de combustível e distribuidoras sob controle indireto de facções,

  • fundos de investimentos e fintechs também sendo utilizados como lavagem,

  • apostas esportivas e patrocínios infiltrando capital de origem criminosa.

É a mexicanização econômica: quando o crime deixa de ser marginal e passa a integrar o sistema produtivo.

Por que o Réxico é pior que a Belíndia

A Belíndia descrevia um país desigual. O Réxico descreve um país predatório.

As diferenças são fundamentais:

  • Jogo de soma zero: no topo, a elite extrai renda via juros, isenções e proteção regulatória; na base, o crime extrai renda via extorsão, ágio e violência.

  • Custo Brasil criminal: além de burocracia, operar significa negociar com poderes paralelos.

  • Imobilidade social estrutural: o topo é fechado por relações de poder;
    a base é travada pelo controle territorial e pela violência.

O resultado é um ambiente hostil à inovação, ao empreendedorismo e ao investimento produtivo.

HEADLINES

World Big News:

  • Consumidores resilientes dos EUA impulsionam a expansão econômica mais forte em 2 anos (AP News)

  • Trump afirma que os EUA precisam da Groenlândia para segurança e nomeia enviado para "liderar a iniciativa" (Reuters)

  • FDA aprova primeiro comprimido de GLP-1 para perda de peso (Axios)

  • CEO de dona de foguete sul-coreano que explodiu em Alcântara pede desculpas por falha (InfoMoney)

Governo, Tesouro, BC e Brasília:

  • Congresso corta orçamento de universidades federais, que terão quase R$ 400 milhões a menos em 2026 (O Globo)

  • Lula assina decreto de indulto de Natal e exclui condenados por crimes contra a democracia (g1)

  • Após nota de Moraes, BC confirma reunião com Galípolo sobre Magnitsky (CNN Brasil)

  • STF autoriza devolução de R$ 26,5 milhões a ex-Petrobras envolvido na Lava Jato (Revista Oeste)

Faria Lima, Wall Street, Euro, Ásia:

  • Fundos Imobiliários "perdem" investidor pessoa física, mas batem (com folga) recorde de emissões (Neofeed)

  • Hapvida anuncia troca de CEO após ano difícil na Bolsa, mas evita fixar data para a sucessão (InvestNews)

  • Azul anuncia oferta de ações de R$ 7,4 bilhões para conversão de dívidas (Valor)

  • Cosan levanta mais de R$ 2,5 bilhões em caixa com derivativos ligados à Rumo (InvestNews)

  • MBRF conclui captação de R$ 2,375 bilhões e alonga dívidas até 2055 (Globo Rural)

  • Amazon bloqueou 1.800 candidaturas de emprego de suspeitos de serem agentes norte-coreanos (BBC)

Economia Real e Commodities:

  • Entenda a polêmica sobre a flexibilização de voos no Aeroporto Santos Dumont (g1)

  • BNDES aprova R$ 2 bi para Rumo construir 162 km de ferrovia em Mato Grosso (BNDES)

  • Líder mundial na produção de carne bovina, Brasil avança no mercado premium (Globo Rural)

Tech, Silicon Valley, Startups, Criptos, VC:

  • Bemobi compra Paytime para crescer no ‘payment as a service’ (Brazil Journal)

  • ChatGPT lança uma retrospectiva de fim de ano semelhante ao Spotify Wrapped (TechCrunch)

Deals, M&A e Private Equity:

  • General Mills põe Yoki à venda (Pipeline Valor)

  • Gigante alemã investe R$ 1 bi em terminal de contêineres no Espírito Santo (Brazil Journal)

  • Live Nation avança para se associar à 30e e montar operação bilionária no Brasil (Neofeed)

  • Paramount garante o apoio de Larry Ellison na proposta revisada da WBD (CNBC)

GRÁFICO DO DIA

MEMES SESSION

Uma progressão de eventos até o dia de hoje

AGENDA

Segunda 22/12: PIB (GBP); PCE (EUA)

Terça 23/12: IPCA-15 (BRA); PIB (EUA); Confiança do consumidor (EUA)

Quarta 24/12: Pedidos iniciais seguro desemprego (EUA)

Quinta 25/12: Natal

Sexta 26/12:

THE PAPER // THAT'S ALL, FOLKS

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