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O que será do segundo semestre brasileiro?
Em abril, o Ibovespa bateu 200 mil pontos pela primeira vez na história, acumulando 18 recordes consecutivos.

Good morning, Brasil.
O Ibovespa fechou em queda nesta terça-feira, carimbando mais um desempenho mensal negativo. O índice recuou 0,68%, encerrando aos 172.024 pontos e acumulando um declínio de 1,01% no fechamento de junho. Com isso, as perdas do segundo trimestre alcançaram 8,24%, o que acabou reduzindo os ganhos acumulados no ano para 7,15%.
Bem longe do mau humor local, as bolsas americanas fecharam o período em alta. O S&P 500 e a Nasdaq encerraram o trimestre registrando os seus maiores saltos trimestrais desde 2020. Por lá, os investidores mantiveram o otimismo em relação aos balanços corporativos e a corrida pela IA, deixando em segundo plano até mesmo os ruídos geopolíticos no Oriente Médio.
Para fechar a primeira metade do ano, o Paper of the Day traz justamente um raio-X completo desse primeiro semestre na bolsa, um período intenso que fez o mercado brasileiro flertar de perto com a barreira histórica dos 200 mil pontos.
Aqui está o seu the news money de hoje.
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| Ativo | Fechamento | 1 dia | YTD |
|---|---|---|---|
| Índices | |||
| Ibovespa | 172.024,13 | -0,68% | +7,15% |
| IFIX | 3.830,59 | +0,31% | +1,37% |
| S&P 500 | 7.499,36 | +0,79% | +9,55% |
| NASDAQ | 26.213,72 | +1,52% | +12,79% |
| DAX | 24.995,81 | +1,50% | +1,86% |
| FTSE 100 | 10.497,12 | +0,12% | +5,49% |
| Nikkei 225 | 70.062,32 | +0,86% | +35,17% |
| Shanghai | 4.094,40 | +0,50% | +1,76% |
| Moedas | |||
| Dólar | R$ 5,16 | -0,19% | -4,80% |
| Euro | R$ 5,91 | -0,17% | -6,93% |
| Libra | R$ 6,83 | -0,29% | -6,31% |
| Bitcoin | U$ 58.580,00 | -3,23% | -35,03% |
| Commodities | |||
| Brent (Barril) | U$ 73,00 | -1,88% | +19,71% |
| Minério de Ferro (Ton) | U$ 100,26 | -0,07% | -6,41% |
| Ouro (Onça troy) | U$ 4.007,38 | -0,29% | -7,91% |
| Soja (60kg) | R$ 133,58 | -0,24% | -5,27% |
| Milho (saca 60kg) | R$ 63,58 | +0,28% | -8,52% |
| Café Arábica (saca 60kg) | R$ 1.578,69 | +4,26% | -27,41% |
PAPER OF THE DAY
O semestre que começou em festa e termina em dúvida
Em abril, o Ibovespa quase bateu a marca dos 200 mil pontos pela primeira vez na história, acumulando 18 recordes consecutivos. O dólar flertava com R$ 4,90. Estrangeiros haviam injetado mais de R$ 57 bilhões na B3 desde janeiro, e o mercado apostava em Selic a 12% ainda este ano. Dólar fraco lá fora, atividade americana enfraquecendo, fluxo migrando para emergentes… tudo beneficiava o Brasil.
Esse tipo de ciclo, porém, tem prazo de validade, e o gatilho do fim veio do conflito entre Estados Unidos e Irã.

Google Finance
O choque no petróleo se espalhou pelas economias globais, fez bancos centrais reprecificarem juros, e tirou o pilar que sustentava a aposta no Brasil. Sem dólar fraco lá fora e sem fôlego curto na economia americana, o fluxo para cá simplesmente parou. Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, resume a inversão: em fevereiro o cenário era de dólar fraco e atividade americana fraca, tudo a favor do Brasil; hoje o país está exposto à euforia americana, com a inteligência artificial puxando capital de volta para lá.
Desde então, o resultado é uma reversão quase completa do visto até abril. O Ibovespa perdeu cerca de 15%, recuando para a casa dos 170 mil pontos. O dólar voltou a R$ 5,20. Do pico de R$ 57 bilhões, restam R$ 40,1 bilhões em capital estrangeiro na B3. E a Selic, que parecia caminho de 12%, hoje deve travar nos 14%, com parte do mercado apostando que o ciclo de corte já terminou.
Mas o mais revelador não é o tamanho da reversão, é o que ela expôs. O capital estrangeiro do início do ano não estava só comprando ativos brasileiros, estava encobrindo problemas que o país nunca resolveu. Fiscal, inflação e calendário eleitoral seguiam latentes, ofuscados pelo otimismo geral. Quando o fluxo se inverteu, essas questões domésticas voltaram ao centro do debate.
Isso já mudou a postura de grandes investidores. Bank of America, UBS e BTG classificaram o Brasil como neutro. A Verde zerou posições no real, apostando em novo fortalecimento do dólar. A Legacy mantém 80% do portfólio fora do país, com preferência por moedas ligadas à IA. O Itaú reforçou ações americanas e reduziu exposição brasileira, em bolsa e renda fixa.
O coro não é unânime, XP e Inter ainda defendem alta para o Ibovespa até dezembro, com projeções de 205 mil e 193 mil pontos, argumentando que a queda recente tornou os preços atrativos sem que os lucros tenham piorado.
Assim termina o semestre que começou com recordes e encerra dividido. A dúvida que vai definir os próximos seis meses: o tropeço foi passageiro, ou finalmente apareceu o Brasil que a euforia escondia?
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AGENDA
Segunda 29/06: IGP-M; PMI Industrial China
Terça 30/06: Índice de Evolução de Emprego do CAGED; Dívida Bruta/PIB; PIB Reino Unido
Quarta 01/07: PMI Industrial EUA
Quinta 02/07: Taxa de Desemprego nos EUA
Sexta 03/07: Balança Comercial; Dia da Independência EUA (Feriado)
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