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💸Ibovespa aos 200 mil pontos: loucura ou já é realidade?
O Ibovespa fechou ontem (27) em 181.919,13 pontos, renovando a máxima histórica e consolidando um rali que já acumula 13,32% no ano. O número surpreende até os mais otimistas, mas já há quem fale em festa dos 200k.

Good morning, Brasil.
Chegou a primeira "Super Quarta" do ano, com decisões de política monetária no Brasil e nos EUA. Por aqui, a expectativa é de manutenção da Selic em 15%, mas o mercado busca sinais no comunicado do Copom, especialmente após o IPCA-15 vir abaixo do esperado.
Nos EUA, o foco se divide com a temporada de balanços: Microsoft, Meta e Tesla divulgam seus números hoje, testando o humor de Wall Street.
Na política, o tabuleiro de 2026 se mexe. O governador Ronaldo Caiado filiou-se ao PSD e, em vídeo ao lado de Ratinho Jr. e Eduardo Leite, comunicou que o candidato do grupo à presidência será escolhido entre eles.
Aqui está o seu THE PAPER de hoje.
QUICK TAKES
📎 Read: Will Bank encerra a era do “café com leite” para as fintechs (Startups)
▶️ Watch: Onde a Genoa Capital está investindo no Brasil? (NeoFeed)
#️⃣ Stat: IPCA-15 foi de 0,20% em janeiro (Agência IBGE)
🧊 Ice Breaker: O que faz um imóvel em São Paulo custar R$ 120 Mil por metro quadrado (Forbes)
ANTES DO SINO

Fechamento 27/01/2026 — (19:00)
PAPER OF THE DAY
Ibovespa aos 200 mil pontos: loucura ou já é realidade?
O Ibovespa fechou ontem (27) em 181.919,13 pontos, renovando a máxima histórica e consolidando um rali que já acumula 13,32% no ano. O número surpreende até os mais otimistas — afinal, há exatamente um ano, o investidor local estava sem muitas esperanças no país e praticamente “jogando a toalha”. Agora, os 200 mil pontos deixaram de ser “um sonho distante” para se tornarem uma possibilidade concreta.
Casas como Morgan Stanley já projetam esse nível para ainda este ano. Enquanto isso, XP e Itaú BBA estimam 185 mil, Safra aposta em 198 mil e BTG vê potencial de 220 mil no cenário otimista.
Mas, para entender a dinâmica atual, vamos dissecar os principais vetores desse movimento:
Um breve parêntese: Cerca de seis anos atrás, o mercado celebrava a famosa “Festa dos 100k”. Naqueles anos de 2019/20, o sentimento era de muito mais euforia entre os investidores se comparado aos dias de hoje.
O dinheiro gringo: Pouco para eles, muito para nós
O fluxo estrangeiro na B3 em janeiro já alcançou R$ 17,7 bilhões até o dia 23, isso é mais da metade de todo o capital externo que entrou em 2025 — que somou R$ 25,5 bilhões. Para dimensionar a virada: em 2024, o Brasil registrou uma saída líquida, ou seja saldo negativo, de R$ 32 bilhões.
Só no dia 21 de janeiro, registrou-se entrada recorde de R$ 3,58 bilhões em uma única sessão — o maior fluxo diário desde outubro de 2022.
Hoje, os estrangeiros respondem por 59% das negociações na B3, enquanto a pessoa física representa apenas 11,2%.
Mas por que esse dinheiro tem impacto tão desproporcional?
A resposta é simples: tamanho da bolsa. O valor de mercado total da B3 é de aproximadamente US$ 1 trilhão. A NYSE e a Nasdaq juntas somam mais de US$ 60 trilhões em capitalização.
Fazendo uma comparação hipotética, se apenas 1% do valor das bolsas americanas migrasse para o Brasil, a bolsa brasileira subiria simplesmente mais de 60% e o Ibovespa chegaria perto dos 300 mil pontos.
Mais um stat que prova essa desproporção: os R$ 17,7 bilhões que já entraram em janeiro equivalem a cerca de US$ 3,3 bilhões. É uma fração ínfima do mercado global e aproximadamente 0,08% do valor de mercado da Apple.
O Brasil não está sozinho no contexto global
O rali dos últimos meses é parte de um movimento mais amplo de rotação global para mercados emergentes — especialmente na América Latina.
