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A visão de um gestor macro
O paper of the day é baseado em uma conversa com Tavi Costa, investidor macroeconômico, empresário no setor de mineração e fundador e CEO da Azuria Capital

Good morning, Brasil.
Ontem foi um dia histórico para os mercados e para a exploração espacial. A SpaceX protocolou o pedido de listagem para o que deve ser o maior IPO da história, enquanto a NASA enviou com sucesso uma nova missão tripulada para orbitar a Lua. Na geopolítica, Donald Trump afirmou que levará o Irã de volta à "idade das pedras" caso um acordo não seja selado.
Por aqui, o cenário fiscal e corporativo domina as atenções. A Raízen apresentou seu plano de reestruturação aos credores, enquanto novos dados mostram que o governo atingiu o maior nível de gasto público em 16 anos.
O Paper of the Day traz o resumo de uma conversa exclusiva com uma das grandes referências em macroeconomia global: Tavi Costa, da Azuria Capital.
Aqui está o seu the news money de hoje.
QUICK TAKES
📎 Read: Lula enfrenta desafio de reconectar o PT ao novo perfil da classe trabalhadora (Bloomberg Línea)
▶️ Watch: Decolagem da missão Artemis II (NASA)
#️⃣ Stat: OpenAI está avaliada em US$ 852 bilhões, o equivalente a cerca de 5 Disneys (Sherwood)
🧊 Ice Breaker: Artemis II: Nasa gasta cerca de US$ 100 bi em nova missão para ir à Lua (CNN Brasil)
DICA
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PAPER OF THE DAY
A visão de um gestor macro
O paper of the day é baseado em uma conversa com Tavi Costa, investidor macroeconômico, empresário no setor de mineração e fundador e CEO da Azuria Capital. Tavi tem presença constante no The Wall Street Journal, na Barron's e na Bloomberg, e já fez apresentações no FMI. Formou-se com louvor na Universidade Lindenwood, em St. Louis, e jogou tênis na Divisão I da NCAA pela Universidade Liberty.
Otavio "Tavi" Costa foi para os Estados Unidos com uma bolsa de tênis. Saiu com US$ 50 no bolso e se tornou gestor macro por paixão, numa época em que poucos queriam saber do assunto. Em 2015, ganhou reputação ao prever que a China teria um colapso semelhante ao da Lehman Brothers de 2008. Em 2018, começou a falar mais sobre commodities e lançou um fundo voltado para exploração de ativos reais, incluindo a descoberta de uma das maiores minas de ouro no Canadá.
Em 2021, alavancado em 80% de dívida, comprou a quarta maior mineradora de prata do mundo na Bolívia por US$ 0,20 a ação, quando a prata estava a US$ 15 a onça. Hoje, a empresa vale cerca de US$ 70 por ação. Fundador da Azuria Capital, conversamos com ele sobre onde estão as oportunidades nos próximos anos.
O problema do dólar
A tese central de Tavi parte de um diagnóstico sobre os Estados Unidos: o governo americano enfrenta dois problemas estruturais sem saída fácil: o déficit fiscal e o déficit em conta corrente.
Para resolver o primeiro sem provocar recessão, terá que reduzir os juros em toda a curva. Para corrigir o segundo, resultado de importar muito mais do que exporta, a única saída de curto prazo é desvalorizar o dólar. Ele acredita que essa desvalorização pode chegar a 30%, como aconteceu contra o iene japonês nos anos 70. "O mercado ainda não precificou isso", diz ele.
Para mercados emergentes, esse cenário muda o cálculo completamente. "O medo dos investidores estrangeiros em relação ao Brasil não é a corrupção, isso é uma constante. É o risco cambial e os juros americanos altos." Ou seja, se os dois fatores se invertem simultaneamente, o fluxo de capital para a América Latina pode ser expressivo e duradouro.

