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Existe um Brasil imune à crise?
Enquanto o Brasil convive com juros de 14% ao ano, mais de 2 mil pedidos de recuperação judicial e uma moeda pressionada, existe um setor que parece não sentir tudo isso.

Good morning, Brasil.
Que isso, meus amigos. O Ibovespa enfrentou um forte sell-off no pregão de ontem, refletindo a crescente preocupação com o ritmo da atividade econômica no país e a perspectiva de manutenção dos juros em níveis elevados por mais tempo.
Para completar, o JPMorgan cortou a recomendação do Brasil para "neutra" em seu portfólio de ações na América Latina. Entre os principais argumentos, a instituição projeta o fim próximo do ciclo de afrouxamento monetário por aqui com apenas mais um corte previsto para setembro, seguido depois por "uma longa pausa".
No Paper of the Day, o olhar se volta para um setor que, na contramão de boa parte da economia brasileira, não para de acelerar e ganha cada vez mais espaço: a aviação privada.
Aqui está o seu the news money de hoje.
QUICK TAKES
📎 Read: Um recomeço para os fundos multimercado? Ou, apenas o fim? (Felipe Miranda)
▶️ Watch: As famílias que governam o Brasil (Spotniks)
#️⃣ Stat: IPCA: inflação sobe 0,07% em julho, um pouco acima do esperado pelo mercado (InfoMoney)
🧊 Ice Breaker: De faxineiros a executivos: como um hedge fund de US$ 35 bi deixou TODOS os seus funcionários milionários (Fortune)

| Ativo | Fechamento | 1 dia | YTD |
|---|---|---|---|
| Índices | |||
| Ibovespa | 167.874,64 | -2,50% | +4,19% |
| IFIX | 3.721,88 | -0,55% | -1,51% |
| S&P 500 | 7.728,20 | -0,32% | +12,89% |
| NASDAQ | 26.445,45 | -0,60% | +13,78% |
| DAX | 26.391,42 | +0,26% | +7,76% |
| FTSE 100 | 10.844,19 | -0,17% | +9,19% |
| Nikkei 225 | 66.970,22 | +2,08% | +33,04% |
| Shanghai | 3.934,09 | -0,82% | -0,88% |
| Moedas | |||
| Dólar | R$ 5,16 | +1,18% | -4,80% |
| Euro | R$ 5,97 | +1,36% | -5,98% |
| Libra | R$ 6,96 | +1,02% | -4,53% |
| Bitcoin | U$ 63.680,00 | -0,43% | -29,38% |
| Commodities | |||
| Brent (Barril) | U$ 88,98 | +1,44% | +45,92% |
| Minério de Ferro (Ton) | U$ 95,08 | -0,56% | -11,25% |
| Ouro (Onça troy) | U$ 4.370,26 | -0,47% | +0,42% |
| Soja (60kg) | R$ 144,89 | -0,05% | +2,75% |
| Milho (saca 60kg) | R$ 65,65 | +0,03% | -5,84% |
| Café Arábica (saca 60kg) | R$ 1.762,44 | +0,70% | -18,96% |
Temporada de Resultados:
BTG Pactual (BPAC11) teve lucro líquido ajustado recorde de R$ 5,1 bilhões no 2T26 (+22,6% a/a), acima das projeções do mercado, puxado pelo crédito corporativo, com ROAE de 26,7% (NeoFeed)
B3 (B3SA3) teve lucro líquido recorrente de R$ 1,4 bilhão no 2T26 (+8% a/a), em linha com o esperado, com destaque para o primeiro IPO em cinco anos e volumes recordes em BDRs e fundos listados (InfoMoney)
Direcional (DIRR3) lucrou R$ 202 milhões no 2T26 (+9,7% a/a), abaixo do esperado pelo mercado, e aprovou novo programa de recompra de até 32 milhões de ações (InfoMoney)
Vamos (VAMO3) teve lucro líquido ajustado de R$ 101,1 milhões no 2T26 (+21,8% a/a), primeiro balanço sob a nova diretoria, com taxa de ocupação da frota na máxima desde 2020 e alavancagem já na meta de dezembro (InfoMoney)
PAPER OF THE DAY
Quem disse que o Brasil não vai bem?
Enquanto o Brasil convive com juros de 14% ao ano, milhares de pedidos de recuperação judicial e uma economia pressionada, existe um setor que parece não sentir tudo isso. A aviação executiva colocou o Brasil na segunda posição do ranking mundial de frotas, atrás só dos Estados Unidos, num momento em que boa parte da economia luta para sair do lugar.
Embora distante do cotidiano da maioria das pessoas, o setor movimenta bilhões, gera milhares de empregos e consolidou o Brasil como referência em um mercado altamente exclusivo.
O vigor do setor ficou evidente na 21ª Labace, a maior feira de aviação de negócios da América Latina. Realizado em agosto no Campo de Marte, o evento expôs 55 aeronaves e estimou movimentar US$ 200 milhões, superando com folga os US$ 150 milhões de 2025. Esses números traduzem a força de uma frota que alcançou 11.362 unidades operacionais em maio, acumulando alta de 8,5% em um ano e 20,1% nos últimos quatro.

Imagem: Divulgação
Dentro desse ecossistema, os jatos executivos lideram o ritmo de expansão: saltaram de 906 unidades em maio de 2024 para 1.193 em maio de 2026 — uma alta de 31,7% em apenas dois anos. O avanço elevou a fatia do segmento para 10,5% de toda a frota de negócios nacional e consolidou a vice-liderança global do país no setor, atrás apenas dos Estados Unidos.
A explicação para esse descolamento é estrutural. O que faz o Brasil superar países mais ricos per capita, como Alemanha, Reino Unido e China, na propriedade de jatos é a combinação de dimensões continentais com uma malha aérea comercial concentrada nas capitais — cenário que deixa fazendas e operações do interior dependentes da aviação executiva. O agronegócio, que hoje responde por 27% do PIB, é apontado como um dos principais combustíveis desse crescimento.
Ao redor dessa frota, consolidou-se um próspero ecossistema de negócios. O Aeroporto Catarina, por exemplo, um dos poucos privados do país, cobra por cada etapa de uso das aeronaves e já iniciou sua sexta expansão para atender à fila de espera por hangares.
Além disso, manter um jato particular pode custar de cerca de R$ 100 mil a mais de R$ 400 mil por mês, a depender do porte da aeronave, da base de operação e das horas voadas. Essa conta ajuda a explicar o avanço da propriedade compartilhada, modelo em que empresas oferecem estruturas para o cliente comprar uma fração da aeronave e arcar com uma mensalidade fixa, além de um valor por hora voada. O formato reduz o desembolso inicial e dilui custos em relação à propriedade integral, embora as cotas de jatos possam exigir investimentos de centenas de milhares ou milhões de reais.
A Embraer também captura parte relevante dessa demanda: sua divisão de aviação executiva já responde por 30% do faturamento da companhia, com meta de entregar até 170 jatos em 2026.
No fim, a aviação executiva funciona quase como um espelho invertido da economia brasileira. Enquanto boa parte do país tenta superar anos de juros altos e instabilidade, uma elite restrita de empresários e famílias compra aviões num ritmo sem paralelos na América Latina.
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GRÁFICO DO DIA


AGENDA
Segunda 10/08: —
Terça 11/08: IPCA; Ata do Copom
Quarta 12/08: Crescimento Setor de Serviços (BRA); IPC (EUA)
Quinta 13/08: Vendas no Varejo (BRA); PIB Reino Unido
Sexta 14/08: Vendas no Varejo (EUA)
MEMES SESSION


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