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💸O alerta que ninguém mais pode ignorar
O que vimos na sexta-feira foi um sinal claro do que está por vir. À medida que o carry trade se desfaz, os ativos alavancados com o capital japonês perdem seus compradores.

Good morning, Brasil.
Enquanto as bolsas mantêm o tom positivo de janeiro, o ouro continua a se destacar ao renovar sua máxima histórica, superando a barreira dos US$ 5.000 a onça. No câmbio, a atenção volta ao Japão com a especulação crescente de uma intervenção coordenada no iene.
No mercado de capitais, o ritmo segue acelerado. A janela de deals e IPOs mostra sinais claros de aquecimento neste início de ano. Destaque também para a primeira carta da Dynamo de 2026, disponível na seção "Read".
O Paper of the Day explica o cenário japonês. Entenda por que os grandes alocadores globais monitoram com atenção o que acontece do outro lado do mundo e quais os seus contornos para os mercados.
Aqui está o seu THE PAPER de hoje.
ANTES DO SINO

Fechamento 26/01/2026 — (19:00)
PAPER OF THE DAY
O alerta que ninguém mais pode ignorar
Na sexta-feira passada, o iene japonês saltou 1,75% em poucas horas. Para o mercado de câmbio, foi um movimento anormal.
O Federal Reserve Bank de Nova York ligou para os principais bancos perguntando sobre a taxa do iene. Um sinal técnico de que uma intervenção cambial poderia estar vindo.
Na mesma semana, a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, e o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, começaram a falar publicamente sobre o iene quase ao mesmo tempo. A última vez que ocorre uma Coordenação entre Tóquio e Washington foi em 2011 após os terremotos.
Por que isso importa?
Para entender o tamanho do problema, você precisa entender o mecanismo que sustentou os mercados globais nas últimas três décadas.
O Carry Trade:
Funciona assim: você toma empréstimo em iene a juros próximos de zero. Converte em dólar e investe em qualquer coisa que traga rentabilidade — Treasuries, ações, títulos corporativos, criptomoedas. O lucro vem do diferencial entre o juros que você “deve” no Japão e do retorno dos ativos investidos.
Enquanto o Banco do Japão mantinha juros no chão e o iene se desvalorizava, isso era uma máquina de imprimir dinheiro. Fundos globais, bancos de investimento, tesourarias corporativas — todo mundo fazia isso.
E como isso era possível?
Durante 30 anos, desde a bolha imobiliária de 1990, o Japão ofereceu liquidez abundante para o mundo. Juros zero e depois negativos, com compras massivas de títulos pelo banco central.
O Japão era um provedor fundamental de liquidez global. Cada alta do S&P 500, cada boom nos emergentes, cada ciclo de otimismo em Wall Street tinha uma grande parte de “dinheiro japonês” financiando.
Para você ter ideia, o Japão virou o maior credor líquido do mundo por mais de três décadas. Seus bancos detinham mais de US$ 1 trilhão em Treasuries americanos, sendo um dos maiores compradores estrangeiros da dívida dos EUA.

