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Dólar abaixo de R$5: a hora do Real
Pela primeira vez em mais de dois anos, o dólar comercial voltou a ser negociado abaixo da “barreira psicológica” dos R$5,00.

Good morning, Brasil.
O Ibovespa segue em sua escalada histórica e superou os 198 mil pontos pela primeira vez, um movimento impulsionado principalmente pela Vale. No câmbio, um marco simbólico: o dólar voltou a fechar abaixo de R$ 5,00 pela primeira vez em dois anos. Talvez nem os mais otimistas acreditavam nesses números para o Brasil neste momento.
Lá fora, o clima é de cautela. O mercado global permanece em compasso de espera, monitorando as negociações no Oriente Médio e o impacto do bloqueio no Estreito de Ormuz sobre a cadeia de suprimentos.
O Paper of the Day mergulha justamente no fenômeno cambial: por que o dólar segue em queda por aqui, mesmo com o mundo mergulhado em incertezas e conflitos? Analisamos os fundamentos que estão sustentando o Real frente ao "caos" global.
Aqui está o seu the news money de hoje.
QUICK TAKES
📎 Read: Inflação de alimentos volta a assombrar consumidor e pressiona Lula antes das eleições (Bloomberg Línea)
▶️ Watch: Churrasco, mula e futuro de Brasil com um possível presidente | RONALDO CAIADO (the news)
#️⃣ Stat: Guerra no Oriente Médio faz exportações brasileiras ao Golfo caírem 31% em março (Times Brasil)
🧊 Ice Breaker: Mythos, a AI perigosa demais para ser lançada (Brazil Journal)
DICA
Para uma experiência completa e sem cortes, clique na versão online no canto superior direito.
POR QUE O MERCADO SE MOVEU:
(+) BRKM5 +7,35% — Guerra no Oriente Médio pressiona spreads petroquímicos para cima; projeções apontam alta de quase 50% nos spreads do 2T26 contra o 1T.
(+) MBRF3 +5,90% — Arábia Saudita anunciou dobrar as compras de frango e adicionar carne bovina ao contrato com a empresa; ação liderou os ganhos do setor no dia.
(+) VAMO3 +3,78% — BNDESPar aprovou aporte de capital em Simpar, Vamos, Movida e JSL; mercado leu como reforço de caixa e suporte institucional ao grupo.
(-) USIM5 -2,50% — BofA rebaixou de compra para neutro e Safra de neutro para venda; ambos citaram pressão de custos de carvão e placas e geração de caixa fraca no ciclo atual.
CENTRAL DE RESULTADOS:
Goldman Sachs (GS): Lucro de US$ 17,55/ação vs. estimativa de US$ 16,49. Receita de US$ 17,23 bi, segunda maior da história da empresa. Mesa de equities bateu recorde: +27% a/a, puxada por prime brokerage e cash equities. FICC decepcionou, -10% a/a. Ação caiu quase 2% no pregão mesmo com resultado acima do consenso.
PAPER OF THE DAY
Dólar abaixo de R$5: quando tudo se alinha a favor do real
Pela primeira vez em mais de dois anos, o dólar comercial voltou a ser negociado abaixo da “barreira psicológica” dos R$5,00. A cotação em torno de R$4,99 registrada nesta segunda-feira (13/4) é o resultado de uma combinação de fatores se movendo na mesma direção.
O ponto de partida é o juro. Com a Selic em 14,75% ao ano e a inflação dentro da margem de tolerância do Banco Central, o Brasil opera com o segundo maior juro real do mundo: 9,51% ao ano, atrás apenas da Turquia. Para um gestor em Nova York ou em Frankfurt captando recursos a algo como 3,5% ao ano, aplicar em títulos públicos brasileiros é financeiramente atrativo independentemente de qualquer visão sobre a economia do país. Essa operação, chamada de carry trade, não exige acreditar muito no Brasil; basta acreditar na aritmética do diferencial de juros.
Mas o real não está forte apenas porque o Brasil atrai capital. Ele também está forte porque o dólar está ficando mais fraco.
Desde o fim de 2025, quando Trump retornou à Casa Branca, o índice DXY perdeu força de forma consistente. As razões são tanto políticas quanto econômicas: tarifas agressivas que geraram incerteza no comércio global, pressões públicas sobre a independência do Federal Reserve e a deterioração fiscal americana.

