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A única mina de terras raras no país não é nossa
A venda da Serra Verde por US$ 2,8 bilhões coloca o Brasil no centro de uma disputa geopolítica que vai muito além do mercado de mineração.

Good morning, Brasil.
Com o feriado de Tiradentes ontem, o mercado brasileiro teve um dia de calmaria e poucas novidades. Lá fora, porém, o cenário foi de volatilidade: os preços do petróleo caíram na Ásia nesta quarta-feira após o presidente Donald Trump estender indefinidamente o cessar-fogo com o Irã. Apesar do alívio temporário, a incerteza sobre o futuro das negociações de paz e possíveis interrupções no fornecimento ainda mantêm os investidores em alerta.
O Paper of the Day detalha a venda da Serra Verde, a única mineradora de terras raras em operação no Brasil, para a USA Rare Earth. O movimento é um divisor de águas na corrida global por minerais críticos, essenciais para a transição energética e tecnologia de ponta.
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PAPER OF THE DAY
A mina é nossa, o comando é deles: como Serra Verde virou um ativo estratégico dos EUA
A venda da Serra Verde por US$ 2,8 bilhões coloca o Brasil no centro de uma disputa geopolítica que vai muito além do mercado de mineração.
Terras raras são elementos químicos essenciais para fabricar motores de carros elétricos, turbinas eólicas e equipamentos militares de precisão. A China controla cerca de 70% da produção mundial e mais de 85% do processamento global, posição que em 2025 passou a ser usada de forma explícita como instrumento geopolítico: Pequim passou a exigir licenças especiais para exportar esses minerais ao Ocidente. É nesse contexto que uma cidade de 27 mil habitantes no norte de Goiás ganhou relevância estratégica global.

Imagem: Divulgação SVPM
Minaçu abriga a Serra Verde Pesquisa e Mineração, única empresa fora da Ásia a produzir, em escala comercial, os quatro elementos magnéticos mais críticos da transição energética. O controle sempre foi inteiramente estrangeiro: a Denham Capital, fundo americano de private equity, estava no projeto desde 2010. Em 2023, outros dois fundos entraram no capital, a americana Energy and Minerals Group e a britânica Vision Blue, aportando US$ 150 milhões para viabilizar a operação. A produção comercial começou em janeiro de 2024, fazendo da Serra Verde a primeira produtora em larga escala de terras raras do país.
A aproximação com Washington foi gradual, mas deliberada. Em 2024, a Serra Verde entrou para a lista de projetos da Minerals Security Partnership, coalizão de países liderada pelos EUA para diversificar o fornecimento de minerais críticos. Em fevereiro de 2026, assinou um empréstimo de US$ 565 milhões com uma agência americana de fomento, com cláusula dando ao governo dos EUA direito de comprar participação acionária. Ao mesmo tempo, comprometeu 100% de sua produção inicial a um veículo americano por 15 anos, capitalizado por órgãos do governo e investidores privados.
O desfecho veio agora no dia 20 de abril: a USA Rare Earth anunciou a compra de 100% da Serra Verde por US$ 2,8 bilhões, sendo US$ 300 milhões em dinheiro e o restante pago em ações listadas em Nova York. Os antigos controladores ficam com cerca de 34% da compradora, tornando-se os maiores acionistas individuais da nova mineradora integrada de terras raras.
A USA Rare Earth é listada na Nasdaq e vem montando uma cadeia completa de mineração a ímã fora da China: adquiriu uma fabricante britânica de ligas de terras raras, consolidou o controle sobre um dos maiores depósitos de terras raras pesadas da América do Norte, no Texas, e inaugurou uma fábrica de ímãs em Oklahoma. No início do ano, acertou com o governo Trump um pacote de financiamento que pode chegar a US$ 1,6 bilhão, combinando empréstimos e recursos públicos voltados a minerais críticos. Segundo projeções da própria companhia e de analistas que acompanham o negócio, a operação brasileira deve gerar um EBITDA de US$ 550 a 650 milhões só com a mina de Goiás em 2027.
Enquanto o negócio era costurado em Washington, o tema chegou à política brasileira. A bancada do PT protocolou projeto para criar a Terrabras, estatal federal com modelo semelhante ao do pré-sal, com participação mínima de 50% nos projetos de mineração de minerais críticos. O Brasil tem a segunda maior reserva mundial de terras raras, enquanto a maior parte dos demais projetos domésticos hoje é prevista para entrar em operação apenas depois de 2028.
Agora, a pergunta que fica é:
O Brasil vai conseguir “perder” a bonde nas terras raras ou dessa vez é diferente? |
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Olha a LatAm novamente…

AGENDA
Segunda 20/04: —
Terça 21/04: Dia de Tiradentes (Feriado)
Quarta 22/04: IPC Reino Unido
Quinta 23/04: PMI Industrial (EUA); PMI Serviços (EUA)
Sexta 24/04: Investimento Estrangeiro Direto (BRA)
MEMES SESSION

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