Em 2025, o Ibovespa fechou com valorização de 34% em reais e 49,48% em dólar, consolidando o Brasil como o terceiro mercado que mais se valorizou globalmente.
No acumulado de 2026 até o momento, a liderança de latino-americanos se mantém. Peru (EPU) com +25,99%; Colômbia (COLO) + 23,50%; Coréia do Sul (EWY) +20,04%; Brasil (EWZ) +17,67%; Chile (ECH) +17,34%.

Gráfico: Valor
As consequências do movimento “Sell America”
O termo "Sell America" voltou a circular em janeiro como a descrição técnica de um movimento tático: investidores institucionais reduziram exposição aos EUA de 70% para 65% e realocaram em emergentes.
Razões estruturais:
Valuations esticados nos EUA: S&P 500 acumulou aproximadamente 90% entre 2023-2025, impulsionado pelas "Sete Magníficas". Por exemplo, Tesla ainda negocia a P/L de 285-300x, equivalente a centenas de anos de lucro.
Incertezas geopolíticas: Ameaças tarifárias de Trump reacenderam receios. Ray Dalio observou que o ouro batendo máximas históricas “não é normal”, e sim um sinal de "diversificação contínua e generalizada" para fora dos EUA.
Alocação emergente historicamente baixa: Apesar da alta recente, fundos globais ainda têm só 5,3% em emergentes vs. média de 10 anos de 6,7%. Há espaço para normalização.
E o que pode “acabar com a festa” no país?
Eleições 2026: Executivos brasileiros como André Esteves (BTG) e Flávio Souza (Itaú BBA) destacaram em Davos que investidores estrangeiros não veem as eleições de 2026 como fator decisivo. O investidor local, porém, é historicamente mais sensível a eventos políticos, o que pode gerar saídas pontuais da bolsa — ainda que em escala menor que o fluxo externo.
Questão fiscal: A sustentabilidade da dívida pública continua como um grande peso. Se o governo não demonstrar compromisso crível com ajuste, expectativas de inflação podem desancorar, forçando BC a manter juros altos por mais tempo.
Sustentabilidade do fluxo estrangeiro: Se não ocorrer nenhum evento negativo relevante no exterior e o Brasil iniciar o ciclo de queda de juros, existe um horizonte de mais valorização para a bolsa. Mas uma reversão abrupta — que pode ir de guerras a tarifas — poderia drenar rapidamente o capital estrangeiro do país.
TAKEAWAY: Mais até do que se vai ter a “festa dos 200k” neste ano ou não, o panorama escancara nossa dependência do investidor gringo em detrimento do local. Se o cenário virar, ficaremos à mercê do fluxo estrangeiro, correndo o risco de retornar ao “deserto” da Bolsa. Bom, o Ricardo Amorim está esperando desde 2009… Quem sabe dessa vez vai.
HEADLINES
World Big News
Trump afirmou que a situação com o Irã está "em constante mudança" porque ele enviou uma "grande armada" para a região, mas acredita que Teerã realmente deseja fechar um acordo (Axios)
Índia e União Europeia chegaram a um acordo histórico que reduzirá as tarifas sobre a maioria dos produtos, visando impulsionar o comércio bilateral e diminuir a dependência dos EUA (Reuters)
O risco-país da Argentina foi abaixo dos 500 pontos-base, menor em quase oito anos, um patamar no qual o governo poderia analisar o retorno aos mercados internacionais de crédito (Valor)
Governo, Tesouro, BC e Brasília
Justiça de SC suspende lei que proibia cotas em universidades estaduais até o julgamento definitivo da ação (CNN Brasil)
Fernando Haddad já tem desenhada a sucessão da pasta para quando deixar o cargo: Dario Durigan, atual secretário-executivo, deve assumir o comando do ministério (g1)
Servidores deixam IBGE após troca no comando de área responsável pelo PIB, a pouco mais de um mês da divulgação do indicador de 2025, e aprofundam embate interno com a atual gestão (InfoMoney)
Moraes nega encontro com ex-presidente do BRB na casa de Vorcaro, rebatendo reportagem que aponta ida do ministro à mansão do dono do Banco Master (Valor)
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, acaba de anunciar que se filiou ao PSD de Gilberto Kassab (Brazil Journal)
Economia Real, Agro e Commodities
