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Dólar abaixo de R$5: a hora do Real

Pela primeira vez em mais de dois anos, o dólar comercial voltou a ser negociado abaixo da “barreira psicológica” dos R$5,00.

Good morning, Brasil.

O Ibovespa segue em sua escalada histórica e superou os 198 mil pontos pela primeira vez, um movimento impulsionado principalmente pela Vale. No câmbio, um marco simbólico: o dólar voltou a fechar abaixo de R$ 5,00 pela primeira vez em dois anos. Talvez nem os mais otimistas acreditavam nesses números para o Brasil neste momento.

Lá fora, o clima é de cautela. O mercado global permanece em compasso de espera, monitorando as negociações no Oriente Médio e o impacto do bloqueio no Estreito de Ormuz sobre a cadeia de suprimentos.

O Paper of the Day mergulha justamente no fenômeno cambial: por que o dólar segue em queda por aqui, mesmo com o mundo mergulhado em incertezas e conflitos? Analisamos os fundamentos que estão sustentando o Real frente ao "caos" global.

Aqui está o seu the news money de hoje.

QUICK TAKES

📎 Read: Inflação de alimentos volta a assombrar consumidor e pressiona Lula antes das eleições (Bloomberg Línea)

▶️ Watch: Churrasco, mula e futuro de Brasil com um possível presidente | RONALDO CAIADO (the news)

#️⃣ Stat: Guerra no Oriente Médio faz exportações brasileiras ao Golfo caírem 31% em março (Times Brasil)

🧊 Ice Breaker: Mythos, a AI perigosa demais para ser lançada (Brazil Journal)

DICA

Para uma experiência completa e sem cortes, clique na versão online no canto superior direito.

MERCADOS

Fechamento 13/04/2026 – (20:00)

AtivoFechamento1 diaYTD
Índices
Ibovespa198.000,70+0,34%+23,34%
IFIX3.903,40-0,19%+3,29%
S&P 5006.886,24+1,02%+0,60%
NASDAQ23.183,74+1,23%-0,25%
DAX23.742,44-0,26%-3,25%
FTSE 10010.582,96-0,17%+6,35%
Nikkei 22556.502,77-0,74%+9,01%
Shanghai3.988,56+0,05%-0,87%
Moedas
DólarR$ 4,99-0,20%-7,93%
EuroR$ 5,87+0,17%-7,56%
LibraR$ 6,74+0,05%-7,54%
BitcoinU$ 74.242,40+1,64%-17,66%
Commodities
Brent (Barril)U$ 97,44+3,17%+59,79%
Minério de Ferro (Ton)U$ 107,05+0,39%-0,07%
Ouro (Onça troy)U$ 4.755,88+0,09%+9,29%
Soja (60kg)R$ 126,70+0,09%-10,15%
Milho (saca 60kg)R$ 68,78-0,42%-1,04%
Café Arábica (saca 60kg)R$ 1.821,25+0,37%-16,25%
Maiores altas
BRKM5
+7,35%
R$ 10,08
MBRF3
+5,90%
R$ 21,00
VAMO3
+3,78%
R$ 4,12
AZZA3
+3,51%
R$ 21,53
EGIE3
+3,27%
R$ 37,24
Maiores baixas
CSMG3
-3,64%
R$ 56,84
RECV3
-3,15%
R$ 13,85
TIMS3
-2,79%
R$ 27,18
VIVT3
-2,54%
R$ 41,85
USIM5
-2,50%
R$ 7,03

POR QUE O MERCADO SE MOVEU:

  • (+) BRKM5 +7,35% — Guerra no Oriente Médio pressiona spreads petroquímicos para cima; projeções apontam alta de quase 50% nos spreads do 2T26 contra o 1T.

  • (+) MBRF3 +5,90% — Arábia Saudita anunciou dobrar as compras de frango e adicionar carne bovina ao contrato com a empresa; ação liderou os ganhos do setor no dia.

  • (+) VAMO3 +3,78% — BNDESPar aprovou aporte de capital em Simpar, Vamos, Movida e JSL; mercado leu como reforço de caixa e suporte institucional ao grupo.

  • (-) USIM5 -2,50% — BofA rebaixou de compra para neutro e Safra de neutro para venda; ambos citaram pressão de custos de carvão e placas e geração de caixa fraca no ciclo atual.

CENTRAL DE RESULTADOS:

  • Goldman Sachs (GS): Lucro de US$ 17,55/ação vs. estimativa de US$ 16,49. Receita de US$ 17,23 bi, segunda maior da história da empresa. Mesa de equities bateu recorde: +27% a/a, puxada por prime brokerage e cash equities. FICC decepcionou, -10% a/a. Ação caiu quase 2% no pregão mesmo com resultado acima do consenso.

PAPER OF THE DAY

Dólar abaixo de R$5: quando tudo se alinha a favor do real

Pela primeira vez em mais de dois anos, o dólar comercial voltou a ser negociado abaixo da “barreira psicológica” dos R$5,00. A cotação em torno de R$4,99 registrada nesta segunda-feira (13/4) é o resultado de uma combinação de fatores se movendo na mesma direção.

O ponto de partida é o juro. Com a Selic em 14,75% ao ano e a inflação dentro da margem de tolerância do Banco Central, o Brasil opera com o segundo maior juro real do mundo: 9,51% ao ano, atrás apenas da Turquia. Para um gestor em Nova York ou em Frankfurt captando recursos a algo como 3,5% ao ano, aplicar em títulos públicos brasileiros é financeiramente atrativo independentemente de qualquer visão sobre a economia do país. Essa operação, chamada de carry trade, não exige acreditar muito no Brasil; basta acreditar na aritmética do diferencial de juros.

