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"Não sabemos bem como lidar com este momento"
Cada vez que Larry Fink conversa com CEOs, líderes mundiais ou pessoas investindo para a aposentadoria, ouve a mesma frase: "Não sabemos bem como lidar com este momento"

Good morning, Brasil.
O Ibovespa disparou ontem após Donald Trump suspender os ataques à infraestrutura energética no Irã e sinalizar conversas para um eventual fim da guerra. Com o alívio, o Brent despencou mais de 10%, voltando à faixa dos US$ 100, enquanto o ouro seguiu em queda para a casa dos US$ 4.400.
Por aqui, o cenário político de 2026 continua ganhando tração: Ratinho Junior desiste da corrida para presidente, deixando o caminho "livre" para Ronaldo Caiado.
O Paper of the Day resume os principais pontos da carta anual de Larry Fink, CEO da BlackRock, e traz uma reflexão sobre o que ela nos diz sobre o momento atual do capitalismo.
Aqui está o seu the news money de hoje.
QUICK TAKES
📎 Read: Caiado mira a Faria Lima com agenda pró-empresas, defesa das terras raras e crítica ao custo-Brasil (NeoFeed)
▶️ Watch: A batalha entre XP, B3 e bets pelo domínio do ‘prediction market’ no Brasil (InvestNews)
#️⃣ Stat: Boletim Focus eleva Selic para 12,50% e vê inflação subir para 4,17% (Suno)
🧊 Ice Breaker: Traders apostaram US$ 580 milhões em petróleo minutos antes de post de Trump sobre Irã (Investing)
DICA
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PAPER OF THE DAY
Não sabemos bem como lidar com este momento
Cada vez que Larry Fink conversa com CEOs, líderes mundiais ou pessoas investindo para a aposentadoria, ouve a mesma frase: "Não sabemos bem como lidar com este momento". E de fato, estamos vivendo um período em que coisas que definiriam uma década se tornaram rotina: guerras com repercussões globais, empresas trilionárias, reestruturações no comércio internacional e o advento da tecnologia mais significativa desde, pelo menos, o computador. Mas com muita frequência, essa visão é filtrada apenas por uma perspectiva de curto prazo.
Fink gere a BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, com US$ 14 trilhões sob administração. Quando alguém nessa posição diz que o momento é difícil de ler, vale prestar atenção.
A carta anual publicada nesta semana dirigida a investidores da BlackRock, é um diagnóstico do sistema atual e uma reflexão de como as pessoas deveriam olhar para o longo prazo. Fink passa as primeiras páginas identificando três forças que, juntas, explicam por que tanta gente se sente perdida. E depois propõe o que, para ele, é a resposta.

Imagem: Tolga Akmen/EPA/Bloomberg
A primeira força é a desglobalização. Países estão investindo pesado para se tornar autossuficientes em energia, defesa e tecnologia. Os Estados Unidos tentam reconstruir a manufatura; a Europa monta sua própria indústria de defesa; e os mercados emergentes desenvolvem energia doméstica. Mas o problema é que essa transição é cara. Produzir semicondutores fora de Taiwan ou minerais críticos fora da China por exemplo, custa significativamente mais do que antes. No curto prazo, essa autossuficiência é sinônimo de custo elevado, e quem sente primeiro é a população.
A segunda é a herança da globalização. Desde 1989, um dólar investido no mercado de ações americano cresceu mais de 15 vezes o valor de um dólar atrelado ao salário médio. A riqueza criada nas últimas décadas fluiu majoritariamente para quem comprou ativos, e não necessariamente para quem trabalhou para gerá-la. O crescimento existiu, mas a participação ficou restrita.
A terceira é a inteligência artificial. A discussão sobre IA costuma girar em torno de empregos, e é de fato aí que a preocupação das pessoas se concentra. Fink não descarta essa questão, mas adiciona outra camada: historicamente, tecnologias transformadoras geram um grande valor que se concentra nas empresas que as desenvolvem e nos investidores que as possuem. A IA pode repetir o padrão visto na globalização, só que em escala maior e velocidade superior.
Por isso, as três forças chegam no mesmo lugar: o capitalismo funciona, mas os frutos do seu funcionamento não chegam em todo mundo. E cada nova onda, como a desglobalização, automação e IA, tem o potencial de aprofundar essa disparidade antes mesmo que a anterior tenha sido resolvida.
E é exatamente aí que está o paradoxo: os líderes que dizem não saber como navegar este momento estão, em grande parte, lidando com as consequências de um sistema que deixou muita gente de fora.
A resposta de Fink é propositiva: se a prosperidade está cada vez mais sendo criada nos mercados de capitais, o caminho é garantir que mais pessoas estejam investidas neles. Na prática, isso significa criar caminhos para que trabalhadores comuns possam acumular patrimônio junto com a economia do seu país, e não apenas observar o crescimento de fora.
Ele cita quatro países que estão tentando fazer isso, cada um à sua maneira. O Japão aumentou os limites de contribuição em contas de investimento com isenção fiscal e atraiu quase dez milhões de novos investidores em três anos. A Índia está transformando um bilhão de carteiras digitais em portas de entrada para o mercado de capitais. A Alemanha debate reformas previdenciárias que poderiam aprofundar o mercado europeu. E os Estados Unidos discutem se parte do Social Security deveria ser investida de forma diversificada.
A desorientação que ele descreve no começo da carta, portanto, não é emocional. É o sintoma vivido de um problema estrutural que nenhum governo ainda resolveu: como expandir a participação nos ganhos do capitalismo antes que a próxima onda (a IA) torne essa tarefa ainda mais difícil.
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HEADLINES
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Atualizações das conversas entre Trump e Irã (Axios)
Fontes dizem que Trump aprovou operação contra o Irã depois de Netanyahu defender o assassinato de Khamenei (Reuters)
Colisão entre aviões da Air Canada fecha o aeroporto LaGuardia (Reuters)
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XP reconhece perda de 60% em debêntures e CRAs da Raízen distribuídas pela plataforma (InvestNews)
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Tech, Silicon Valley, Startups, VC, Criptos
OpenAI está oferecendo a empresas de private equity participações acionárias preferenciais com um retorno mínimo garantido de 17,5% (Reuters)
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A Poste Italiane — estatal italiana de serviços postais — fez uma oferta de € 10,8 bilhões para comprar a Telecom Itália, dona da TIM (Brazil Journal)
GRÁFICO DO DIA
Será que o investidor opera na notícia? Olha essa sequência de ontem:
Às 7h04 da manhã (horário do leste dos EUA) de ontem, o presidente Trump disse que "os EUA e o Irã tiveram discussões produtivas" para encerrar a guerra com o Irã.
Às 7h10 da manhã (horário do leste dos EUA), o índice S&P 500 subiu 240 pontos, adicionando US$ 2 trilhões em valor de mercado.
27 minutos depois, o Irã negou completamente todas as alegações do presidente Trump e disse que não houve "nenhum contato" com os EUA.
Às 8h da manhã (horário do leste dos EUA), o S&P 500 havia caído 120 pontos, eliminando US$ 1 trilhão em valor de mercado.
Isso representa uma oscilação de US$ 3 trilhões no valor de mercado em 56 minutos, apenas no S&P 500. @KobeissiLetter

AGENDA
Segunda 23/03: —
Terça 24/03: Ata do Copom; PMI Industrial (EUA); PMI Serviços (EUA)
Quarta 25/03: IPC Reino Unido
Quinta 26/03: Relatório Trimestral de Inflação; IPCA-15; Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego (EUA)
Sexta 27/03: Taxa de Desemprego no Brasil
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