Gráfico: TaviCosta - Azuria Capital
Tavi acredita que esse movimento de rotação para fora dos EUA está apenas começando, com potencial para durar de pelo menos 5 a 10 anos. Porém, investidores brasileiros tendem a perder esse quadro por ficarem demasiado focados nas notícias domésticas e misturarem política com decisão de investimento.
Alocações
Para alocação, a tese se organiza em três grandes pilares:
Metais e mineração
Petróleo e gás
América Latina
Dentro desses pilares, Tavi está construindo a EnerBol, uma petroleira própria na Bolívia, buscando adquirir ativos num país onde o governo controla 95% do setor de petróleo e gás. A agricultura também entra na tese como um pilar que ainda vai se valorizar dentro do ciclo de commodities, mas por ora acessada via mercado financeiro.
Para se posicionar na queda dos juros americanos, usa opções no ETF TLT (Tesouro de 20 a 30 anos) como hedge das posições em metais. A lógica: à medida que prata e ouro sobem, aumenta a proteção via Treasuries para equilibrar a volatilidade do portfólio.
Duas apostas menos óbvias completam o quadro: ações chinesas, acessadas exclusivamente via opções baratas para limitar o risco geopolítico como uma "forma mais extrema de investir na tese de desvalorização do dólar", e bancos europeus, especialmente alemães, que Tavi vê como oportunidade estrutural fora do radar dos gestores.
Em resumo, "As maiores oportunidades dos próximos anos estão em ativos tangíveis. A rotação está acontecendo e a maioria das pessoas ainda não percebeu."
HEADLINES
World Big News
Irã ameaça a Nvidia, a Apple e outras gigantes da tecnologia com ataques (CNBC)
Donald Trump, disse que estava considerando seriamente se retirar da OTAN, chamando a aliança militar de "tigre de papel" por sua recusa em apoiar sua guerra contra o Irã (Semafor)
Juízes da Suprema Corte se mostram céticos em relação à ordem de Trump de restringir a cidadania por nascimento (Reuters)
Trump: EUA vão bombardear o Irã "de volta à Idade da Pedra" nas próximas 2 a 3 semanas (Axios)
Governo, Tesouro, BC e Brasília
Planalto oficializa ao Senado indicação de Messias ao STF (CNN Brasil)
Gasto público acelera ao maior nível em 16 anos e aumenta necessidade de emissão de dívida pelo governo (Investing)
80% dos estados sinalizaram aceitar subvenção ao diesel, diz Comsefaz (CNN Brasil)
Quem é André de Paula, novo ministro da Agricultura (Globo Rural)
Economia Real, Agro e Commodities
Fertilizantes caros mudam safra dos EUA e acendem alerta no campo brasileiro (Forbes)
Petrobras estuda fazer Brasil autossuficiente em diesel em até 5 anos (Agência Brasil)
De volta às origens, Marisa baixa preços como receita para crescer com a moda popular (InvestNews)
Cade abre inquérito para investigar 99Food por conduta abusiva (Startups)
Faria Lima, Wall Street, Euro, Ásia
Raízen apresentou aos credores detalhes de seu plano para reestruturar US$ 12,6 bilhões em dívida, que inclui um período de carência de pelo menos cinco anos e prevê que eles assumam uma participação acionária relevante (Bloomberg Línea)
Mattos Filho fez uma receita líquida de R$ 1,39 bilhão no ano passado, um crescimento de 8,9% ano contra ano, puxado pela área de contencioso e pela retomada dos M&As (Brazil Journal)
B3 entra no mercado de previsão e avalia permitir apostas em eleições (Bloomberg Línea)
Ações da LVMH têm pior início de ano da história com crise no luxo e guerra no Irã (Bloomberg Línea)
Warren Buffett não está comprando nada nessa Bolsa (Brazil Journal)
Tech, Silicon Valley, Startups, VC, Criptos
IPO, M&A, Private Equity e Special Sits
Basf conclui compra da AgBiTech e avança no mercado de biológicos (AG Feed)
SpaceX faz pedido confidencial de IPO e avança para maior listagem de todos os tempos (Bloomberg Línea)
Estée Lauder e Puig avançam nas negociações para um acordo baseado em ações (Reuters)
A rede de cafeterias Blank Street busca um novo aporte de US$ 100 milhões (Retail Systems)
GRÁFICO DO DIA

AGENDA
Segunda 30/03: IGP-M
Terça 31/03: Índice de Evolução de Emprego do CAGED; PIB Reino Unido
Quarta 01/04: PMI Industrial (EUA)
Quinta 02/04: Produção Industrial (BRA); Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego (EUA)
Sexta 03/04: Sexta-Feira Santa (Feriado)
MEMES SESSION
Fica a dica para Faria Lima, não precisa ser 1° de Abril…

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