Mas o real não está forte apenas porque o Brasil atrai capital. Ele também está forte porque o dólar está ficando mais fraco.

Desde o fim de 2025, quando Trump retornou à Casa Branca, o índice DXY perdeu força de forma consistente. As razões são tanto políticas quanto econômicas: tarifas agressivas que geraram incerteza no comércio global, pressões públicas sobre a independência do Federal Reserve e a deterioração fiscal americana.

Valorização do real frente ao dólar — Gráfico: Bloomberg

O terceiro elemento é o mais paradoxal. As tensões no Oriente Médio, que normalmente afugentam capital de emergentes, funcionam ao contrário para o Brasil. O país é exportador líquido de petróleo, soja, minério e carnes. Conflitos que elevam os preços internacionais desses produtos aumentam, em dólar, o valor das exportações brasileiras e trazem mais moeda estrangeira para o país, apreciando o real — mesmo que, na ponta do produtor, margens sigam pressionadas por custos de insumos e clima.

Outro fator é a rotação para emergentes: gestores internacionais estão diversificando portfólios para fora dos EUA, saindo de uma concentração excessiva em tecnologia e IA em busca de mercados com valuations mais descontados. O Brasil se encaixou nesse perfil depois da correção de 2024. Apenas em janeiro de 2026, os investidores estrangeiros injetaram R$26,3 bilhões na B3, segundo dados da própria bolsa, superando todo o fluxo registrado ao longo de 2025.

A balança comercial também confirma essa lógica. As exportações cresceram 7,1% no primeiro trimestre, gerando um superávit de US$14,2 bilhões. O agronegócio sozinho exportou US$12,05 bilhões em fevereiro, o melhor resultado histórico para o mês.

O risco existe e precisa ser nomeado: o capital que chegou é volátil por natureza. Uma mudança de postura do Fed, uma ruptura nas negociações com o Irã ou a aproximação de um ciclo eleitoral mais complexo podem inverter rapidamente o fluxo.

De curiosidade, o economista Robin Brooks estimou que o valor justo do real pelos fundamentos macro estaria próximo de R$4,50, o que sugere que ainda teria espaço para apreciação.

Mas por ora, o Brasil está no “lugar certo”: com juro alto, commodities valorizadas e um dólar globalmente em xeque. Raramente esses três fatores se alinham ao mesmo tempo.

HEADLINES

World Big News

  • EUA e Irã deixam a porta aberta para o diálogo após tensas conversas em Islamabad (Reuters)

  • Papa afirma que continuará a se manifestar contra a guerra após ataque de Trump (Reuters)

  • Peruanos ainda votam um dia após eleição tumultuada e com 2º turno indefinido (Folha)

Governo, Tesouro, BC e Brasília

  • Delação de Vorcaro pode prever devolução de R$ 40 bi em 10 anos (Valor)

  • O presidente do INSS, Gilberto Waller, foi demitido nesta segunda-feira. A servidora de carreira Ana Cristina Viana Silveira assume o comando do órgão (CNN Brasil)

  • Zema diz que levará pré-candidatura até o fim e que tem "plano de mudanças (CNN Brasil)

  • ICE prende ex-deputado Alexandre Ramagem nos EUA (Itatiaia)

Economia Real, Agro e Commodities

  • Oncoclínicas pede proteção da Justiça contra credores (InvestNews)

  • Arábia Saudita vai dobrar o volume de frango que compra da MBRF e passar a comprar também carne bovina (Brazil Journal)

  • Financiamento de veículos cresce 12,8% no trimestre (Agência Brasil)

  • Criada em 2013 a partir de um spin-off da Abbott Laboratories, a farmacêutica americana AbbVie vai investir R$ 430 milhões no Brasil (NeoFeed)

Faria Lima, Wall Street, Euro, Ásia

  • Gestoras assumem participação nas empresas em crise. Conversão de dívidas em ações tem se tornado comum em processos que envolvem renegociação de dívidas (Valor)

  • GPA fracassa em tentativa de bloquear ações do Casino em disputa tributária de R$ 2,6 bilhões (InvestNews)

  • Aegea deixa IPO para 2027 após revisão de balanços e tenta reconstruir confiança (InvestNews)

  • As vendas da LVMH ficaram abaixo das expectativas, e a recuperação do mercado de luxo foi interrompida em meio à guerra no Oriente Médio (CNBC)

Tech, Silicon Valley, Startups, VC, Criptos

  • A Slate Auto, startup de veículos elétricos apoiada por Jeff Bezos, captou mais US$ 650 milhões para financiar seus planos de caminhões elétricos acessíveis (TechCrunch)

  • Segundo a Bloomberg, a Apple planeja vender seus primeiros óculos inteligentes em 2027, com um possível lançamento no final deste ano (TechCrunch)

  • A casa de Sam Altman foi alvo de um segundo ataque; dois suspeitos foram presos (The San Francisco Standard)

IPO, M&A, Private Equity e Special Sits

  • Vinci Compass iniciou a captação de seu quinto fundo na estratégia de impacto social e quer levantar até R$ 1,2 bilhão (Pipeline Valor)

  • Editora Abril firma acordo com Editora Globo para venda da CASACOR (Veja)

  • Pershing Square inicia roadshow para duplo IPO nos EUA (Investing)

GRÁFICO DO DIA

AGENDA

Segunda 13/04:

Terça 14/04: Crescimento do Setor de Serviços (BRA)

Quarta 15/04: Vendas no Varejo (BRA); PIB da China

Quinta 16/04: IBC-Br; PIB do Reino Unido

Sexta 17/04:

MEMES SESSION

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