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Michael Burry aposta na Amazon da América Latina

O mesmo investidor que ficou famoso por apostar contra o mercado imobiliário americano antes da crise de 2008 disse que o papel caiu abaixo do seu valor intrínseco e que espera retornos anualizados de 15% por pelo menos 15 anos.

Good morning, Brasil.

A semana concentra as atenções em três frentes que devem ditar o ritmo dos mercados: a bateria de dados de inflação no Brasil, EUA e China; a agenda diplomática de Donald Trump em Pequim; e a geopolítica, com Putin sinalizando, pela primeira vez, uma abertura para o fim da guerra na Ucrânia.

Em Brasília, o "Caso Master" continua nos radar. Novas informações revelam que o senador Ciro Nogueira comprou uma cobertura triplex de R$ 22 milhões em São Paulo apenas três meses após se tornar sócio de Daniel Vorcaro e 26 dias antes de apresentar a "emenda Master", que favorecia os negócios do banqueiro.

O Paper of the Day analisa a última investida de Michael Burry. O investidor de "A Grande Aposta" revelou sua nova tese na América Latina: o Mercado Livre. O paper detalha por que Burry escolheu a "Amazon da região" e por que ele acredita que o mercado ainda ignora o real potencial de escala da companhia.

Aqui está o seu the news money de hoje.

QUICK TAKES

📎 Read: IA vai substituir gestores de ações? Maioria dos modelos perde dinheiro em competições (Bloomberg Línea)

▶️ Watch: De empresário no varejo a candidato à presidência | 24 HORAS COM ROMEU ZEMA (the news)

#️⃣ Stat: Catarina, aeroporto da JHSF, cresce 28% em receita no 1º tri e atrai Líder para feira (Bloomberg Línea)

🧊 Ice Breaker: O que é o relógio Audemars Piguet x Swatch 'Royal Pop'? (Esquire)

MERCADOS

Fechamento 08/05/2026 – (20:00)

AtivoFechamento1 diaYTD
Índices
Ibovespa184.108,30+0,49%+14,68%
IFIX3.922,13-0,32%+3,79%
S&P 5007.398,93+0,84%+8,08%
NASDAQ26.247,08+1,71%+12,93%
DAX24.338,63-1,32%-0,82%
FTSE 10010.233,07-0,43%+2,83%
Nikkei 22562.713,65-0,19%+20,99%
Shanghai4.179,95-0,01%+3,89%
Moedas
DólarR$ 4,89-0,02%-9,78%
EuroR$ 5,76-0,52%-9,29%
LibraR$ 6,67-0,02%-8,50%
BitcoinU$ 80.632,00+0,91%-10,58%
Commodities
Brent (Barril)U$ 101,29+1,23%+66,10%
Minério de Ferro (Ton)U$ 110,93-0,02%+3,55%
Ouro (Onça troy)U$ 4.715,85+0,57%+8,37%
Soja (60kg)R$ 127,70+0,25%-9,44%
Milho (saca 60kg)R$ 65,98-0,14%-5,06%
Café Arábica (saca 60kg)R$ 1.669,93-2,02%-23,21%
Maiores altas
YDUQ3
+7,87%
R$ 10,96
RENT3
+7,62%
R$ 49,88
VBBR3
+4,55%
R$ 33,79
RAIL3
+3,93%
R$ 16,93
WEGE3
+2,73%
R$ 45,52
Maiores baixas
EMBJ3
-11,45%
R$ 73,78
VIVA3
-10,77%
R$ 24,77
MGLU3
-9,95%
R$ 7,15
AZZA3
-8,60%
R$ 20,39
LREN3
-3,95%
R$ 14,35

POR QUE O MERCADO SE MOVEU:

  • (-) EMBJ3 -11,45% — A Embraer reportou receita recorde no 1T26, mas o mercado puniu a compressão de margens e o fluxo de caixa livre negativo em US$ 447 mi. O resultado foi considerado decepcionante na linha de rentabilidade, apesar dos números históricos de backlog e entregas.

