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A casa própria ainda faz parte do American Dream?

Por décadas, prosperar nos EUA tinha um significado claro: ter seu próprio imóvel.

Good morning, Brasil.

O Ibovespa encerrou a última sessão no vermelho, perdendo tração e voltando para a faixa dos 171 mil pontos. No cenário internacional, o destaque ficou com a forte liquidação global nas ações das fabricantes de chips, um movimento que fez o índice Nasdaq 100 liderar as perdas em Nova York.

Paralelamente, o dólar voltou a ganhar força e avançou para a casa dos R$ 5,20. A moeda americana foi impulsionada pela combinação clássica de maior aversão ao risco no exterior e ruídos no ambiente doméstico.

E já que estamos falando em dólar, o Paper of the Day de hoje é assinado por Lucas Rabelo, aluno do Masters in Real Estate Development na Columbia University. Ele traz um panorama completo sobre o mercado imobiliário americano e nos ajuda a responder: a casa própria ainda faz parte do sonho americano?

Aqui está o seu the news money de hoje.

QUICK TAKES

📎 Read: Apenas 2 investimentos de renda fixa batem o CDI no 1º semestre (InfoMoney)

▶️ Watch: MBRF: a criação da gigante global de alimentos vale o risco? (InvestNews)

#️⃣ Stat: Raízen tem 3º maior prejuízo anual da década entre SAs (Valor)

🧊 Ice Breaker: Os hábitos do CEO do segundo maior banco dos EUA vão fazer você repensar sua postura no trabalho (Estadão)

AtivoFechamento1 diaYTD
Índices
Ibovespa171.688,61-0,20%+6,95%
IFIX3.826,67-0,10%+1,26%
S&P 5007.483,23-0,22%+9,32%
NASDAQ26.040,03-0,66%+12,04%
DAX25.040,28+0,18%+2,04%
FTSE 10010.478,34-0,18%+5,30%
Nikkei 22570.474,96+0,59%+35,97%
Shanghai4.112,45+0,44%+2,21%
Moedas
DólarR$ 5,20+0,78%-4,06%
EuroR$ 5,94+0,51%-6,46%
LibraR$ 6,91+1,17%-5,21%
BitcoinU$ 60.530,00+3,33%-32,87%
Commodities
Brent (Barril)U$ 71,13-2,56%+16,64%
Minério de Ferro (Ton)U$ 98,36-1,84%-8,19%
Ouro (Onça troy)U$ 4.021,10+0,34%-7,60%
Soja (60kg)R$ 134,32+0,55%-4,74%
Milho (saca 60kg)R$ 64,02+0,69%-7,88%
Café Arábica (saca 60kg)R$ 1.665,59+5,50%-23,41%
Maiores altas
HAPV3
+3,33%
R$ 10,55
SUZB3
+2,11%
R$ 40,59
CSMG3
+2,02%
R$ 61,14
USIM5
+1,78%
R$ 8,60
COGN3
+1,78%
R$ 2,29
Maiores baixas
EGIE3
-6,14%
R$ 32,69
MGLU3
-5,34%
R$ 4,43
AZZA3
-4,64%
R$ 17,05
BEEF3
-4,58%
R$ 3,54
BRAV3
-4,15%
R$ 18,50

PAPER OF THE DAY

A casa própria ainda faz parte do American Dream?

Por Lucas Cadar Rabelo

Lucas é entusiasta do mercado imobiliário, com experiência em incorporação e gestão de equipes comerciais. Recentemente, se mudou para Nova York onde cursa um Masters in Real Estate Development na Columbia University.

Esta semana, os Estados Unidos celebram 250 anos da Declaração de Independência. Um país pautado em três direitos constitucionais: vida, liberdade, busca pela felicidade. A nação que transformou esses três princípios em potência global fez isso construindo, literalmente. Por décadas, prosperar nos EUA tinha um significado claro: ter seu próprio imóvel.

Duas gerações, o mesmo comportamento

Em 1981, o americano comprava sua primeira casa aos 29 anos. Em 2025, compra aos 40, recorde histórico, segundo a National Association of Realtors. Se considerar todos os compradores, não só os de primeira viagem, a mediana chegou a 59 anos. Em 2010, eram 39.

Vinte anos a mais na média em apenas quinze anos corridos. Reduzir a explicação disso a uma história de dificuldade financeira é perder o ponto mais interessante.

  • Os Millennials foram a primeira geração americana a chegar na fase de comprar casa e fazer uma conta diferente. Uma hipoteca de 30 anos são 360 parcelas antes de ser dono integral do imóvel. Durante esse tempo, há pouca flexibilidade para mudar de cidade, explorar outros mercados, mudar o lifestyle. Para uma geração que trocou de carreira em média três vezes antes dos 35, isso não é estabilidade, mas sim uma âncora.

  • A Geração Z chegou ainda mais cedo à mesma conclusão. Segundo levantamento da Entrata, plataforma de gestão de propriedades americana, 3 em cada 4 jovens que alugam consideram o aluguel uma opção mais inteligente financeiramente do que comprar.

Segundo o Rently 2026 Renting by Generation Report, 49% dos locatários americanos dizem que alugar por longo prazo é mais aceito socialmente hoje do que era há dez anos. O estigma está desaparecendo, e junto com ele, a ideia de que a casa própria é o único sinal de conquista, especialmente na América.

O aluguel deixou de ser plano B. Para uma geração inteira de americanos, é o plano A.

Gráfico: CNBC

Em 2025, 80% de todos os novos domicílios formados nos EUA foram de locatários. Segundo a CBRE, 57% de toda a atividade de locação em apartamentos vem de renovações de contrato, não de novos inquilinos. As pessoas não estão saindo. Não só porque comprar ficou caro. Porque alugar, nos EUA, virou uma experiência que funciona.

