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A ‘desindustrialização’ do Brasil

É mais racional comprar um título público do que montar fábrica. E enquanto isso for verdade, a desindustrialização vai continuar

Good morning, Brasil.

Os mercados ficam um pouco mais aliviados e voltam a subir depois da forte queda de terça-feira. O dólar caiu e o Brent continuou na casa dos US$ 82.

Ontem, o dia foi marcado por mais uma etapa do Caso Master, com Vorcaro e seu cunhado voltando para a prisão e com o afastamento de dois ex-servidores do Banco Central.

O Paper of the Day é uma continuação sobre a economia brasileira: além dos números que não aparecem nas estatísticas, abordamos o longo e doloroso processo de desindustrialização do país.

Aqui está o seu the news money de hoje.

QUICK TAKES

📎 Read: “A Turma”: quem é quem e como funcionava o grupo de Vorcaro (Metrópoles)

▶️ Watch: Marinheiros são surpreendidos por mísseis a caminho do Irã (Wall Street Mav)

#️⃣ Stat: Apesar da guerra, juros futuros caem no Brasil após forte alta na véspera (Investing)

🧊 Ice Breaker: Nubank compra ‘naming rights’ de estádio do Inter Miami e avança em expansão nos EUA (Bloomberg Línea)

MERCADOS

Fechamento 04/03/2026 – (19:00)

AtivoFechamento1 diaYTD
Índices
Ibovespa185.366,44+1,24%+15,47%
IFIX3.890,89+0,20%+2,96%
S&P 5006.869,50+0,78%+0,35%
NASDAQ22.807,48+1,29%-1,87%
DAX24.205,36+1,74%-1,36%
FTSE 10010.567,65+0,80%+6,20%
Nikkei 22554.245,54-3,61%+4,65%
Shanghai4.082,47-0,98%+1,47%
Moedas
DólarR$ 5,23-0,76%-2,77%
EuroR$ 6,08-0,82%-4,25%
LibraR$ 6,99-0,85%-4,12%
BitcoinU$ 73.200,20+7,76%-18,82%
Commodities
Brent (Barril)U$ 82,31+0,76%+34,98%
Minério de Ferro (Ton)U$ 100,06+0,49%-6,60%
Ouro (Onça troy)U$ 5.160,08+1,32%+18,57%
Soja (60kg)R$ 128,21-0,35%-9,08%
Milho (saca 60kg)R$ 70,23+0,36%+1,05%
Café Arábica (saca 60kg)R$ 1.859,96+0,36%-14,47%
Maiores altas
PCAR3
+14,67%
R$ 2,97
BRKM5
+13,72%
R$ 10,86
MGLU3
+5,89%
R$ 9,52
NATU3
+5,13%
R$ 9,01
VAMO3
+5,06%
R$ 4,36
Maiores baixas
RAIZ4
-13,04%
R$ 0,60
ASAI3
-3,35%
R$ 8,36
SUZB3
-1,34%
R$ 56,50
PETR4
-1,10%
R$ 40,50
PETR3
-0,72%
R$ 44,06

PAPER OF THE DAY

A ‘desindustrialização’ do Brasil

Em 1947, quando o IBGE começou a medir sistematicamente a economia brasileira, a indústria de transformação respondia por cerca de 16% do PIB. Nas décadas seguintes, esse número só subiu. Do Plano de Metas ao Milagre Econômico ao II PND, o país fabricava aço, petroquímicos, máquinas, automóveis. O pico veio em 1985: 27,3% do PIB. Parecia que o Brasil estava no caminho dos países que usaram a indústria como escada para o desenvolvimento.

  • Quarenta anos depois, essa fatia caiu para 13,7%. A indústria de transformação perdeu praticamente metade do seu peso no PIB numa das quedas mais expressivas do mundo no período.

O economista Paulo Morceiro, da USP, e Joaquim Guilhoto, da OCDE, documentaram o processo com precisão: enquanto o "mundo sem China" perdeu apenas 1 ponto percentual de participação da manufatura no PIB entre 1980 e 2015, o Brasil viu a sua cair de 27% para menos de 14% — uma queda de praticamente metade. O valor adicionado manufatureiro brasileiro andou de lado por décadas, enquanto em economias avançadas a indústria cresceu em linha com o PIB. O país cresceu, mas as fábricas ficaram para trás.

O que chama atenção nesses estudos não é só a magnitude da queda, mas o momento em que ela começou. A desindustrialização brasileira se iniciou quando a renda per capita do país era de pouco abaixo de US$ 11 mil em paridade de poder de compra, bem abaixo dos cerca de US$ 20 mil estimados como ponto de inflexão "natural" da manufatura. O Brasil começou a perder indústria antes de ter ficado rico o suficiente para se dar ao luxo de dispensá-la.

Pior: a perda não foi uniforme. Os setores que mais encolheram foram justamente os de maior intensidade tecnológica: máquinas e equipamentos, química fina e parte da cadeia petroquímica. O setor de informática e eletrônica, núcleo da economia digital, responde por menos de 1% do PIB brasileiro, uma proporção bem menor do que a observada em economias avançadas.

No lugar da manufatura, cresceram o agro, extração de petróleo e serviços financeiros. São setores relevantes, mas de menor efeito multiplicador sobre o restante da economia. Estudos do IEDI estimam que uma alta sustentada de 1% na indústria de transformação gera, em média, cerca de 2% a mais no valor adicionado das demais atividades.

Takeaway: Em 2025, o PIB cresceu 2,3%, puxado por agropecuária (+11,7%) e indústria extrativa, enquanto a indústria de transformação ficou próxima de zero e com alguns segmentos no negativo. Com a Selic em 15% e juro real elevado de forma recorrente, qualquer projeto industrial que precise de um prazo longo e crédito barato simplesmente não fecha a conta. É mais racional comprar um título público do que montar uma fábrica. E enquanto isso for verdade, a desindustrialização vai continuar.

HEADLINES

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Economia Real, Agro e Commodities

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Tech, Silicon Valley, Startups, VC, Criptos

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IPO, M&A, Private Equity e Special Sits

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APRESENTADO POR RENAULT

O ‘carro do ano’ foi definido e é um SUV

A Renault sempre esteve presente nas ruas brasileiras, sendo o Brasil um dos três maiores mercados da marca no mundo. Agora, a gigante francesa está passando por um marco de renovação por aqui.

  • Com seu recém-lançado Renault Boreal, eleito o carro do ano em 2026, foca em uma nova fase de tecnologia e design de ponta, com padrões europeus de segurança só que feito no Brasil.

Uma mistura que dá certo para focar em uma experiência de direção premium. Aqui você conhece o carro premiado.

GRÁFICO DO DIA

O crescimento da IA quando comparado a outras “revoluções”

Gráfico: Santander Private Banking

AGENDA

Segunda 02/03: PMI Industrial (EUA)

Terça 03/03: PIB do Brasil; PMI Industrial (CNY)

Quarta 04/03: PMI Serviços (EUA); PMI Não-Manufatura (EUA)

Quinta 05/03: Taxa de Desemprego (BRA); Balança Comercial (BRA); Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego (EUA)

Sexta 06/03: Produção Industrial (BRA); Vendas no Varejo (EUA); Taxa de Desemprego (EUA)

MEMES SESSION

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