  • (+) RENT3 +7,62% — Segundo dia seguido de alta após o resultado do 1T26, com lucro de R$ 1,22 bi (+45% a/a) acima das expectativas e alavancagem financeira na menor marca em anos.

  • (+) VALE3 +1,77% / ITUB4 +1,15% — Blue chips endossaram o viés positivo do pregão, com exterior favorável diante das expectativas de avanço nas negociações entre EUA e Irã.

  • (-) MGLU3 -9,95% — Segundo pregão seguido de queda, com o mercado ainda repercutindo o prejuízo de R$ 33,9 mi no 1T26 e a reversão da expectativa de lucro.

CENTRAL DE RESULTADOS — 1T26:

  • Embraer (EMBJ3): Receita recorde de US$ 1,447 bi (+31% a/a) e carteira de pedidos histórica de US$ 32,1 bi — o maior backlog da empresa. Foram entregues 44 aeronaves, melhor 1T em uma década. O problema: a margem EBIT ajustada ficou em 6,5%, abaixo da meta anual, com aviação comercial ainda operando no prejuízo e tarifas de importação nos EUA comprimindo em 280 pontos-base a margem da aviação executiva. Fluxo de caixa livre negativo em US$ 447 mi. A empresa manteve o guidance para 2026: receita de US$ 8,2-8,5 bi.

PAPER OF THE DAY

Michael Burry aposta no Mercado Livre para o futuro

Na sexta-feira passada, Michael Burry revelou em seu Substack sua última aquisição: Mercado Livre (MELI). O mesmo investidor que ficou famoso por apostar contra o mercado imobiliário americano antes da crise de 2008 disse que o papel caiu abaixo do seu valor intrínseco e que espera retornos anualizados de 15% por pelo menos 15 anos. Ele chamou a empresa de a Amazon do Brasil, do México e da Argentina. A aposta chega num momento específico: as ações recuavam cerca de 12% no mesmo dia, após mais um trimestre de lucro abaixo do esperado, o quarto seguido de frustração nas margens.

Gráfico: Google Finance

O resultado do primeiro trimestre de 2026 resume o dilema para precificar o Mercado Livre hoje. A receita cresceu 49% na comparação anual, para 8,85 bilhões de dólares, superando em cerca de 6,8% as estimativas de consenso e marcando o crescimento mais acelerado em quatro anos. Ao mesmo tempo, o lucro líquido ficou em 417 milhões de dólares, abaixo dos 433 milhões projetados. Essa combinação de crescimento robusto com compressão de margem divide o mercado.

A explicação para a compressão está na própria estratégia. A companhia reforçou que não está otimizando a margem de curto prazo, e que o nível atual de rentabilidade é consequência direta da intensidade dos investimentos. A leitura da gestão é que a América Latina vive uma oportunidade “única em uma geração” de digitalização, e o Mercado Livre está na posição ideal para capturar essa onda, mesmo que o custo apareça no resultado de hoje. Isso passa por reduzir o ticket mínimo de frete grátis no Brasil, expandir a carteira de crédito, investir em fulfillment próprio e escalar o cartão do Mercado Pago, que começou no Brasil e agora avança também em México e Argentina.

CD Mercado Livre Jacareí - Imagem: Reprodução

Os números da vertical financeira ajudam a entender a pressão. A receita do Mercado Pago cresceu 51%, para 4 bilhões de dólares, e a carteira de crédito saltou 87%, para 14,6 bilhões. Segundo o management, cada novo empréstimo exige provisionamento antecipado da perda esperada, e o fato de o crédito crescer quase duas vezes mais rápido que a receita total gera, por construção, compressão de margem no curto prazo. A companhia afirma que, apesar disso, a carteira segue lucrativa e os indicadores de inadimplência permanecem relativamente estáveis.

Enquanto isso, a concorrência se intensifica. No e-commerce, Amazon e players asiáticos avançam com força; na fintech, Nubank e Revolut ampliam sua presença na região. Parte do sell side já levou a recomendação para neutro, citando dificuldade de enxergar o fim do ciclo de investimentos mais pesado.

