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A ‘desindustrialização’ do Brasil
É mais racional comprar um título público do que montar fábrica. E enquanto isso for verdade, a desindustrialização vai continuar

Good morning, Brasil.
Os mercados ficam um pouco mais aliviados e voltam a subir depois da forte queda de terça-feira. O dólar caiu e o Brent continuou na casa dos US$ 82.
Ontem, o dia foi marcado por mais uma etapa do Caso Master, com Vorcaro e seu cunhado voltando para a prisão e com o afastamento de dois ex-servidores do Banco Central.
O Paper of the Day é uma continuação sobre a economia brasileira: além dos números que não aparecem nas estatísticas, abordamos o longo e doloroso processo de desindustrialização do país.
Aqui está o seu the news money de hoje.
QUICK TAKES
📎 Read: “A Turma”: quem é quem e como funcionava o grupo de Vorcaro (Metrópoles)
▶️ Watch: Marinheiros são surpreendidos por mísseis a caminho do Irã (Wall Street Mav)
#️⃣ Stat: Apesar da guerra, juros futuros caem no Brasil após forte alta na véspera (Investing)
🧊 Ice Breaker: Nubank compra ‘naming rights’ de estádio do Inter Miami e avança em expansão nos EUA (Bloomberg Línea)
PAPER OF THE DAY
A ‘desindustrialização’ do Brasil
Em 1947, quando o IBGE começou a medir sistematicamente a economia brasileira, a indústria de transformação respondia por cerca de 16% do PIB. Nas décadas seguintes, esse número só subiu. Do Plano de Metas ao Milagre Econômico ao II PND, o país fabricava aço, petroquímicos, máquinas, automóveis. O pico veio em 1985: 27,3% do PIB. Parecia que o Brasil estava no caminho dos países que usaram a indústria como escada para o desenvolvimento.
Quarenta anos depois, essa fatia caiu para 13,7%. A indústria de transformação perdeu praticamente metade do seu peso no PIB numa das quedas mais expressivas do mundo no período.

O economista Paulo Morceiro, da USP, e Joaquim Guilhoto, da OCDE, documentaram o processo com precisão: enquanto o "mundo sem China" perdeu apenas 1 ponto percentual de participação da manufatura no PIB entre 1980 e 2015, o Brasil viu a sua cair de 27% para menos de 14% — uma queda de praticamente metade. O valor adicionado manufatureiro brasileiro andou de lado por décadas, enquanto em economias avançadas a indústria cresceu em linha com o PIB. O país cresceu, mas as fábricas ficaram para trás.
O que chama atenção nesses estudos não é só a magnitude da queda, mas o momento em que ela começou. A desindustrialização brasileira se iniciou quando a renda per capita do país era de pouco abaixo de US$ 11 mil em paridade de poder de compra, bem abaixo dos cerca de US$ 20 mil estimados como ponto de inflexão "natural" da manufatura. O Brasil começou a perder indústria antes de ter ficado rico o suficiente para se dar ao luxo de dispensá-la.
Pior: a perda não foi uniforme. Os setores que mais encolheram foram justamente os de maior intensidade tecnológica: máquinas e equipamentos, química fina e parte da cadeia petroquímica. O setor de informática e eletrônica, núcleo da economia digital, responde por menos de 1% do PIB brasileiro, uma proporção bem menor do que a observada em economias avançadas.
No lugar da manufatura, cresceram o agro, extração de petróleo e serviços financeiros. São setores relevantes, mas de menor efeito multiplicador sobre o restante da economia. Estudos do IEDI estimam que uma alta sustentada de 1% na indústria de transformação gera, em média, cerca de 2% a mais no valor adicionado das demais atividades.
Takeaway: Em 2025, o PIB cresceu 2,3%, puxado por agropecuária (+11,7%) e indústria extrativa, enquanto a indústria de transformação ficou próxima de zero e com alguns segmentos no negativo. Com a Selic em 15% e juro real elevado de forma recorrente, qualquer projeto industrial que precise de um prazo longo e crédito barato simplesmente não fecha a conta. É mais racional comprar um título público do que montar uma fábrica. E enquanto isso for verdade, a desindustrialização vai continuar.
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APRESENTADO POR RENAULT
O ‘carro do ano’ foi definido e é um SUV
A Renault sempre esteve presente nas ruas brasileiras, sendo o Brasil um dos três maiores mercados da marca no mundo. Agora, a gigante francesa está passando por um marco de renovação por aqui.
Com seu recém-lançado Renault Boreal, eleito o carro do ano em 2026, foca em uma nova fase de tecnologia e design de ponta, com padrões europeus de segurança só que feito no Brasil.
Uma mistura que dá certo para focar em uma experiência de direção premium. Aqui você conhece o carro premiado.
GRÁFICO DO DIA
O crescimento da IA quando comparado a outras “revoluções”

Gráfico: Santander Private Banking
AGENDA
Segunda 02/03: PMI Industrial (EUA)
Terça 03/03: PIB do Brasil; PMI Industrial (CNY)
Quarta 04/03: PMI Serviços (EUA); PMI Não-Manufatura (EUA)
Quinta 05/03: Taxa de Desemprego (BRA); Balança Comercial (BRA); Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego (EUA)
Sexta 06/03: Produção Industrial (BRA); Vendas no Varejo (EUA); Taxa de Desemprego (EUA)
MEMES SESSION


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