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Kora, Raízen, Pão de Açúcar. E agora?
Uma das principais matérias da Bloomberg de ontem resume o paradoxo do Brasil em 2026 com um número: 8,9 milhões de empresas inadimplentes, com dívidas vencidas que somam R$ 213 bilhões, segundo a Serasa Experian.

Good morning, Brasil.
O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira, impulsionado principalmente pelas ações da Ambev, que dispararam após um balanço trimestral acima das expectativas. O pregão foi marcado pela repercussão da temporada de resultados e pelo alívio no cenário externo, com sinais de uma possível resolução para o conflito no Oriente Médio.
No cenário doméstico, os investidores analisaram a ata do Copom, buscando mais informações sobre os próximos passos da política monetária. Outro destaque foi o surgimento de um novo unicórnio brasileiro: a Enter, startup de IA jurídica, que atingiu o valuation de US$ 1,2 bilhão após um novo aporte, reforçando o fôlego do setor de tecnologia no país.
O Paper of the Day traz uma análise profunda sobre o Brasil: o que o Ibovespa não mostra, enquanto a “economia real” enfrenta um cenário cada vez mais apertado para o consumo e o crédito.
Aqui está o seu the news money de hoje.
QUICK TAKES
📎 Read: Para o Founders Fund, brasileira Enter pode valer mais de US$ 10 bilhões (Pipeline Valor)
▶️ Watch: Pedro Cerize: Até onde pode ir o Ibovespa? (Market Makers)
#️⃣ Stat: Brasileiros economizaram R$ 1,8 bi com curso gratuito da CNH, diz governo (SBT News)
🧊 Ice Breaker: Com investimento de R$ 5 Milhões, Smash Courts quer ser o novo clube de tênis da Faria Lima (Forbes Brasil)
POR QUE O MERCADO SE MOVEU:
(+) ABEV3 +15,30% — Resultado do 1T26 acima das expectativas, sendo o terceiro trimestre consecutivo batendo o consenso. Foi a segunda maior alta em um único dia na história da companhia, fechando na máxima desde 2021.
(+) MOVI3 +4,32% — Mercado repercutiu o resultado do 1T26 e a previsãoi de lucro líquido de R$ 110-130 mi para o 2T26, com crescimento de ~78% sobre o 2T25.
(+) HAPV3 +1,83% — Dados da ANS mostraram adição líquida de 22 mil clientes nos planos de saúde da Hapvida em março.
(-) PETR4 -1,38% — O Brent recuou 3,99%, para US$ 109,87, em dia de tom mais conciliador no Oriente Médio.
CENTRAL DE RESULTADOS — 1T26:
Ambev (ABEV3): Ebitda ajustado de R$ 7,6 bi (+10% orgânico a/a), margem Ebitda de 33,9% (maior para um 1T desde 2019). Lucro líquido de R$ 3,83 bi, 5,5% acima das estimativas. Volume de cerveja no Brasil cresceu 1,2% com preços +8%; marcas premium avançaram 20%. A companhia aprovou pagamento de dividendos e manteve as previsões para o ano.
Itaú (ITUB4): Lucro líquido recorrente de R$ 12,3 bi (+10,4% a/a), levemente abaixo dos R$ 12,5 bi esperados pelo consenso. ROE de 24,8%. Carteira de crédito de R$ 1,48 tri (+7,2% a/a); inadimplência acima de 90 dias em 1,9%. Margem financeira com clientes cresceu 4,5% a/a.
TIM (TIMS3): Lucro líquido normalizado de R$ 821 mi (+1,3% a/a). Receita líquida de R$ 6,8 bi (+6,5% a/a), com o segmento pós-pago crescendo 7,5% e sendo o principal motor. Ebitda de R$ 3,29 bi (+6,6% a/a), margem de 48,3%. Fluxo de caixa livre subiu 54%, para R$ 453 mi.
PAPER OF THE DAY
O Brasil que a bolsa não mostra
Uma das principais matérias da Bloomberg de ontem resume o paradoxo do Brasil em 2026 com um número: 8,9 milhões de empresas inadimplentes, com dívidas vencidas que somam R$ 213 bilhões, segundo a Serasa Experian.
No mesmo período, o Ibovespa subiu quase 60% em dólares, mais do que qualquer outro índice relevante nas Américas. Para quem olha o noticiário financeiro de longe, o Brasil parece em euforia. Para quem opera uma clínica, uma transportadora ou uma rede de varejo no interior do país, a realidade é outra. É o maior número de inadimplentes já registrado.
