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A briga que pode desfazer a maior holding de moda da América Latina
A maior holding de moda da América Latina está na Justiça, não por causa de um concorrente, de um regulador ou de uma crise macro, mas por causa de uma briga entre duas figuras que decidiram, pouco mais de dois anos atrás, construir juntos o maior grupo de marcas de moda do continente.

Good morning, Brasil.
O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira, pressionado pelo cenário político e pelo vencimento de opções sobre o índice. O mercado reagiu à reportagem do The Intercept que revelou áudios do senador Flávio Bolsonaro negociando R$ 134 milhões com o banqueiro Daniel Vorcaro (ex-Banco Master) para financiar a cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.
O dólar disparou durante a tarde e fechou novamente acima dos R$ 5,00. Foi a maior alta percentual em um único dia desde dezembro de 2025, impulsionada pela aversão ao risco doméstico e pelo avanço do PPI nos EUA, que reforçou a cautela global enquanto investidores monitoram a agenda de Trump na China.
O Paper of the Day atualiza o "divórcio" na Azzas 2154. A disputa entre os fundadores Roberto Jatahy e Alexandre Birman foi parar na justiça após Jatahy questionar a gestão das marcas masculinas (como a Reserva). O mercado já precifica o risco de governança enquanto o futuro da maior holding de moda do país entra em xeque diante da crise societária.
Aqui está o seu the news money de hoje.
QUICK TAKES
📎 Read: Estadão e the news anunciam parceria para coberturas da Copa do Mundo e das Eleições (Estadão)
▶️ Watch: Áudios com Vorcaro testam força da campanha de Flávio Bolsonaro | William Waack (CNN Brasil)
#️⃣ Stat: Mercado de fusões e aquisições no Brasil sobe 114% em valor com menos negócios e mais capital por operação (Times Brasil)
🧊 Ice Breaker: Cofundador de marca de maquiagem renuncia à fortuna de empresa avaliada em US$ 3 bilhões para se tornar padre (New York Post)
POR QUE O MERCADO SE MOVEU:
(-) PETR4 -2,43% — Queda do petróleo no exterior somada à digestão do balanço divulgado na véspera: lucro de R$ 32,7 bi no 1T26, queda de 7,2% anual e abaixo das estimativas. Executivos também sinalizaram que dividendos extraordinários em 2026 têm probabilidade muito baixa.
(+) VALE3 +1,26% — Resistiu à queda do índice com suporte nos futuros de minério de ferro em Dalian, que fecharam em alta de 0,31%.
(+) BRKM5 +2,86% — Continuidade do movimento da véspera, quando a petroquímica disparou 29% após upgrade do JPMorgan para "overweight" e forte short squeeze.
(-) RENT3 -6,40% — Pressionada pela disparada dos juros futuros após o ruído político. Analistas do Citi reduziram o preço-alvo de R$ 55 para R$ 54, mas mantiveram recomendação de compra, citando que cortes de juros mais lentos limitam o potencial de alta sem comprometer os fundamentos.
(-) JBSS3 -3,80% — Lucro líquido do 1T26 caiu 55,8% na base anual, para US$ 221 milhões. O bom desempenho das operações brasileiras não foi suficiente para compensar as margens negativas da unidade norte-americana de proteína bovina, a maior do grupo.
CENTRAL DE RESULTADOS:
Banco do Brasil (BBAS3): Lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bi no 1T26, queda de 53,5% na base anual e abaixo das estimativas. O banco revisou o guidance de lucro para 2026 para R$ 18 bi a R$ 22 bi (ante projeção anterior), e elevou a estimativa de custo de crédito para R$ 65 bi a R$ 70 bi no ano. O principal problema é o agronegócio: inadimplência acima de 90 dias na carteira rural saltou de 2,76% para 6,22% em um ano, com a linha de custeio chegando a 10,56%. O ROE despencou de 16,7% para 7,3%.
CSN Mineração (CMIN3): Lucro líquido de R$ 222,1 mi no 1T26, revertendo o prejuízo de R$ 357 mi registrado no mesmo período de 2025. O EBITDA ajustado recuou 0,5% na base anual, para R$ 1,42 bi, ainda assim acima da estimativa dos analistas (R$ 1,3 bi). A receita líquida ajustada caiu 7,2%, para R$ 3,17 bi — a empresa atribuiu a queda exclusivamente ao câmbio, já que volumes e preços ficaram em patamares similares ao ano anterior.
CSN (CSNA3): Prejuízo líquido de R$ 555 mi no 1T26, ante prejuízo de R$ 732 mi no mesmo período do ano passado. O EBITDA ajustado cresceu 5,5% na base anual, para R$ 2,6 bi, em linha com o esperado. A receita líquida ficou em R$ 10,6 bi, queda de 2,8% anual. Alavancagem praticamente estável, em 3,36x.
Casas Bahia (BHIA3): Prejuízo de R$ 1 bi no 1T26, 2,6 vezes maior que no mesmo período do ano passado. O ponto positivo: a geração de caixa livre foi de R$ 852 mi, melhora de R$ 1,2 bi na comparação anual, e a dívida líquida caiu para R$ 1,2 bi (alavancagem de 0,5x, ante 1,8x um ano antes). O problema está na linha financeira, pressionada pelo CDI mais alto e pela falta de constituição de imposto de renda diferido ativo.
PAPER OF THE DAY
O casamento que virou processo
A maior holding de moda da América Latina está na Justiça, não por causa de um concorrente, de um regulador ou de uma crise macro, mas por causa de uma briga entre duas figuras que decidiram, pouco mais de dois anos atrás, construir juntos o maior grupo de marcas de moda do continente.
A Azzas 2154 nasceu em agosto de 2024 da fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma. De um lado, Alexandre Birman, filho do fundador da Arezzo, gestor com DNA financeiro, orientado a eficiência e resultados. Do outro, Roberto Jatahy, o arquiteto do Soma, que transformou marcas cariocas como Animale e Farm em uma plataforma respeitada, cultuado pela capacidade de preservar a identidade de cada negócio sem sufocar sua alma criativa. A lógica da fusão era elegante: os calçados da Arezzo cruzariam com o vestuário do Soma, gerando R$ 1,1 bilhão em receita incremental projetada, 34 marcas e dois mil pontos de venda.

