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Crescimento sem alívio: os números do Brasil
O PIB do Brasil cresceu 2,3% em 2025. Na foto, o país até parece bem.

Good morning, Brasil.
O Ibovespa derreteu 3,28% ontem, voltando para 183.104,87 pontos, a maior queda em um dia desde o “Flávio Day”, em 5 de dezembro do ano passado. O dólar também voltou a disparar e subiu quase 2%. Os únicos ativos que "incrivelmente" subiram ontem no índice foram Raízen e Braskem.
Lá fora, os mercados também azedaram com a escalada do conflito. Ainda não se sabe qual será o desfecho, e os investidores correm para ativos mais seguros.
O Paper of the Day traz uma reflexão a partir do PIB que saiu ontem: como está o "Brasil real", e não apenas o Brasil dos números?
Aqui está o seu the news money de hoje.
QUICK TAKES
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🧊 Ice Breaker: A Qualcomm e líderes do setor fecharam um acordo para lançar o 6G comercialmente a partir de 2029 (Yahoo Finance)
PAPER OF THE DAY
Crescimento sem alívio: os números do Brasil
O PIB do Brasil cresceu 2,3% em 2025 e o desemprego está próximo do menor nível desde 2014. A bolsa chegou a subir mais de 22% em dólar e a moeda americana também estava em trajetória de queda (pelo menos até o início da guerra). Na foto, o país parece bem.
O problema é que foto não paga conta: o consumo das famílias, que representa mais de 60% do PIB, cresceu apenas 1,3% em 2025. Em 2024, esse crescimento foi de 5,1%.
A desaceleração é reflexo direto do aperto monetário. Com a Selic estacionada em 15%, o Brasil se mantém praticamente no topo do ranking global de juros reais. Na prática, o crédito segue caro, o endividamento aumenta e uma fatia cada vez maior da renda das famílias é engolida pelo pagamento de dívidas antigas.

Imagem: Getty Images
Quase 80% das famílias brasileiras estavam endividadas no início de 2026, contra 76% um ano antes. Os juros médios para as famílias chegaram a cerca de 60,1% ao ano em 2025, com o crédito pessoal não consignado em torno de 110% e o cartão parcelado acima de 180%. No rotativo, a conta é ainda mais brutal, com taxas superando os 400% anuais. Hoje, praticamente 30% da renda das famílias já está comprometida apenas com o pagamento de dívidas.
A inflação até melhorou no papel. O IPCA voltou a ficar abaixo do teto da meta depois de mais de um ano acima. Mas, como apontam economistas do FGV IBRE, o alívio veio concentrado em poucos grupos, como alimentos e bens duráveis, enquanto serviços e preços monitorados continuaram resistentes. A inflação caiu nos números, mas não pareceu baixa no supermercado nem na conta de luz.
O crescimento de 2025 foi puxado por setores menos sensíveis aos juros: agropecuária (+11,7%), extração de petróleo e serviços financeiros. São atividades vitais, mas que não geram o tipo de calor econômico que o trabalhador urbano sente. A indústria de transformação patinou e fechou o ano praticamente estagnada, com alguns segmentos no negativo.
O ambiente também pesou sobre as empresas. O Brasil registrou 7,2 milhões de negócios inadimplentes em 2025 (31% do total de empresas ativas no país), somando R$ 141,6 bilhões em dívidas em aberto só entre micro e pequenas. Os pedidos de recuperação judicial bateram recorde histórico em 2024 (alta de 61,8%) e a tendência continuou em 2025. Juros altos, crédito caro e consumo em desaceleração formam uma combinação fatal para quem precisa de capital de giro para sobreviver.
Takeaway: nos números do governo, o Brasil de 2025 sai “até bonito”. Na prática, famílias endividadas, empresas quebrando e juros no maior nível em duas décadas contam uma história diferente. A questão é se um próximo governo vai querer (e conseguir) endereçar os problemas estruturais que esses números escondem.
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Segunda 02/03: PMI Industrial (EUA)
Terça 03/03: PIB do Brasil; PMI Industrial (CNY)
Quarta 04/03: PMI Serviços (EUA); PMI Não-Manufatura (EUA)
Quinta 05/03: Taxa de Desemprego (BRA); Balança Comercial (BRA); Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego (EUA)
Sexta 06/03: Produção Industrial (BRA); Vendas no Varejo (EUA); Taxa de Desemprego (EUA)
MEMES SESSION


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