Esse contraste não é coincidência. É um modelo de economia brasileira funciona, com o mercado de capitais refletindo uma fatia pequena e poderosa do país, enquanto o resto sangra em silêncio.
De um lado, as grandes exportadoras, bancos e produtores de commodities que se beneficiam do ciclo externo favorável. A guerra no Irã elevou os preços do petróleo, atraiu capital estrangeiro e ajudou o Ibovespa a bater recorde no mês passado.
Do outro, as pequenas e médias empresas, responsáveis por quase 30% do PIB. Elas não emitem debêntures e quase não acessam o mercado de capitais. Tomaram empréstimos a taxa flutuante quando a Selic estava em 2%, em 2020 e 2021, para sobreviver à pandemia ou financiar expansão. Agora, com a Selic em 14,5% e perspectiva de permanecer acima de 10% até pelo menos 2027, o serviço da dívida consome o que sobra do caixa (se sobrar). Quase 6.000 empresas já entraram em recuperação judicial, o maior número desde que a série histórica da RGF & Associados começou a ser monitorada, em 2023.

Gráfico: Bloomberg
Nem todas gigantes escaparam: As condições excepcionais de crédito do período pandêmico criaram uma demanda artificial por capital. A Kora Saúde, operadora hospitalar que quase dobrou o faturamento em cinco anos, pediu recuperação extrajudicial na semana passada. A Raízen e o Grupo Pão de Açúcar também atravessaram crises semelhantes semanas antes. Esses são alguns dos casos emblemáticos, mas o grosso do problema está fora dos holofotes: são milhões de pequenas empresas que simplesmente param de pagar.
O risco sistêmico ainda parece contido. O emprego e o consumo seguram o quadro por enquanto. Mas há um mecanismo de contágio que merece atenção: empresas estressadas cortam investimento, reduzem equipe e atrasam pagamentos a fornecedores, construindo uma cadeia de transmissão que pode alcançar justamente os pilares que ainda sustentam o crescimento. As famílias, por sinal, já comprometem cerca de 30% da renda com dívidas, o maior nível da última década.
Takeaway: Brasil de 2026 cresce no papel e sangra por baixo. Enquanto o próximo governo não endereçar a estrutura de juros, o acesso a crédito acessível e destravar as burocracias políticas, essa contradição estrutural continuará sendo a normalidade, e não a exceção.
HEADLINES
World Big News
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Trump disse ontem que está suspendendo a nova operação militar dos EUA no Estreito de Ormuz devido ao progresso nas negociações com o Irã para um acordo que ponha fim à guerra (Axios)
As companhias aéreas cortaram 13 mil voos e dois milhões de assentos em maio devido à crise do combustível de aviação (EuroNews)
Fitch eleva rating da Argentina com avanços fiscais (Investing)
Governo, Tesouro, BC e Brasília
Lula acena com nova indicação ao STF após viagem aos EUA (CNN Brasil)
Lula planeja anunciar quase R$ 1 bi para a segurança pública mirando ano eleitoral (Folha)
Dino determina plano emergencial de reestruturação da CVM (Agência Brasil)
Deputado Thiago Rangel é preso em operação da PF no RJ (CNN Brasil)
Economia Real, Agro e Commodities
Agrishow 2026: propostas de financiamento no Banco do Brasil ficaram abaixo do ano passado (Globo Rural)
Shopee abre três centros de distribuição no Brasil com capacidade para 700 mil pedidos por dia (Times Brasil)
Coteminas, do setor têxtil, tem plano de recuperação judicial aceito pela Justiça e dívida é de cerca de R$ 2 bilhões (Valor)
GPA faz novo plano de recuperação extrajudicial de R$ 4,6 bilhões (Times Brasil)
Faria Lima, Wall Street, Euro, Ásia
Bradsaúde estreia na B3 com lucro de R$ 1,3 bilhão, ROE de 24,8% e queda na sinistralidade (NeoFeed)
Leilões e R$ 45 bi de debêntures: como o saneamento virou protagonista da renda fixa (Bloomberg Línea)
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Tech, Silicon Valley, Startups, VC, Criptos
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IPO, M&A, Private Equity e Special Sits
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GRÁFICO DO DIA
AGENDA
Segunda 04/05: Feriado na China, Japão e Reino Unido
Terça 05/05: Ata do Copom; PMI Serviços (EUA); Feriado na China e Japão
Quarta 06/05: Feriado no Japão
Quinta 07/05: Produção Industrial (BRA); Balança Comercial (BRA)
Sexta 08/05: IPCA; Taxa de Desemprego nos EUA
MEMES SESSION
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