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O retrato brasileiro do primeiro trimestre

O Brasil começou 2026 com uma temporada de resultados que prometia resiliência e números robustos. No entanto, diante da persistência das incertezas locais e do agravamento dos conflitos no Oriente Médio, o resultado final acabou divergindo das expectativas.

Good morning, Brasil.

O Ibovespa subiu 0,91%, aos 177.815 pontos, impulsionado pela queda do petróleo no exterior devido às conversas entre EUA e Irã. O volume financeiro, contudo, foi mais baixo por conta do feriado Memorial Day nos EUA.

Enquanto isso, os negócios por aqui ficaram aquecidos: a francesa Loxam, maior locadora de equipamentos da Europa, comprou o controle da Mills (MILS3) por R$ 3,8 bilhões. Paralelamente, a Kepler Weber (KEPL3) ampliou sua fatia na Procer para 62,6%; e um príncipe saudita avançou no futebol brasileiro ao comprar um time ao lado de Ronaldo e Roberto Carlos.

O Paper of the Day faz um raio-X do 1T26 no Brasil e mostra que o crescimento dos lucros perdeu tração em relação ao ano anterior. O grande vilão foi a despesa financeira, que disparou com a Selic nas alturas e engoliu os ganhos operacionais das empresas, entregando uma temporada de balanços que variou de neutra a fraca.

Aqui está o seu the news money de hoje.

QUICK TAKES

📎 Read: Os motivos que fazem investidores de Wall Street temerem o IPO da SpaceX, de Elon Musk (E-investidor)

▶️ Watch: Por que as Companhias Aéreas Brasileiras dão tanto PREJUÍZO? (Curioso Mercado)

#️⃣ Stat: 5 maneiras pelas quais o Papa Leão XIV afirma que a IA pode distorcer a humanidade (Axios)

🧊 Ice Breaker: Jato de R$ 420 mi, carro e helicóptero: Catarina Aviation vira hub de luxo (CNN Brasil)

MERCADOS

Fechamento 25/05/2026 – (20:00)

AtivoFechamento1 diaYTD
Índices
Ibovespa177.815,72+0,91%+10,76%
IFIX3.863,87+0,23%+2,25%
S&P 5007.473,470,00%+9,17%
NASDAQ26.343,970,00%+13,35%
DAX25.389,10+2,01%+3,46%
FTSE 10010.466,260,00%+5,18%
Nikkei 22565.158,19+2,87%+25,71%
Shanghai4.152,57+0,96%+3,21%
Moedas
DólarR$ 5,01-0,32%-7,49%
EuroR$ 5,84-0,17%-8,03%
LibraR$ 6,77-0,29%-7,13%
Bitcoin$77.318,00+0,30%-14,25%
Commodities
Brent (Barril)$96,70-5,69%+58,58%
Minério de Ferro (Ton)$109,670,00%+2,37%
Ouro (Onça troy)$4.569,32+1,30%+5,00%
Soja - Paranaguá (60kg)R$ 129,910,22%-7,87%
Milho (saca de 60kg)R$ 65,39-0,12%-5,91%
Café Arábica (saca de 60kg)R$ 1.643,77+1,92%-24,42%
Maiores altas
ASAI3
+8,06%
R$ 9,11
CEAB3
+6,70%
R$ 11,94
CYRE3
+6,68%
R$ 22,67
DIRR3
+5,77%
R$ 13,56
POMO4
+4,89%
R$ 6,22
Maiores baixas
PRIO3
-5,98%
R$ 64,31
USIM5
-3,19%
R$ 10,02
PETR3
-2,91%
R$ 48,69
PETR4
-2,43%
R$ 43,40
MBRF3
-2,17%
R$ 16,23

POR QUE O MERCADO SE MOVEU:

  • (+) B3SA3 +3,60% — JPMorgan elevou o preço-alvo das ações após atualização de projeções e considerando o programa de recompra de ações da companhia.

  • (+) LREN3 +2,26% — Lojas Renner foi um dos papéis mais negociados do dia, com o varejo acompanhando o recuo dos juros futuros e o humor mais positivo do mercado.

  • (-) PETR4 -2,43% / PETR3 -2,91% — Queda direta do petróleo no exterior: o Brent recuou mais de 5% a US$ 96,70, pressionado pelo avanço das negociações com o Irã, que abrem perspectiva de mais oferta no mercado global.

PAPER OF THE DAY

O retrato brasileiro do primeiro trimestre

O Brasil começou 2026 com uma temporada de resultados que prometia resiliência e números robustos. No entanto, diante da persistência das incertezas locais e do agravamento dos conflitos no Oriente Médio, o resultado final acabou divergindo das expectativas.

Dados de 342 empresas não financeiras de capital aberto compilados pelo Valor Data revelam que a receita líquida somou R$ 877,8 bilhões no primeiro trimestre, avanço de 5% em termos anuais. Já o lucro líquido foi para o outro lado, com queda de 4,2% (para R$ 46,3 bilhões). Ou seja, o faturamento segue em alta, mas as margens estão pressionando cada vez mais o resultado final.

  • O pano de fundo para essa compressão é a taxa Selic, que encerrou março em 14,75% e fez as despesas financeiras líquidas das companhias saltarem 31% em doze meses. Embora o EBITDA tenha avançado 5,2% (para R$ 171,3 bilhões), o ganho operacional foi engolido pela conta dos juros.

  • O freio na atividade fica ainda mais claro quando comparamos com números recentes: o crescimento das receitas foi de 14% no ano passado para 5% neste trimestre. Ou seja, descontada a inflação de 4,1%, o crescimento real do ambiente corporativo caminhou de lado, próximo de zero.

