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Por que as varejistas quebram tanto?

Domingo à noite marcou o desfecho de uma queda que já se desenhava há meses. A Casas Bahia protocolou pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo

Good morning, Brasil.

O Ibovespa fechou quase estável nesta segunda-feira, pressionado pelo setor bancário em meio às crescentes preocupações com o cenário de crédito no país, além, claro, dos impactos do pedido de recuperação judicial da Casas Bahia.

Nos negócios, a inadimplência bateu recorde e já atinge mais de 9,1 milhões de empresas no país. Na temporada de resultados, a Boa Safra registrou lucro no trimestre e anunciou carteira recorde de R$ 1,8 bilhão, enquanto a XP Inc. reportou lucro líquido de R$ 1,38 bilhão no 2º tri, uma alta anual de 5%.

E falando em inadimplência e Casas Bahia, no Paper of the Day explicamos em detalhes o que está acontecendo com a varejista e ajudamos a responder à pergunta: afinal, por que as gigantes do varejo parecem sempre quebrar no Brasil?

Aqui está o seu the news money de hoje.

QUICK TAKES

📎 Read: Essa família brasileira revelou ter mais de US$ 100 milhões em ações da SpaceX (Bloomberg Línea)

▶️ Watch: Gilmar Mendes: o homem mais poderoso do Brasil (Spotniks)

#️⃣ Stat: Prévia do PIB, IBC-Br cai 0,6% em junho, um pouco pior do que o esperado (InfoMoney)

🧊 Ice Breaker: Nubank pode lucrar mais que o Itaú no varejo já este ano, diz JP Morgan (Brazil Journal)

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AtivoFechamento1 diaYTD
Índices
Ibovespa166.783,56-0,09%+3,51%
IFIX3.654,70-0,86%-3,29%
S&P 5007.745,06-0,52%+13,14%
NASDAQ26.644,91-0,32%+14,64%
DAX26.338,61-0,38%+7,55%
FTSE 10010.720,30-0,28%+7,94%
Nikkei 22569.220,25+0,74%+37,10%
Shanghai3.982,65+1,41%+0,35%
Moedas
DólarR$ 5,20-0,19%-4,06%
EuroR$ 6,02-0,33%-5,20%
LibraR$ 7,05-0,14%-3,29%
BitcoinU$ 64.316,00+2,31%-28,67%
Commodities
Brent (Barril)U$ 91,15+2,97%+49,48%
Minério de Ferro (Ton)U$ 94,95-0,23%-11,37%
Ouro (Onça troy)U$ 4.423,28+1,10%+1,64%
Soja (60kg)R$ 150,14+0,80%+6,47%
Milho (saca 60kg)R$ 66,71+0,54%-4,01%
Café Arábica (saca 60kg)R$ 1.784,82-0,52%-17,93%
Maiores altas
MGLU3
+8,18%
R$ 4,23
BEEF3
+5,94%
R$ 3,39
BRKM5
+5,48%
R$ 5,20
PRIO3
+5,03%
R$ 61,58
UGPA3
+4,80%
R$ 33,82
Maiores baixas
SUZB3
-3,45%
R$ 40,58
CSAN3
-2,72%
R$ 3,22
HYPE3
-2,46%
R$ 20,98
BBAS3
-2,34%
R$ 17,95
HAPV3
-2,23%
R$ 6,58

PAPER OF THE DAY

O varejo brasileiro já viu esse filme antes

O domingo à noite marcou o desfecho de uma queda que já se desenhava há meses. A Casas Bahia protocolou pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo, com passivo de R$ 17,3 bilhões, boa parte dívida com fornecedores e credores sem garantia, e R$ 754 milhões trabalhistas.

  • O pedido reúne nove empresas do grupo, entre elas a fabricante de móveis Bartira e a Cnova, e pede liminar para travar o vencimento antecipado de dívidas e impedir que transportadoras retenham mercadorias.

A crise veio à tona junto do balanço do segundo trimestre, com prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões, dezoito vezes maior que um ano antes, e com um patrimônio líquido negativo de R$ 8,27 bilhões. A rede já havia fechado 298 lojas de uma vez, e os desligamentos já superam os três mil citados na petição.

Agora, a companhia já negocia um DIP financing de cerca de R$ 1 bilhão com Banco do Brasil e Bradesco, que dá ao credor prioridade de pagamento e só existe pela via judicial. Parte desse valor iria para recompor o estoque, pressionado porque fornecedores passaram a exigir pagamento à vista. Além disso, a empresa ainda tenta destravar R$ 2 bilhões em depósitos judiciais e parcelar dívidas tributárias, mirando economia de R$ 2 bilhões por ano e com 60 dias para apresentar um plano aos credores.