Valorização do real frente ao dólar — Gráfico: Bloomberg
O terceiro elemento é o mais paradoxal. As tensões no Oriente Médio, que normalmente afugentam capital de emergentes, funcionam ao contrário para o Brasil. O país é exportador líquido de petróleo, soja, minério e carnes. Conflitos que elevam os preços internacionais desses produtos aumentam, em dólar, o valor das exportações brasileiras e trazem mais moeda estrangeira para o país, apreciando o real — mesmo que, na ponta do produtor, margens sigam pressionadas por custos de insumos e clima.
Outro fator é a rotação para emergentes: gestores internacionais estão diversificando portfólios para fora dos EUA, saindo de uma concentração excessiva em tecnologia e IA em busca de mercados com valuations mais descontados. O Brasil se encaixou nesse perfil depois da correção de 2024. Apenas em janeiro de 2026, os investidores estrangeiros injetaram R$26,3 bilhões na B3, segundo dados da própria bolsa, superando todo o fluxo registrado ao longo de 2025.
A balança comercial também confirma essa lógica. As exportações cresceram 7,1% no primeiro trimestre, gerando um superávit de US$14,2 bilhões. O agronegócio sozinho exportou US$12,05 bilhões em fevereiro, o melhor resultado histórico para o mês.
O risco existe e precisa ser nomeado: o capital que chegou é volátil por natureza. Uma mudança de postura do Fed, uma ruptura nas negociações com o Irã ou a aproximação de um ciclo eleitoral mais complexo podem inverter rapidamente o fluxo.
De curiosidade, o economista Robin Brooks estimou que o valor justo do real pelos fundamentos macro estaria próximo de R$4,50, o que sugere que ainda teria espaço para apreciação.
Mas por ora, o Brasil está no “lugar certo”: com juro alto, commodities valorizadas e um dólar globalmente em xeque. Raramente esses três fatores se alinham ao mesmo tempo.
HEADLINES
World Big News
Governo, Tesouro, BC e Brasília
Delação de Vorcaro pode prever devolução de R$ 40 bi em 10 anos (Valor)
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Zema diz que levará pré-candidatura até o fim e que tem "plano de mudanças (CNN Brasil)
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Economia Real, Agro e Commodities
Oncoclínicas pede proteção da Justiça contra credores (InvestNews)
Arábia Saudita vai dobrar o volume de frango que compra da MBRF e passar a comprar também carne bovina (Brazil Journal)
Financiamento de veículos cresce 12,8% no trimestre (Agência Brasil)
Criada em 2013 a partir de um spin-off da Abbott Laboratories, a farmacêutica americana AbbVie vai investir R$ 430 milhões no Brasil (NeoFeed)
Faria Lima, Wall Street, Euro, Ásia
Gestoras assumem participação nas empresas em crise. Conversão de dívidas em ações tem se tornado comum em processos que envolvem renegociação de dívidas (Valor)
GPA fracassa em tentativa de bloquear ações do Casino em disputa tributária de R$ 2,6 bilhões (InvestNews)
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As vendas da LVMH ficaram abaixo das expectativas, e a recuperação do mercado de luxo foi interrompida em meio à guerra no Oriente Médio (CNBC)
Tech, Silicon Valley, Startups, VC, Criptos
A Slate Auto, startup de veículos elétricos apoiada por Jeff Bezos, captou mais US$ 650 milhões para financiar seus planos de caminhões elétricos acessíveis (TechCrunch)
Segundo a Bloomberg, a Apple planeja vender seus primeiros óculos inteligentes em 2027, com um possível lançamento no final deste ano (TechCrunch)
A casa de Sam Altman foi alvo de um segundo ataque; dois suspeitos foram presos (The San Francisco Standard)
IPO, M&A, Private Equity e Special Sits
Vinci Compass iniciou a captação de seu quinto fundo na estratégia de impacto social e quer levantar até R$ 1,2 bilhão (Pipeline Valor)
Editora Abril firma acordo com Editora Globo para venda da CASACOR (Veja)
Pershing Square inicia roadshow para duplo IPO nos EUA (Investing)
GRÁFICO DO DIA
AGENDA
Segunda 13/04: —
Terça 14/04: Crescimento do Setor de Serviços (BRA)
Quarta 15/04: Vendas no Varejo (BRA); PIB da China
Quinta 16/04: IBC-Br; PIB do Reino Unido
Sexta 17/04: —
MEMES SESSION


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