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💸Mais um Forbes Under 30 na prisão
O caso mais recente é o de Gökçe Güven, de 26 anos. Fundadora da fintech Kalder e integrante da lista de 2025.

Good morning, Brasil.
Temporada de resultados aberta no Brasil. Hoje é dia de Itaú e Santander. Lá fora, o foco está em Alphabet (Google) e Uber.
O Ibovespa continua a subir e já supera a Selic acumulada no ano. Globalmente, a dança das cadeiras de CEOs chama a atenção, enquanto o mercado de M&As segue aquecido.
O Paper of the Day traz mais um caso recente de uma Forbes 30 Under 30 que pode pegar até 52 anos de prisão, relembrando o "Hall of Shame" da lista.
Aqui está o seu THE PAPER de hoje.
QUICK TAKES
📎 Read: Ata da Reunião do Copom - 276ª Reunião (Banco Central)
▶️ Watch: Depois do rally de janeiro da bolsa, agora vem a correção? (Market Makers)
#️⃣ Stat: Amex, Sefer, Augusto Cury e mais: veja lista dos maiores credores do grupo Fictor (IstoÉ Dinheiro)
🧊 Ice Breaker: Walmart se torna o primeiro varejista a atingir um valor de mercado de US$ 1 trilhão (BBC)
ANTES DO SINO

Fechamento 03/02/2026 — (19:00)
PAPER OF THE DAY
Mais um Forbes 30 Under 30 na prisão
A lista Forbes 30 Under 30 foi criada para identificar os próximos bilionários e grandes líderes empresariais. Hoje, porém, ela também serve cada vez mais como um alerta de perigo de fraudes e escândalos.
O caso mais recente é o de Gökçe Güven, de 26 anos. Fundadora da fintech Kalder e integrante da lista de 2025. Ela agora pode enfrentar até 52 anos de prisão por fraude de valores mobiliários, fraude eletrônica e fraude de visto.
De maneira geral, esse esquema revela o que acontece quando a pressão por crescimento rápido, status e dinheiro encontra uma imaginação sem limites.

Imagem: Forbes 30 under 30
O caso Kalder
Em abril de 2024, Güven captou US$ 7 milhões de investidores sustentando a narrativa de que sua plataforma já havia conquistado clientes de peso, como a Godiva e a Associação Internacional de Transporte Aéreo, com a receita crescendo de forma acelerada. A realidade interna, no entanto, era completamente diferente. A receita total de 2023 foi próxima a US$ 50 mil, muito distante dos US$ 1,2 milhão que ela apresentava aos investidores, e as marcas listadas como "clientes ativos" estavam apenas em testes gratuitos ou sequer tinham acordos firmados com a empresa.
Para isso, Güven mantinha dois registros contábeis simultâneos: um com números reais para controle interno e outro com números fictícios para captar dinheiro. O esquema evoluiu para a esfera federal quando ela utilizou esses dados fabricados para obter o visto americano O-1A, destinado a pessoas com "habilidade extraordinária em negócios". Ela falsificou cartas de apoio e usou nomes de executivos, sem o consentimento deles, como avalistas de uma candidatura construída inteiramente sobre mentiras.
O "Hall da Vergonha"
Este não é um caso isolado. A frequência de escândalos é tão alta que a própria Forbes reconheceu o problema ao criar, em novembro de 2023, um "Hall of Shame" oficial com as figuras mais duvidosas que já passaram pela lista. Entre os nomes que transformaram seus cases em caso de polícia estão:
Sam Bankman-Fried: Fundador da FTX, condenado a 25 anos de prisão por sete acusações de fraude.
Caroline Ellison: Ex-CEO da Alameda Research, que se declarou culpada e testemunhou contra Sam Bankman-Fried (Tinham um relacionamento).
Charlie Javice: Da startup Frank, acusada de fraude após vender a empresa ao JPMorgan Chase por US$ 175 milhões usando números de usuários inflados.
Martin Shkreli: O infame "pharma bro", que cumpriu pena por deturpar informações financeiras.
Nate Paul: Investidor imobiliário acusado de fraude junto a credores.
Outros casos notáveis: A lista inclui ainda Cody Wilson (armas 3D e condenação envolvendo menor de idade), Steph Korey (denúncias de intimidação na Away), James O'Keefe (uso indevido de doações) e Phadria Prendergast (esquema de "pague para aparecer").
Obs: Elizabeth Holmes da Theranos já foi capa da Forbes e recebeu um prêmio no Forbes Under 30 Summit, mas tecnicamente não entrou na lista 30 Under 30 por questão de idade. Foi condenada a 11 anos de prisão por fraude de mais de US$ 700 milhões — um dos maiores casos corporativos dos EUA.
A realidade
O fenômeno diz muito mais sobre o mercado de startups do que sobre a revista em si. Startups são avaliadas pelo potencial futuro, e não pelos lucros atuais. Nesse ambiente, jovens fundadores enfrentam uma pressão brutal para crescer exponencialmente, tornando perigosamente tênue a linha entre uma história exagerada e uma mentira material. Um bom pitch deck, com números impressionantes e crescimento acelerado, funciona muito bem para abrir portas. O problema é que a verificação — saber se aqueles clientes realmente existem, se os números são auditados ou se o crescimento é real — muitas vezes é negligenciada.
Embora nem todos os investidores ignorem as análises — inclusive existem os bons fundos especialistas no assunto — aqueles sob pressão para fechar rodadas rapidamente, ou que enxergam o selo da Forbes como uma prova de qualidade pré-aprovada, sentem-se tentados a economizar tempo na due diligence.
A Kalder conseguiu captar US$ 7 milhões com histórias que teriam sido desmontadas por uma investigação básica: ligar para “os clientes”, pedir cópias dos contratos ou cruzar os números bancários.
O verdadeiro problema não é a Forbes, que foi transparente ao admitir seus erros com o “Hall of Shame”. O problema é um ecossistema onde uma boa narrativa vale mais que dados verificados e onde o crescimento a qualquer custo é usado como justificativa para jovens cometerem fraudes. Para cada founder que é preso ou investigado, fica a pergunta: quantos outros escalaram baseados em ilusões e talvez nunca foram descobertos?
E se você acha que isso é raro, já existe outro founder Forbes 30 under 30 no radar do FBI…
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O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) manteve uma cobrança de R$ 1,2 bilhão à Natura feita pela Receita Federal por causa da amortização de ágio gerado na reestruturação da empresa (Valor)
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GRÁFICO DO DIA

MEMES SESSION
“Quando você entra na lista Forbes 30 Under 30 e sabe que em breve irá para a cadeia por fraude.”
AGENDA
Segunda 02/02: PMI Industrial (EUA)
Terça 03/02: Ata do Copom; Produção Industrial (BRA); Oferta de Empregos (EUA)
Quarta 04/02: PMI Setor de Serviços (EUA)
Quinta 05/02: Balança Comercial (BRA); Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego (EUA); Taxa de Juros (GBP)
Sexta 06/02: Taxa de Desemprego (EUA)
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