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A maior economia da IA nunca existiu
Existe uma máxima no Vale do Silício hoje chamada "Token Anxiety". São milhares de pessoas que estão mostrando traços de ansiedade se não utilizam todos os tokens dos seus planos de assinatura da Anthropic ou OpenAI

Good morning, Brasil.
O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira, arrastado pelo ambiente de aversão ao risco que tomou conta dos mercados globais. A persistência das incertezas sobre o desfecho da guerra no Oriente Médio segue ditando o ritmo e testando a paciência dos investidores. Em Nova York, os principais índices recuaram, corrigindo as máximas do dia anterior.
O Paper of the Day, assinado por Leonardo Dawadji, revela o "custo invisível" da Inteligência Artificial. Enquanto todos olham para o potencial de ganho, as empresas começam a descobrir os gargalos operacionais e financeiros escondidos sob o capô dessa tecnologia.
Aqui está o seu the news money de hoje.
QUICK TAKES
📎 Read: As lições que seis das maiores crises econômicas da história nos deixaram (Valor)
▶️ Watch: Por que o Brasil é o mais preparado para crises do Petróleo? (Curioso Mercado)
#️⃣ Stat: BofA eleva projeção para o Ibovespa e mantém recomendação de compra para Brasil (Bloomberg Línea)
🧊 Ice Breaker: Êxodo de empreendedores do Brasil para o Vale do Silício impõe desafio a fundos de VC (Bloomberg Línea)
DICA
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PAPER OF THE DAY
A maior economia da IA nunca existiu
Por Leonardo Dawadji Costa
![]() | Leonardo Dawadji atua no mercado financeiro há mais de uma década, com passagens por gestoras como XP Asset, onde foi COO durante sua fase de expansão, além de Ace Capital e Encore como sócio fundador. Atualmente é CFO da Across Capital e escreve o Trend Override, onde conecta tecnologia, inteligência artificial e mercado com uma visão analítica e prática sobre suas implicações. LinkedIn: Leonardo Dawadji |
Existe uma máxima no Vale do Silício hoje chamada "Token Anxiety". São milhares de pessoas que estão mostrando traços de ansiedade se não utilizam todos os tokens dos seus planos de assinatura da Anthropic ou OpenAI.
Nas empresas, o jogo é parecido. São rankings e metas para que todos seus engenheiros metralhem tokens como se estivessem brincando de Exterminador do Futuro.
Dentro do universo das empresas de serviços listadas nos EUA, a mesma Uber que possui uma das engenharias mais disciplinadas do planeta queimou o orçamento anual de IA em apenas quatro meses. O CTO foi público: "I'm back to the drawing board." Custo mensal de API chegando a US$2.000 por engenheiro. Isso não é um caso isolado, é o começo de uma nova linha no P&L das empresas de tech, e poucos estão prestando atenção nela.
Olhe o primeiro gráfico:

Ele mostra o volume de tokens processados pelo Google por minuto via API: 16 bilhões em abril de 2026, contra 10 bilhões no trimestre anterior. Um crescimento de 60% em 90 dias. Na Meta, mais de 80.000 funcionários competiram em um leaderboard interno batizado de "Claudeonomics": uma competição interna premiando quem consumia mais tokens. O resultado: em 30 dias, 60 trilhões de tokens. O líder fritou 281 bilhões sozinho. O Zuckerberg nem entrou no top 250.
Agora olhe o segundo gráfico, e preste atenção na matemática:

A Meta planeja demitir mais de 10% do seu quadro. São aproximadamente 8.000 pessoas. Ao salário mediano divulgado no filing da SEC (US$379 mil por ano), isso representa uma economia anual de aproximadamente US$3 bilhões em folha de pagamento.
Enquanto isso, seus funcionários consumiram 60 trilhões de tokens em 30 dias. A estimativa mais conservadora do mercado aponta para um gasto de US$180 milhões mensais (US$2.16B anuais) apenas com esse consumo interno .
Em outras palavras: 72% do que a Meta economiza demitindo vai direto para a fatura da Anthropic, da OpenAI e do Google. Sobram US$830 milhões de "eficiência" real.
A narrativa vendida para Wall Street era simples: IA corta custos, melhora margem, reduz pessoal. Os dados de 2026 contam outra história. O OPEX mudou de endereço, saindo da folha de pagamento e indo parar na fatura de token. E do outro lado da equação, Anthropic e OpenAI projetam margem bruta saindo dos atuais 40% para mais de 70% nos próximos três anos.
The Great OPEX Transfer
Nas contratações de hoje, "tokens ilimitados" já aparece como perk (benefício) no pacote de benefícios. Mais de 40% das empresas de tech oferecem AI credits na oferta. Há 18 meses, eram menos de 5%.
Não é eficiência. É substituição. Trocando humanos por tokens, headcount por agents.
Takeaway: A promessa da IA era reduzir o custo operacional das empresas e o estresse dos trabalhadores. Os coffee shops de São Francisco e os balanços de 2026 mostram o contrário: as horas trabalhadas explodiram, o OPEX mudou de endereço, e esse endereço fica mais caro a cada mês.
A pergunta relevante para qualquer executivo não é mais "quanto vou economizar com IA", e sim "quando minha fatura de token vai ultrapassar minha folha de pagamento".
O FOMO da IA mudou de nome. Agora se chama Claudeonomics. Token Anxiety. E tem algo que os FOMOs anteriores não tinham: uma linha própria no balanço.
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