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O preço de dormir em Wall Street
Uma analista pediu 8 horas de sono por noite e foi demitida. Processou por US$ 5 milhões e o acordo veio na véspera do julgamento

Good morning, Brasil.
Agora sim, o ano "começa" e sem feriados por um bom tempo. O Brasil volta a andar e temos um calendário cheio pela frente, com a divulgação do IPCA-15 e do Caged na sexta-feira.
O fim de semana foi movimentado no cenário internacional, principalmente com as atualizações sobre as novas tarifas de Trump e o embate com a Suprema Corte americana. O presidente fará um discurso na terça-feira.
O Paper of the Day traz um caso de uma analista de IB que seria julgado nesta semana nos EUA e que reacende uma eterna discussão nos principais centros financeiros, valendo a reflexão por aqui: as longas jornadas de trabalho são realmente necessárias ou um costume que "faz parte"?
Aqui está o seu the news money de hoje.
QUICK TAKES
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PAPER OF THE DAY
O preço de dormir em Wall Street
Em 2020, Kathryn Shiber entrou na Centerview Partners logo após se formar em Dartmouth. Era, nas palavras dela, uma “oportunidade dos sonhos”. Poucas semanas depois, informou ao RH que tinha transtornos de humor e ansiedade e precisava dormir entre oito e nove horas por noite, em horário consistente. A firma aceitou uma acomodação: ela ficaria indisponível entre meia-noite e 9h, disponível no restante do tempo, sete dias por semana.
Um mês depois, seus gerentes disseram que o acordo não estava funcionando. Em 15 de setembro de 2020, numa videochamada, ela foi demitida. Segundo Shiber, ouviu que deveria ter previsto os horários imprevisíveis do trabalho antes de aceitar a vaga. Ela trabalhou na Centerview por exatas dez semanas.
Em 2021, Shiber processou a firma pedindo US$ 5 milhões em danos. O julgamento, que duraria uma semana, estava marcado para começar na manhã desta segunda-feira. No domingo, porém, a Centerview anunciou que fechou um acordo com Shiber. Os termos são confidenciais.

Escritório Centerview Partners. Imagem: SpectorGroup
O que cada lado dizia
A Centerview argumentou durante anos que a necessidade de uma noite inteira de sono é incompatível com "as funções essenciais do cargo de analista". Disse nos autos que fez "todos os esforços" para acomodar Shiber, mas que a situação era insustentável — os colegas passaram a absorver tarefas dela após a meia-noite, e a firma precisou contratar um analista adicional para a equipe, algo descrito como incomum em sua estrutura enxuta.
Shiber, por sua vez, argumentou que disponibilidade noturna permanente é mais uma expectativa cultural do que uma necessidade real de negócio — especialmente numa era de equipes distribuídas e fluxos de trabalho digitais. Um juiz federal concordou que havia "disputa genuína" suficiente para ir a júri.
O comunicado da firma após o acordo foi cuidadosamente elaborado: "A Centerview sempre afirmou que as alegações legais da Sra. Shiber não têm fundamento. Estávamos prontos para provar isso no tribunal e confiantes de que teríamos vencido o julgamento. Mesmo assim, estamos felizes em deixar essa distração para trás."
O contexto que importa
O caso Shiber não surgiu no vácuo. Em 2024, a morte de um banqueiro do Bank of America que relatava jornadas de mais de 100 horas semanais reacendeu o debate sobre excesso de trabalho em Wall Street. A causa oficial foi natural — sem confirmação direta de que as horas foram determinantes — mas o episódio chocou o mercado e pressionou os bancos a agir. Na sequência, o JPMorgan anunciou um teto de 80 horas semanais para juniores, e o Bank of America criou uma plataforma interna para acompanhar quem se aproxima do limite de 100 horas. O Goldman havia introduzido "fins de semana protegidos" em 2021, depois que um slide deck de analistas expondo jornadas de até 120 horas viralizou.
Takeaway: A Centerview passou anos sinalizando que defenderia o modelo até o fim. Recuou na véspera com um acordo, sem explicação pública. O comunicado apenas diz que estavam prontos para vencer. Mas agora é Wall Street que vai tirar suas próprias conclusões.
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AGENDA
Segunda 23/02: Ano Novo Chinês; Aniversário do Imperador (Japão) - Feriados
Terça 24/02: Investimento Estrangeiro Direto; Confiança do Consumidor CB (EUA); Discurso Donald Trump
Quarta 25/02: PIB Alemanha
Quinta 26/02: IGP-M (BRA); Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego (EUA)
Sexta 27/02: Dívida Bruta/PIB; IPCA-15; Índice de Evolução de Emprego do CAGED; IPP (EUA)
MEMES SESSION
Próxima missão: Garantir a Copa


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