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Por que o Brasil é uma tese "Anti-AI"
O JPMorgan elevou o Brasil de neutro para overweight, desfazendo o rebaixamento de 11 de agosto e financiando a mudança com o corte do Chile para neutro.

Good morning, Brasil.
O Ibovespa voltou a fechar no terreno positivo com o suporte das ações da Petrobras, impulsionadas pela nova alta do petróleo no exterior. Além disso, a divulgação da primeira pesquisa Datafolha para o segundo turno passa a calibrar as expectativas e balizar o ritmo das apostas no mercado doméstico.
Nos negócios, os gestores mantêm o otimismo com o rali das Small Caps no Brasil; o iFood avançou nas negociações para adquirir a startup de benefícios Caju; e a SpaceX, de Elon Musk, adquiriu licenças de espectro para impulsionar o Starlink Mobile e também se posicionar como operadora de telefonia móvel.
No Paper of the Day, analisamos o relatório do JPMorgan que classifica o Brasil como uma tese "Anti-AI": quais são as razões e os fundamentos econômicos por trás dessa visão do banco?
Aqui está o seu the news money de hoje.

| Ativo | Fechamento | 1 dia | YTD |
|---|---|---|---|
| Índices | |||
| Ibovespa | 206.220,23 | +0,94% | +27,99% |
| IFIX | 3.949,64 | -0,14% | +4,52% |
| S&P 500 | 7.765,36 | -0,47% | +13,44% |
| NASDAQ | 27.193,34 | -1,25% | +17,00% |
| DAX | 24.806,97 | -1,18% | +1,29% |
| FTSE 100 | 10.441,60 | -0,16% | +5,14% |
| Nikkei 225 | 69.042,11 | -1,42% | +37,15% |
| Shanghai | 3.811,90 | -0,79% | -3,95% |
| Moedas | |||
| Dólar | R$ 5,02 | +0,80% | -7,38% |
| Dólar Digital (USDC) | R$ 5,02 | +0,80% | -7,38% |
| Euro | R$ 5,63 | +0,18% | -11,34% |
| Libra | R$ 6,64 | +0,03% | -8,92% |
| Bitcoin | U$ 81.845,00 | -1,52% | -9,23% |
| Commodities | |||
| Brent (Barril) | U$ 103,74 | +2,73% | +70,12% |
| Minério de Ferro (Ton) | U$ 90,98 | -0,16% | -15,08% |
| Ouro (Onça troy) | U$ 4.139,79 | +0,63% | -4,87% |
| Soja (60kg) | R$ 154,91 | +0,66% | +9,86% |
| Milho (saca 60kg) | R$ 67,18 | -0,09% | -3,34% |
| Café Arábica (saca 60kg) | R$ 1.544,99 | -1,38% | -28,96% |
PAPER OF THE DAY
O que o JPMorgan quis dizer com "mercado anti-AI"
Em 5 de outubro, um dia depois do primeiro turno, o JPMorgan elevou o Brasil de neutro para overweight, desfazendo o rebaixamento de 11 de agosto e financiando a mudança com o corte do Chile para neutro.
O banco espera que o MSCI Brasil suba 12% no curto prazo e chegue a 20%, com o real mais forte abrindo espaço para cortes mais rápidos da Selic e o múltiplo saindo de 8,9 para 10,9 vezes o lucro projetado.
No mesmo relatório, na lista de riscos, o banco escreve que o Brasil tem a vantagem (ou desvantagem) de ser o "mercado anti-AI", uma espécie de hedge entre emergentes. A frase vem sem explicação, e quem desenvolve a lógica por trás dela é Drew Crawford da Austral Continental, consultoria que leva capital americano a ativos reais brasileiros.

Imagem gerada por inteligência artificial
O raciocínio dele parte de um padrão histórico: toda mania tecnológica começa com uma invenção real, atrai uma fortuna que a multidão imagina e que não existe, quebra, e o dinheiro que sobra vai para os insumos físicos que a máquina consome. Foi assim com as ferrovias em 1873 e com a fibra óptica nos anos 2000, depois da qual, diz ele, o capital migrou para commodities e o Brasil viveu sua melhor década financeira moderna.
A AI, argumenta, é a mais física das máquinas. Segundo a Agência Internacional de Energia, citada por ele, os data centers consumiram cerca de 415 terawatts-hora em 2024, número que deve mais ou menos dobrar até 2030, e o Brasil estaria entre os poucos países com os recursos que isso exige: cerca de 85% da eletricidade renovável e em sobra, além de cobre, grafite e terras raras, insumos que a disputa entre Estados Unidos e China transformou em instrumento de Estado. Ele mesmo ressalva que as reservas são vastas e a produção, pequena, pois o país extraiu cerca de 2 mil toneladas de terras raras em 2025 e não tem planta de separação.
É uma leitura de prazo longo, e o JPMorgan também mantém o pé no chão: o banco condiciona um avanço sustentado à clareza sobre a equipe econômica e a agenda de reformas, além do cenário externo, com os emergentes acumulando três semanas de saída de recursos.
Em resumo, o Brasil é anti-AI porque não tem as ações do ciclo, mas pode ser a base da AI porque tem a energia e os minerais que o ciclo consome. A primeira parte da tese já está nas conversas do mercado, já a segunda, vai depender da execução.
Fontes: JPMorgan, Austral Continental
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QUICK TAKES
AGENDA
Segunda 05/10: PMI Serviços EUA; Feriado China
Terça 06/10: Balança Comercial BRA; Feriado China
Quarta 07/10: Ata da reunião do FOMC; Feriado China
Quinta 08/10: Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego EUA
Sexta 09/10: IPCA
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