O que mudou:
Em dezembro de 2025, o Banco do Japão subiu os juros para 0,75% — o maior nível em 30 anos. Pode até parecer pouco perto do que estamos acostumados aqui no Brasil, mas foi o suficiente para mudar a gravidade dos mercados globais.
Agora, o risco do carry trade aumenta e o custo de oportunidade também. Até mesmo o dinheiro japonês tem mais razões para ficar no país.
E agora?
O que vimos na sexta-feira foi um sinal do que está por vir. Quando o carry trade desaparece, ativos que foram financiados com o dinheiro barato em iene perdem seus compradores.
Por exemplo: Quem mais vai financiar o déficit dos EUA se o Japão parar de comprar? Os rendimentos disparam e o custo de capital para o mundo inteiro explode.
Uma intervenção conjunta entre Japão e EUA pode reduzir o choque no curto prazo. Mas não muda o fato estrutural: a era da liquidez infinita japonesa não é mais a mesma. O dinheiro vai ficar mais caro, mais escasso e mais seletivo. A volatilidade que vimos na sexta-feira é apenas o começo.
Para entender o tema em profundidade, leia: A Engrenagem Secreta do Dinheiro Global: Como o Japão Sustentou o Mundo por 30 Anos
HEADLINES
World Big News
Governo, Tesouro, BC e Brasília
O presidente Lula tem manifestado irritação com a conduta do ministro Dias Toffoli do STF, na relatoria do inquérito do Banco Master (Folha)
Master pagou R$ 5 milhões a escritório de Lewandowski já como ministro (Metrópoles)
Lula conversa com Trump por telefone sobre situação na Venezuela e combina visita a Washington (g1)
Aluguel por temporada pode ter imposto de até 44% para PF com o avanço da Reforma Tributária (InfoMoney)
BNDES seleciona 7 fundos para financiar projetos de mitigação climática. Os fundos devem mobilizar até R$ 16,2 bilhões em recursos privados para projetos ambientais e de baixo carbono no país (BP Money)
Economia Real, Agro e Commodities
Embraer dá o primeiro passo para seu avião agrícola movido a etanol voar no exterior. A empresa firmou parceria com uma usina da Argentina para prospectar o mercado no país vizinho (Globo Rural)
Embraer projeta aumento de 30% na fabricação de aviões comerciais para atender forte demanda (Times Brasil)
O primeiro leilão do Governo para projetos de armazenamento de energia está atraindo gigantes globais do setor. Tesla, CATL, Huawei e WEG estão entre as fornecedoras de Battery Energy Storage Systems (BESS) de olho na licitação, agendada para abril (Brazil Journal)
Sanofi Medley processa Cimed por imitação de Allegra e Dorflex (Valor)
Faria Lima, Wall Street, Euro, Ásia
Nubank investirá mais de R$ 2,5 bilhões em cinco anos em expansão de escritórios para nova fase de crescimento (Nubank)
Fundos administrados pela Reag Trust utilizaram um CNPJ inválido para registrar participações avaliadas em cerca de R$ 4,1 bilhões em ações, segundo documentos enviados à CVM. As informações indicam que a própria Reag apontou um CNPJ como emissor dos ativos declarados, embora o cadastro não exista nos registros da Receita Federal (Metrópoles)
A Azul informou na noite de sexta-feira (23) que seu conselho de administração aprovou uma proposta de grupamento de ações, que será submetida aos acionistas. A operação prevê a conversão de 75 ações ordinárias em uma única ação (Times Brasil)
Após Gil e Paul McCartney, Flow amplia crédito a eventos. Gestora prepara dois FIDCs neste ano, um deles mirando R$ 100 mi para entretenimento e esportes (Pipeline Valor)
O Goldman Sachs anunciou que a remuneração anual total do CEO David Solomon aumentou 20,5%, chegando a US$ 47 milhões em 2025, após um ano forte para o banco, tornando-o um dos executivos-chefes mais bem pagos de Wall Street (Reuters)
Tech, Silicon Valley, Startups, Criptos, VC
A startup britânica Synthesia, cuja plataforma de IA ajuda empresas a criar vídeos de treinamento interativos, levantou US$ 200 milhões em uma rodada de financiamento Série E, elevando seu valor de mercado para US$ 4 bilhões (TechCrunch)
A fintech indiana Juspay acaba de levantar US$ 50 milhões em uma rodada Série D para impulsionar sua expansão internacional e fortalecer sua infraestrutura de pagamentos. A rodada avaliou a companhia em US$ 1,2 bilhão (Startups)
OpenAI quer ser uma parceira em pesquisa científica (Axios)
IPO, M&A, Deals e Private Equity
Atlas Critical Minerals estreia no sino da Nasdaq e consolida tese brasileira em minerais críticos para a transição energética (Cenário Energia)
CSN aborda rivais e pode vender até 100% do negócio de siderurgia (Valor)
Live Nation negocia compra da 30e e pode ter EB Capital como sócia (Pipeline Valor)
A Wickbold negocia a venda das tortilhas Tá Pronto! para o grupo Farina, controlador da marca Pita Bread (InvestNews)
CVC Partners compra Marathon por US$ 1,2 bi e avança em investimentos alternativos (Bloomberg Línea)
A icônica marca de cachorro-quente Nathan's Famous acaba de ser vendida por US$ 450 milhões (Sherwood)
Sergio Ramos está prestes a comprar o time espanhol Sevilla e retornar ao clube como proprietário (MARCA)
CENTRAL DE RESULTADOS
Ryanair: Reporta lucro líquido de €115 milhões no terceiro trimestre fiscal (Ryanair)
Hoje: General Motors, Boeing, American Airlines, UPS, UnitedHealth Group (Veja mais)
QUICK TAKES
📎 Read: Carta Dynamo — 127 (Dynamo)
▶️ Watch: Ouro $5.000, dólar caindo e intervenção no iene, o que está acontecendo? (Fernando Ulrich)
#️⃣ Stat: Brasil encerra 2025 com déficit de US$ 68,8 bilhões nas contas externas, o maior desde 2014 (Valor)
🧊 Ice Breaker: Como é o mercado paraguaio de canetas emagrecedoras ilegais (Fantástico)
GRÁFICO DO DIA
Gráfico interessante sobre a evolução dos preços.

MEMES SESSION


AGENDA
Segunda 26/01: Investimento Estrangeiro Direto (USD) (BRA)
Terça 27/01: IPCA-15 (BRA); Confiança do Consumidor (EUA)
Quarta 28/01: Taxa de Juros Selic (BRA); Taxa de Juros (EUA)
Quinta 29/01: Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego (EUA)
Sexta 30/01: IGP-M (BRA); Dívida Bruta/PIB (BRA); Taxa de Desemprego (BRA); IPP (EUA)
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