Imagem: Divulgação
O que parecia uma complementaridade perfeita no papel revelou, na prática, dois mundos incompatíveis de gestão: Birman centralizava e Jatahy resistia. Em menos de dois anos, ao menos 14 executivos de alto escalão deixaram a companhia, o conselho de administração trocou de presidente três vezes, as ações da AZZA3 já acumulam uma queda de 27% no ano e o lucro do primeiro trimestre despencou 45,7% na comparação anual.

Gráfico: Google Finance
O estopim da disputa atual foi a Reserva. A marca de moda masculina havia sido integrada ao "Projeto 021", a unidade carioca de vestuário que Jatahy comandava. Mas em abril, Birman decidiu separá-la dessa estrutura e integrá-la à Hering — uma decisão com respaldo estatutário, já que o CEO define a organização da companhia. Jatahy discordou, levou ao Conselho e ouviu que o board não poderia fazer nada, então foi à Justiça.
Assim, na última terça-feira, a 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro deferiu uma liminar: a estrutura fica congelada como estava em 22 de abril, Jatahy permanece como Chief Brand Officer e assume interinamente a gestão das unidades de vestuário — e se Birman descumprir, pode ser afastado da empresa que ajudou a construir. Porém Birman não ficou parado: ontem ele entrou com agravo de instrumento no Tribunal de Justiça pedindo efeito suspensivo, argumentando que a decisão representa interferência indevida do Judiciário na gestão de uma companhia aberta para satisfazer interesses de um acionista minoritário.
O que a disputa pela Reserva revela não é a vaidade, mas uma questão de princípio sobre quem manda. O estatuto diz que é o CEO, mas Jatahy argumenta que desfazer em abril o que foi construído ao longo de mais de um ano equivale a revogar uma decisão estratégica sem respaldo formal do colegiado, e a juíza pareceu acolher esse argumento.
A fusão foi apresentada como um casamento entre iguais, mas na estrutura do deal a Arezzo incorporou o Soma e seus acionistas ficaram com 54% da nova empresa. Quando um lado tem mais poder formal e o outro carrega mais capital cultural, o acordo de acionistas precisa ser cirúrgico. O deles, por tentar proteger os dois mundos ao mesmo tempo, acabou travando os dois.
Takeaway: O que se pode esperar agora são três caminhos: um acordo negociado fora do tribunal, com ajustes profundos na divisão de poder entre os dois sócios; a compra da participação de um pelo outro, encerrando a sociedade de forma ordenada; ou, no cenário mais radical, uma cisão formal dos negócios. Por ora, a briga segue nos tribunais, onde cada lado tem seus advogados, seus argumentos e sua versão sobre quem tem o direito de decidir o futuro da companhia.
APRESENTADO POR GM FLEET
Frota própria ou terceirizada: a conta que CFOs estão refazendo
No Brasil, cerca de 80% das empresas ainda têm carros próprios. Nos EUA e Europa, mais da metade já terceiriza. A diferença não é quem faz a conta certa, mas quem inclui o que sempre fica de fora da planilha:
20% a 25% de perda: é a desvalorização do carro 0km logo no 1º ano.
Caixa preso: comprar frota tira dinheiro de onde ele faria a empresa crescer.
Quebrou? Na frota própria, o funcionário fica parado junto. Na terceirizada, vem um carro reserva.
Esses itens, somados, formam o custo de um funcionário inteiro cuidando de algo que não dá dinheiro. E aí a pergunta: cuidar de carro faz sua empresa ganhar mais?
A GM Fleet completa 3 anos no Brasil entregando frota Chevrolet 0km, com a GM Financial por trás. Para quem quer focar no próprio negócio, simule sua frota aqui.
HEADLINES
World Big News
Senado americano confirma Kevin Warsh como membro do Conselho de Governadores do Fed e abre caminho para a votação do presidente do Fed (CNBC)
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Tech, Silicon Valley, Startups, VC, Criptos
IPO, M&A, Private Equity e Special Sits
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GRÁFICO DO DIA
Lula dispara, Flávio despenca e Zema volta a crescer nas previsões da Kalshi.

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AGENDA
Segunda 11/05: Vendas de casas usadas (EUA)
Terça 12/05: IPCA; IPC (EUA); IPC (ALE)
Quarta 13/05: Vendas no varejo (BRA)
Quinta 14/05: PIB Reino Unido; Vendas no varejo (EUA)
Sexta 15/05: Crescimento do setor de serviços (BRA)
MEMES SESSION

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