O Brasil aprendeu a construir. Os EUA aprenderam a operar.

O Brasil criou uma das indústrias de desenvolvimento imobiliário mais sofisticadas do mundo. Lançamentos, prédios assinados por arquitetos e marcas, velocidade de vendas, relacionamento com o comprador, um mercado construído ao longo de décadas.

A experiência de quem compra no Brasil, em geral, é boa. A de quem aluga, não.

Alugar no Brasil ainda depende, na maior parte das vezes, da boa vontade de uma pessoa física. Do proprietário que aceita ou não o animal de estimação, que demora para resolver um vazamento, que decide vender o imóvel no meio do contrato. A locação residencial brasileira é fragmentada, informal na prática, e emocionalmente desgastante para quem passa por ela.

Os EUA foram por outro caminho. Desenvolveram uma indústria de gestão que não tem paralelo. Gestão, aqui, significa curar a experiência de morar: O concierge que resolve um problema antes de ser chamado; O app que abre a porta, paga o aluguel e agenda a manutenção; O rooftop que faz o inquilino pensar duas vezes antes de procurar outro endereço… ou seja, o ativo não termina na entrega das chaves. Ele começa ali e é operado todos os dias.

Esse princípio vale muito além do residencial. Escritórios, galpões, shoppings, hotéis operam pela mesma lógica. Quem entendeu isso primeiro construiu um mercado inteiro em cima dessa diferença.

  • O Brasil tem 5,77 milhões de domicílios em déficit habitacional, o menor patamar histórico segundo a Fundação João Pinheiro. O problema não é que faltam unidades. Falta um mercado institucional capaz de oferecer moradia de qualidade e operá-la com eficiência ao longo do tempo. Os EUA têm cerca de 20 milhões de unidades multifamily institucionais em operação. O Brasil acaba de cruzar a marca de 14 mil, segundo a Newmark, ainda muito concentrado pelos grandes players no mercado paulista.

Talvez o próximo ciclo do mercado imobiliário brasileiro seja menos sobre construir melhor e mais sobre profissionalizar a gestão dos ativos.

HEADLINES

World Big News

  • O surto de Ebola poderá custar à África 3,6 bilhões de dólares (Semafor)

  • Governo Trump rejeita estender USMCA no formato atual e submete pacto com México e Canadá a revisões anuais (Reuters)

  • Trump declara US$ 1,4 bi em receitas com cripto em 2025 e reacende alerta sobre ética (Bloomberg Línea)

Governo, Tesouro, BC e Brasília

  • Apenas duas chapas presidenciais definiram candidatos a vice a menos de 3 meses da eleição (g1)

  • Por peso eleitoral, PT troca Brasília por SP para lançar Lula à reeleição (CNN)

  • O governador Tarcísio de Freitas indicou uma mudança de rumo em sua agenda de desestatização ao sinalizar que deve manter as linhas operadas pelo Metrô sob o controle da estatal (Brazil Journal)

Economia Real, Agro e Commodities

  • Suzano e Kimberly-Clark concluem acordo de R$ 6,7 bilhões e lançam a Arbex. Com o fechamento da operação, a Suzano passa a controlar a joint venture, que será rebatizada de Arbex (InvestNews)

  • GWM escolhe Espírito Santo para instalar sua segunda fábrica no Brasil. Unidade em Aracruz deve começar a operar em 2029 e faz parte do plano de R$ 10 bilhões da montadora chinesa para ampliar sua operação no país (InvestNews)

  • Com alívio da guerra, Petrobras reduz preço do querosene de aviação (Agência Brasil)

Faria Lima, Wall Street, Euro, Ásia

  • Banco Safra também é um dos interessados na aquisição de ativos do Digimais. A conclusão do negócio, no entanto, depende de uma linha de financiamento estruturada junto ao FGC (Pipeline Valor)

  • Gilson Finkelsztain assume como CEO do Santander Brasil após nove anos de B3 (Valor)

  • Michael Burry aposta contra a Caterpillar pela primeira vez após rali impulsionado por infraestrutura de IA (CNBC)

Tech, Silicon Valley, Startups, VC, Criptos

  • BTG Pactual está co-liderando uma rodada de investimento na ADDI, uma fintech colombiana fundada em 2021 por um ex-JP Morgan (Brazil Journal)

  • Meta projeta divisão de nuvem para vender capacidade ociosa de IA e acirra disputa com rivais (TechCrunch)

  • EUA suspendem restrições de acesso internacional ao modelo de IA Fable 5 da Anthropic (Bloomberg Línea)

IPO, M&A, Private Equity e Special Sits

  • Gigante de energéticos do interior de SC compra fatia de marca de Felipe Titto rumo a R$ 2,5 bilhões (Exame)

  • Movimentações de M&A agitam o setor farmacêutico brasileiro com rearranjo de portfólios e busca por sócios (Valor)

  • A holding de tecnologia italiana Bending Spoons, conhecida por adquirir marcas icônicas da internet, precificou seu IPO na Nasdaq com valuation de até US$ 19 bilhões (NeoFeed)

GRÁFICO DO DIA

O ouro continua sendo um dos ativos de melhor desempenho no último ano.

AGENDA

Segunda 29/06: IGP-M; PMI Industrial China

Terça 30/06: Índice de Evolução de Emprego do CAGED; Dívida Bruta/PIB; PIB Reino Unido

Quarta 01/07: PMI Industrial EUA

Quinta 02/07: Taxa de Desemprego nos EUA

Sexta 03/07: Balança Comercial; Dia da Independência EUA (Feriado)

MEMES SESSION

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