Para completar, ontem, o próprio CEO disse: "Não trabalhamos com melhora no cenário macro. Consideramos que 2027 será pior que 2026" (…) "O endividamento vai continuar e algumas alavancas que deram fôlego para o consumo este ano vão criar um passivo no futuro, o que pode gerar uma deterioração do cenário de crédito"

  • O caso reacende um problema recorrente do setor. Juros altos encarecem capital de giro e crediário, elevando a inadimplência. Quando o crédito aperta, fornecedores e seguradoras reduzem linhas, os estoques encolhem e as vendas caem, sendo um ciclo que se retroalimenta. A concorrência de marketplaces e de produtos chineses comprime ainda mais as margens de quem depende (muito) de loja física.

E na história, o país já viu esse filme. No fim dos anos 1990, Mappin e Mesbla ruíram atoladas em dívidas e questionamentos na gestão, caminho também seguido pela Arapuã. Anos depois, a Ricardo Eletro, que até chegou a entrar no Guinness Book pelo volume de vendas, também fechou as portas. E mais recentemente, em 2023, as Americanas expuseram uma fraude de R$ 43 bilhões que redesenhou de vez a percepção de risco de todo o setor.

Não existe resposta única para por que tantas varejistas brasileiras quebram. O país tem centenas de histórias de sucesso no setor, moldadas por décadas de crescimento populacional, consumo em expansão e grandes empreendedores. Mas, por aqui, as empresas operam sob um sistema tributário complexo, incerteza regulatória, gestões nem sempre bem executadas e, agora, com concorrentes internacionais capitalizados e mais tecnológicos. Os ciclos se repetem, e a Casas Bahia não foi a primeira nem será a última.

APRESENTADO POR BANCO BV

Quanto tempo sua empresa perde com processos que já poderiam ser digitais?

Por muito tempo, lidar com recebíveis significou processos burocráticos e pouco ágeis. Agora, em um cenário cada vez mais digital, a duplicata escritural começa a mudar essa lógica.

Em vez de um fluxo complexo para registrar e movimentar duplicatas, a versão escritural é como um título emitido e escriturado 100% em sistema eletrônico. Isso reduz a burocracia e torna todo o processo mais eficiente e seguro.

O Banco BV acompanha essa evolução e ajuda empresas e instituições financeiras a entenderem como essas mudanças podem simplificar etapas e abrir novas possibilidades de crescimento.

HEADLINES

World Big News

  • Político russo crítico da guerra na Ucrânia é condenado a 11 anos de prisão e teve seu partido banido de eleições (DW)

  • EUA trocam chefe de escritório responsável pelas relações com Brasil e América Latina (g1)

  • A aprovação de Trump cai para 33%, o menor índice de sua presidência, segundo pesquisa Reuters/Ipsos (Reuters)

Governo, Tesouro, BC e Brasília

  • PF acha mensagens de Roberta Luchsinger falando de negócios com Lulinha: "Nosso futuro é Suíça" (Metrópoles)

  • Dino fala em "ecossistema criminoso" de desvio de verba no Maranhão (CNN)

  • Após reaproximação, Alcolumbre e Lula trocam afagos em evento da Petrobras no Amapá (g1)

Economia Real, Infra, Agro e Commodities

  • Inadimplência atinge mais de 9,1 milhões de empresas no país e bate recorde (CNN)

  • Boa Safra registra lucro no trimestre e anuncia carteira recorde de R$ 1,8 bi (AG Feed)

  • Dólar em alta e demanda global impulsionam o preço da soja no Brasil segundo o Cepea (Canal Rural)

Faria Lima, Wall Street, Euro, Ásia

  • Fitch rebaixa nota de crédito da Braskem após falta de pagamento de juros (Times Brasil)

  • XP Inc. (XPBR31) registra lucro líquido de R$ 1,38 bilhão no 2º tri, alta anual de 5% (InfoMoney)

  • Grandes empresas dos EUA abandonam políticas de diversidade e eliminam critérios na formação de conselhos e cargos C-level (Bloomberg Línea)

Tech, Silicon Valley, Startups, VC, Criptos

  • A debandada de talentos da OpenAI levanta uma "grande red flag" às vésperas do IPO (CNBC)

  • O VC por trás da compra do OnlyFans quebra o silêncio e detalha investimento na plataforma (Brazil Journal)

  • A Nvidia fornecerá uma garantia de até US$ 105 bilhões para o data center da OpenAI (Semafor)

IPO, M&A, Private Equity e Special Sits

  • Italac firma contrato para comprar marcas Líder e Tânia e ativos da A. R.C. A operação envolve três fábricas e postos de captação de leite em quatro estados (Canal Rural)

  • Em nova aquisição, o Grupo Ferrero está adquirindo a Purely Elizabeth, uma marca líder em bem-estar moderno nos EUA (Ferrero)

  • Mais redução: Shein reduziu a avaliação da empresa para cerca de US$ 25 bilhões em seu IPO em Hong Kong (Reuters)

GRÁFICO DO DIA

AGENDA

Segunda 17/08: IBC-Br

Terça 18/08:

Quarta 19/08: IPC Reino Unido; Ata da Reunião do FOMC (EUA)

Quinta 20/08: seis&seis the news

Sexta 21/08: PMI Industrial e Serviços (EUA)

MEMES SESSION

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