A tese de Burry é justamente a de que o mercado está punindo demais o curto prazo e ignorando a opcionalidade de longo prazo. O risco é que a competição torne permanente a pressão sobre margens; já o potencial de retorno vem da aposta oposta, de que esse ciclo de investimento tenha um fim e feche a conta lá na frente.

HEADLINES

World Big News

  • Javier Milei vive crise na Argentina em meio a escândalos de corrupção e inflação em alta (Folha)

  • A economia dos EUA criou 115 mil empregos em abril, enquanto a taxa de desemprego se manteve estável (Axios)

  • 'Acho que o conflito na Ucrânia está chegando ao fim', diz Putin (g1)

  • Irã confirma presença na Copa do Mundo, mas faz exigências (g1)

Governo, Tesouro, BC e Brasília

  • Prefeitura de SP prevê endividamento de R$ 51,2 bi em 2027, maior patamar da gestão Nunes (Folha)

  • Ciro Nogueira comprou triplex de R$ 22 milhões em SP 1 mês antes de “emenda Master”. (Metrópoles)

  • Sem resposta do Planalto, DF estuda "vender" dívida para socorrer BRB (CNN Brasil)

  • Moraes suspende aplicação da Lei da Dosimetria até que o STF analise ações que questionam a norma (g1)

Economia Real, Agro e Commodities

  • Brasil vira principal destino do capital chinês em meio à corrida por minerais e carros elétricos (InvestNews)

  • BB diz que renegociou mais de R$ 430 mi em dívidas em dois dias, sendo metade sob Novo Desenrola (Investing)

  • A Abra (holding que controla a Gol e a Avianca) está preocupada com os impactos que a entrada da American Airlines e da United no capital da Azul poderiam trazer à concorrência no setor de aviação (Brazil Journal)

Faria Lima, Wall Street, Euro, Ásia

  • Após queda de 15%, BTG diz que investidores estão “jogando a toalha” no Inter (Brazil Journal)

  • Brazil Week, em Nova York, expõe demanda e oferta de investimentos em cenário de arrefecimento do conflito no Oriente Médio que favorece o País, mas pesa contra o BC (NeoFeed)

  • Itaú Private Bank avança para o interior do País, amplia consultoria e chega a R$ 1,1 tri sob gestão (NeoFeed)

  • Fintech Naskar some com quase R$ 1 bilhão de clientes de todo o Brasil (Metrópoles)

Tech, Silicon Valley, Startups, VC, Criptos

  • Flash investe R$ 400 mi para desafiar gigantes de benefícios e virar líder até 2030 (Bloomberg Línea)

  • Rodadas da semana: Enter se torna a 1ª startup unicórnio de IA da América Latina (Bloomberg Línea)

  • A Lovable, plataforma de codificação de vibrações com sede em Estocolmo, está prometendo aumentos salariais anuais de 10% para todos os funcionários em seus aniversários de trabalho (TechCrunch)

  • Apple e Intel chegam a um acordo preliminar para fabricação de chips (Reuters)

IPO, M&A, Private Equity e Special Sits

  • Bradesco BBI vê reabertura do mercado de IPOs no Brasil após listagem da Compass (Bloomberg Línea)

  • Lime, que já alugou patinete no Brasil, prepara IPO nos Estados Unidos (NeoFeed)

  • O OnlyFans vendeu uma participação minoritária para a Architect Capital por US$ 3,15 bilhões (Reuters)

GRÁFICO DO DIA

AGENDA

Segunda 11/05: Vendas de casas usadas (EUA)

Terça 12/05: IPCA; IPC (EUA); IPC (ALE)

Quarta 13/05: Vendas no varejo (BRA)

Quinta 14/05: PIB Reino Unido; Vendas no varejo (EUA)

Sexta 15/05: Crescimento do setor de serviços (BRA)

MEMES SESSION

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