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A terceira onda do mercado de investimentos
A XP democratizou o acesso. Agora, uma nova geração de profissionais está tentando democratizar o alinhamento.

Good morning, Brasil.
A segunda-feira foi um dia de recuo para os mercados, principalmente para os índices americanos, que caíram mais de 1%.
Os temores vieram de mais "novidades" do mundo da IA, que tiraram mais de US$ 30 bilhões de valor de mercado da IBM em poucas horas, e das repercussões da decisão da Suprema Corte americana sobre as tarifas. Trump volta a falar hoje sobre o tema.
O Paper of the Day traz luz a um tema que tem ganhado cada vez mais espaço no mercado: quais os números por trás do crescimento das consultorias de investimentos no país?
Aqui está o seu the news money de hoje.
QUICK TAKES
📎 Read: Do Chapter 11 à retomada: Latam ganha escala, reduz dívida e supera rivais na bolsa (Bloomberg Línea)
▶️ Watch: Como a ex-estatal Eletrobras virou a “Axia Energia” e dobrou de valor na Bolsa (InvestNews)
#️⃣ Stat: Focus: mercado reduz projeção de inflação e Selic para 2026; dólar cai a R$ 5,45 (InfoMoney)
🧊 Ice Breaker: Prints de Daniel Vorcaro negociando a compra de uma ilha (André Shalders)
PAPER OF THE DAY
A terceira onda do mercado de investimentos
Por anos, o mercado financeiro brasileiro funcionou em modo banco: produto próprio, distribuição interna e cliente cativo. A XP quebrou isso. Democratizou o acesso, escalou a arquitetura aberta e mostrou que dava para construir uma indústria fora dos quatro grandes. Foi uma revolução de distribuição.
"Se as duas primeiras ondas trataram de acesso e escala, a terceira trata de alinhamento", resume Lucas Maia, consultor da Vinde Investimentos.
À medida que o patrimônio investido do brasileiro cresceu e ficou mais complexo — crédito estruturado, ativos internacionais, planejamento sucessório, estruturas offshore — a pergunta mudou. Em vez de apenas "qual fundo rende mais", os questionamentos foram para "qual estrutura faz sentido para o meu patrimônio". A régua subiu e o modelo de assessoria comissionada começou a mostrar seus limites.

Imagem: Divulgação
É aí que entra a terceira onda: a consultoria independente.
Os números ajudam a contar essa história. Entre 2023 e 2025, o registro de novas consultorias cresceu 66%, contra 10% das assessorias. Em 2025, o cancelamento de assessorias em relação às fundadas chegou a 89%, o pior saldo líquido histórico. Do lado das consultorias, o registro mensal de novas firmas dobrou, chegando a 14 por mês. Só em 2025, das 162 consultorias PJ abertas, 37 foram fundadas por ex-assessores.
O tamanho real do setor, porém, é maior do que aparece. O levantamento da AAWZ mostra que o número de consultores ativos no mercado é 68% superior ao registrado na CVM. Isso porque consultores podem atuar sem registro na autarquia, desde que tenham certificações e estejam amparados pelo modelo da casa. Entre 2021 e 2025, o número oficial subiu de 701 para 2.135 — mas a estimativa real chega a 3.592. Em média, 60% dos novos entrantes atuam sem registro formal.
Mantido o ritmo atual, a AAWZ projeta uma queda acentuada na relação entre assessores e consultores até 2030, aproximando o mercado brasileiro de um equilíbrio muito mais próximo entre os dois grupos. Esse cenário nem considera a entrada mais agressiva dos grandes bancos no mercado de wealth services — movimento já em curso, com casas como Safra redesenhando suas plataformas e Itaú reforçando a oferta para alta renda.
O que explica essa migração?
Uma parte é a economia do modelo. A XP passou a cobrar uma taxa de plataforma sobre operações de fee fixo nas assessorias, o que na prática torna a consultoria uma estrutura mais fluida para quem quer operar nesse modelo. A outra é a demanda. O cliente sofisticado está cada vez mais disposto a pagar explicitamente por aconselhamento e cada vez mais ciente de que o modelo comissionado não é "gratuito".
Nos Estados Unidos e na Europa, a transição já é muito mais avançada. O fiduciary standard americano e a MiFID II europeia aumentaram o escrutínio sobre conflitos de interesse e forçaram mais transparência na remuneração. O resultado foi uma indústria de gestão e consultoria independente que ganhou escala, reputação e, com o tempo, preferência do investidor sofisticado.
Takeaway: A XP democratizou o acesso. Agora, uma nova geração de profissionais está tentando democratizar o alinhamento. Nos mercados maduros, a direção já é clara há anos. No Brasil, essa discussão está ganhando força.
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AGENDA
Segunda 23/02: Ano Novo Chinês; Aniversário do Imperador (Japão) - Feriados
Terça 24/02: Investimento Estrangeiro Direto; Confiança do Consumidor CB (EUA); Discurso Donald Trump
Quarta 25/02: PIB Alemanha
Quinta 26/02: IGP-M (BRA); Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego (EUA)
Sexta 27/02: Dívida Bruta/PIB; IPCA-15; Índice de Evolução de Emprego do CAGED; IPP (EUA)
MEMES SESSION
Se tiver IPCA+10%: Será que o real ainda vai existir no vencimento?

Dias como ontem:

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