Gráfico: Valor Data

Além do Brasil, o cenário externo também não colaborou. A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã empurrou o petróleo acima de US$ 100 por barril e, embora esse preço seja a marca do segundo trimestre, os reflexos já apareceram nas últimas semanas do primeiro. O resultado foi um efeito cascata: fretes mais caros, matérias-primas pressionadas, crédito restrito e consumo doméstico perdendo fôlego. Diante disso, analistas do Santander, Itaú BBA e BTG Pactual convergiram para o mesmo diagnóstico: a temporada foi de neutra a fraca.

Dois fatores evitaram um desempenho ainda pior. O setor de commodities funcionou como um amortecedor, com gigantes como Vale, Gerdau e Petrobras sustentando os números agregados graças ao seu porte e à diversificação de portfólio. Paralelamente, os estímulos fiscais do governo garantiram algum fluxo de consumo em frentes específicas.

Nos calls de resultados, expressões como "defesa da rentabilidade" e "desalavancagem" estiveram entre as mais repetidas, escancarando a postura defensiva das lideranças corporativas.

A verdadeira "prova real", contudo, ficou para o segundo trimestre. O impacto cheio do petróleo em patamares elevados, sentido apenas de relance em março, será refletido de maneira total. Se para exportadoras como Petrobras e Prio o Brent acima de US$ 100 significa um vento a favor no faturamento, para o restante da economia doméstica o efeito é puramente de inflação de custos.

  • Para completar o cenário desafiador, o fluxo de capital estrangeiro, que no início do ano via o Brasil como um porto seguro, já começa a migrar para outros mercados.

Caberá aos próximos meses dizer se este início de ano foi apenas um tropeço temporário ou a largada de uma tendência mais amarga.

APRESENTADO POR GM FINANCIAL

EBITDA escondido na garagem da sua empresa

O mercado não discute mais se vale a pena a terceirização de frotas, os números já mostram isso. Enquanto a locação tradicional cresceu apenas 3,8% nos últimos anos, a frota de carros por assinatura saltou 275% no Brasil.

Essa virada estrutural foi exatamente o que a GM Fleet observou nos seus 3 anos no Brasil. Com mais de 4.000 veículos sob gestão em 500 das principais empresas do país, o aprendizado foi claro:

💡 O argumento que mais converte os CFOs deixou de ser a mensalidade fixa — passou a ser devolver o foco ao que a empresa faz para crescer.

Hoje, 80% das frotas corporativas brasileiras ainda são próprias. Em mercados maduros como EUA e Europa, mais da metade já é terceirizada. A questão deixou de ser se o mercado brasileiro chega lá. É quando.

HEADLINES

World Big News

  • Papa pede regulamentação rigorosa da IA ​​em manifesto que reflete sobre o futuro da humanidade (AP News)

  • Rússia ameaça com mais ataques em Kyiv e pede que estrangeiros deixem o país (BBC)

  • Premiê do Japão planeja orçamento de quase US$ 19 bi para custo de vida (CNN Brasil)

Governo, Tesouro, BC e Brasília

  • Após reunião com Lula, Motta diz que PEC do fim da escala 6x1 prevê jornada de 40 horas sem corte de salário e transição de um ano (g1)

  • Sob Lula, “estatal do Centrão” supera Bolsonaro com R$ 2,8 bilhões em doações (Metrópoles)

  • Governo teme que R$ 30 bi em depósitos judiciais no BRB fiquem travados em eventual liquidação (Valor)

Economia Real, Agro e Commodities

  • BNDES aprova R$ 300 mi para Magalu Cloud ampliar serviço de armazenamento em nuvem (ABN)

  • Fundo chinês da Nova Rota da Seda compra fatia na Aliança Energia e amplia avanço de Pequim no Brasil (InvestNews)

  • Ministério Público pede banimento do glifosato e amplia pressão sobre Bayer no Brasil (Bloomberg Línea)

Faria Lima, Wall Street, Euro, Ásia

  • Iguá Saneamento recebe aporte de R$ 700 milhões de fundos canadenses e BNDESPar (Brazil Journal)

  • JBS entra na prévia do Russell 3000 e pode atrair US$ 190 milhões, diz Morgan Stanley (BM&C)

  • B3 ganha ETFs de ouro e tecnologia militar em meio à escalada das guerras (E-investidor)

Tech, Silicon Valley, Startups, VC, Criptos

  • Trinio, empresa de soluções para otimização de operações de e-commerce, acaba de levantar uma rodada seed de R$ 32 milhões, liderada pelo fundo mexicano Hi Ventures (Startups)

  • Tako, de fundadores de Rappi e DogHero, desafia Enter na IA trabalhista e mira R$ 50 mi no 1º ano (Pipeline Valor)

IPO, M&A, Private Equity e Special Sits

  • Maior locadora de equipamentos da Europa, Loxam compra controle da Mills por R$ 3,8 bilhões (InvestNews)

  • Kepler Weber amplia participação na Procer para 62,6% (Money Times)

  • Príncipe saudita avança no futebol brasileiro e adquire Inter de Limeira ao lado de Ronaldo e Roberto Carlos (Antenados)

APRESENTADO POR SALVY

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GRÁFICO DO DIA

Negócios entre a Odebrecht (Novonor) e Vorcaro na venda de prédios de luxo no Brasil (Metrópoles)

Gráfico: Metrópoles

AGENDA

Segunda 25/05: Memorial Day (Feriado EUA)

Terça 26/05: Investimento Estrangeiro Direto

Quarta 27/05: IPCA-15

Quinta 28/05: IGP-M; Taxa de Desemprego; PCE (EUA); PIB EUA

Sexta 29/05: PIB Brasil; Dívida Bruta/PIB

MEMES SESSION

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