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Os riscos do petróleo
A escalada das tensões no Oriente Médio recolocou o petróleo no epicentro do risco global

Good morning, Brasil.
A semana chega ao fim marcada pela volatilidade e por uma incerteza que ainda cerca o horizonte dos mercados. Com o petróleo Brent chegando a baterr US$ 120, os bancos centrais ao redor do mundo adotaram um tom de cautela máxima, segurando o passo diante do receio inflacionário global.
Em Brasília, o clima é de "contagem regressiva": tudo indica que Daniel Vorcaro deve, de fato, prosseguir com o plano de delação com a Polícia Federal. O mercado e os bastidores políticos aguardam o que deve vir à tona, já que as revelações prometem movimentar os próximos dias.
O Paper of the Day traz a visão de Alex André sobre a escalada do petróleo — uma análise sobre os drivers desse preço e como esse choque de energia impacta diretamente as economias.
Aqui está o seu the news money de hoje.
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PAPER OF THE DAY
Os riscos do petróleo
Por Alex André
—
![]() | Alex André é head corporate access da MZ Group, economista, comentarista e apresentador da BM&C News. Atua também como comentarista nos principais canais de TV do Brasil, com foco em economia, geopolítica e política, trazendo leituras estratégicas e interpretações claras sobre os movimentos que impactam mercados e decisões globais. |
A escalada das tensões no Oriente Médio recolocou o petróleo no epicentro do risco global. Após os ataques dos Estados Unidos contra o Irã, o Brent voltou a subir, não por uma ruptura concreta, mas pela reprecificação de cenários possíveis. E, neste momento, o mercado está olhando para um ponto específico do mapa: o Estreito de Ormuz.
Segundo estimativas do Goldman Sachs, os impactos no preço do petróleo, em caso de disrupção por um mês no fluxo pela região, seriam aproximadamente:
+US$15 por barril em caso de fechamento total, sem compensações
+US$12 por barril se cerca de 4 milhões de barris/dia de capacidade alternativa forem utilizados
+US$10 por barril se, além disso, houver liberação de cerca de 2 milhões de barris/dia das reservas estratégicas
+US$4 por barril em caso de disrupção de 50%
+US$1 por barril em caso de disrupção de 25%

Gráfico: Bloomberg
A capacidade ociosa global preferencial é estimada em cerca de 3,7 milhões de barris por dia, volume que pode ser ativado em até 30 dias e sustentado por aproximadamente 90 dias. Existe uma capacidade teórica maior, próxima de 5,8 milhões de barris/dia, concentrada principalmente na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos.
O que esses números revelam é um ponto crucial: o sistema global de petróleo tem algum grau de amortecimento, e ele é limitado, concentrado e, sobretudo, temporário.
A diferença entre um choque de US$15 e US$10 por barril não parece grande à primeira vista, mas carrega uma mensagem importante: mesmo com uso das reservas e de capacidade ociosa, o mercado ainda não descarta a possibilidade de uma disrupção relevante.
Ou seja, o prêmio de risco continua lá, apenas sendo administrado em alguma medida.
Outro insight relevante está na assimetria dos cenários. Pequenas interrupções (25% ou 50%) geram impactos relativamente modestos no preço.
Mas, à medida que o cenário se aproxima de uma ruptura total, o efeito deixa de ser linear e passa a ser exponencial. Isso mostra que o mercado teme menos a volatilidade e mais o evento extremo.
E é justamente esse risco de cauda que começa a ser precificado.
Além disso, a concentração da capacidade ociosa em poucos países adiciona uma camada geopolítica adicional. Em um cenário de crise, a resposta global depende de decisões políticas específicas. Isso aumenta a incerteza e reduz a previsibilidade.
Para a economia global, o efeito é direto: petróleo mais caro significa pressão inflacionária, especialmente em energia e alimentos.
Para bancos centrais, isso complica o ciclo de juros.
Para países como o Brasil, o impacto é ambíguo e melhora as receitas externas, mas pressiona o custo de vida.
No fim, o gráfico do Brent que acompanha este movimento não conta apenas uma história de oferta e demanda. Ele conta uma história de risco sendo incorporado em tempo real.

Gráfico do Brent: Investing
E talvez o principal recado seja este: o mercado não está precificando uma crise. Porque, no petróleo, o problema nunca é o que já aconteceu. É o que ainda pode acontecer.
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Tabela: @CharlieBilello
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Terça 17/03: —
Quarta 18/03: Taxa de Juros Selic; Taxa-alvo FED
Quinta 19/03: Taxa de Juros Japão; Taxa de Juros Reino Unido
Sexta 20/03: —
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