Brasil exporta 1,5 milhão de toneladas de arroz (base casca) em 2025, com receita de US$ 457 milhões. Isso é um aumento de 13% em volume e redução de 18% em valor na comparação com 2024 (CNN Brasil)
Exportadores de café registraram perda de R$ 66,1 milhões em 2025 causada pela infraestrutura defasada nos principais portos brasileiros, ante R$ 51,5 milhões em 2024 (Globo Rural)
Coamo paga R$ 136 milhões ao Patria e assume 4 unidades arrendadas à Belagrícola (Dinheiro Rural)
Embraer e Adani Defence & Aerospace anunciam parceria para desenvolvimento da aviação regional na Índia (Embraer)
Vale supera Rio Tinto e volta a ser a maior produtora de minério de ferro do mundo (InvestNews)
Faria Lima, Wall Street, Euro, Ásia
BRB vai contratar empresa para recuperar ativos e compensar perdas com o Master, principalmente de compra de carteiras de crédito consignado fraudulentas (Folha)
O Bradesco planeja contratar 16 banqueiros em 2026 para tentar superar o Itaú BBA em operações de renda fixa local (Bloomberg Línea)
Volkswagen suspende planos de fábrica da Audi nos Estados Unidos com impacto de tarifas de Trump (InvestNews)
Michael Burry, um dos primeiros compradores da GameStop, voltou a promover as ações da empresa (Yahoo Finance)
Ações de seguradoras privadas nos EUA desabam após governo propor aumento médio de 0,09% nas taxas de pagamento do Medicare (Reuters)
Tech, Silicon Valley, Startups, Criptos, VC
Delfos, startup que usa IA para fazer análise preditiva de equipamentos utilizados no mercado de energia renovável, fechou uma rodada de investimento de € 3 milhões liderada pela Copel Ventures (Bloomberg Línea)
Meta testará assinaturas premium no Instagram, Facebook e WhatsApp (TechCrunch)
Greg Peters, co-CEO da Netflix, está no Brasil nesta semana para a inauguração da nova sede da plataforma em São Paulo e a celebração de 15 anos de operação no país (Forbes)
A empresa britânica de IA Synthesia levantou US$ 200 milhões a um valuation de US$ 4 bilhões, em rodada com participação da Nvidia e da Alphabet (Trading View)
NVIDIA investe US$ 2 bilhões na CoreWeave para acelerar a construção de mais de 5 gigawatts em “fábricas de IA” até 2030 (Nvidia)
IPO, M&A, Deals e Private Equity
A Apex Partners, uma plataforma de investimentos do Espírito Santo com R$ 17,5 bilhões em ativos, chegou a 14% do capital da CVC (Brazil Journal)
A Sabesp captou US$ 1,35 bilhão em títulos emitidos no exterior. A transação teve participação do braço de investimento privado do BID, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (Pipeline Valor)
O BTG acertou a compra das fazendas agrícolas do Grupo Handz, de empresário Washington Umberto Cinel, que também controla a empresa de segurança privada Gocil (IstoÉ Dinheiro)
CENTRAL DE RESULTADOS
Embraer: Número de pedidos cresceu 20% em 12 meses, mas renegociação de pedidos da Azul pesou sobre aviação comercial (InvestNews)
General Motors: Superou as expectativas de lucro e anunciou aumento de dividendos e programa de recompra de ações (CNBC)
Boeing: Registrou seu segundo trimestre consecutivo de fluxo de caixa livre positivo, com receita acima das estimativas (Sherwood)
American Airlines: Apresentou receita recorde de US$ 14 bilhões no quarto trimestre, apesar do impacto negativo de US$ 325 milhões devido à paralisação do governo (American Airlines)
Hoje: Microsoft, Meta, Tesla, AT&T, Starbucks (Veja mais)
GRÁFICO DO DIA
Continuando o assunto do paper of the day de ontem, Michael Burry publicou no X um compilado de gráficos que mostram a relevância do dinheiro japonês para o mundo. A descrição é: “Repatriação pendente”.
AGENDA
Segunda 26/01: Investimento Estrangeiro Direto (USD) (BRA)
Terça 27/01: IPCA-15 (BRA); Confiança do Consumidor (EUA)
Quarta 28/01: Taxa de Juros Selic (BRA); Taxa de Juros (EUA)
Quinta 29/01: Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego (EUA)
Sexta 30/01: IGP-M (BRA); Dívida Bruta/PIB (BRA); Taxa de Desemprego (BRA); IPP (EUA)
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THE PAPER // THAT'S ALL, FOLKS
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