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Mais um caso na esteira do Master
O Banco Pleno não nasceu ontem. É o fim de uma linha que começa em 1967, quando o Banco Comind e Sérgio Barbosa fundaram uma corretora chamada Indusval

Good morning, Brasil.
Enquanto o Brasil volta a engatar a marcha para o ano, mais uma liquidação foi realizada pelo Banco Central — agora já pode pedir música. Dessa vez foi o Banco Pleno... que já foi Indusval, Voiter. Bom, você vai entender essa história melhor no Paper of the Day.
Lá fora, as atenções se voltam novamente para a movimentação das tropas americanas em direção ao Oriente Médio, já que dezenas de aviões militares foram identificados voando para o continente.
Destaque também para a ata do Fed: o impacto da inteligência artificial no emprego e na produtividade agora faz parte do debate dos membros do comitê.
Aqui está o seu the news money de hoje.
QUICK TAKES
📎 Read: Warren Buffett revive interesse em mídia e investe no The New York Times em movimento inesperado (NeoFeed)
▶️ Watch: A armada de Trump que avança para o Irã (WSJ)
#️⃣ Stat: Rombo no FGC é quase metade do lucro de “bancões” em 2025 (Metrópoles)
🧊 Ice Breaker: De obras de arte a imóveis de luxo: a caça de liquidante do Banco Master a bens de Vorcaro nos EUA (InvestNews)
PAPER OF THE DAY
Mais um caso na esteira do Master
O Banco Pleno não nasceu ontem: sua história remonta a 1967, quando o Banco Comind e Sérgio Barbosa fundaram a corretora Indusval — uma das mais respeitadas da Bolsa do Rio nas décadas seguintes. Em 1991, a instituição virou banco de fato, cresceu no middle market, fundiu‑se com o Multistock em 2004 e abriu capital em 2007.
Os problemas vieram em ondas. A recessão no governo Dilma e o calote da trading Ceagro, um grande cliente que a instituição acusa de fraude com cédulas de produto rural, foram o primeiro baque sério. Em 2011, entraram novos sócios: o fundo Warburg Pincus e Jair Ribeiro, do antigo banco Patrimônio. Não resolveu. Em 2017, o banco vendeu 70% da corretora Guide à chinesa Fosun para cobrir capital — um erro estratégico que só ficou evidente depois, quando a Guide se tornou uma das primeiras grandes plataformas de investimento do Brasil.

Imagem: Divulgação
Pelo caminho, o banco quase foi vendido ao Santander em 2015. Quase vendeu a licença do Letsbank ao Nubank e quase fechou com um fundo de private equity americano — mas o escândalo da gravação de Temer por Joesley Batista em 2017 fez a operação naufragar. Uma sequência de possibilidades que ficaram pelo caminho, como definiu o próprio Valor à época.
Rebatizado de Voiter, o banco tentou nova reestruturação com a Estáter em 2019. Também não deu. Em 2024, o ex‑Voiter foi incorporado ao conglomerado do Banco Master. Em julho de 2025, o Banco Central aprovou a transferência de controle para Augusto Ferreira Lima, ex‑sócio e executivo do próprio Master. Assim nasceu o Pleno.
Mas como alguns já falavam, o Pleno já era um “morto-vivo” e essa liquidação não surpreende.
Os números
O passivo girava em torno de R$ 6,8 bilhões. Cerca de R$ 5,2 bilhões eram CDBs vendidos ao varejo com taxas bem acima do CDI. O FGC estima 160 mil credores e um desembolso de até R$ 4,9 bilhões. O banco ainda tentou pedir R$ 800 milhões emprestados ao próprio FGC antes da liquidação. A J&F e o BTG, sondados como compradores, também passaram.
E agora?
O Pleno vai afetar o sistema? Em tese, não: ele representa apenas 0,04% do ativo total do SFN. Isso é apenas mais “um detalhe” diante do tamanho do rombo já feito.
A pergunta que agora fica é: qual será o próximo da vez? Porque esse roteiro não é novo. Além de todos esses casos recentes, nomes do passado também mostram um padrão modelo: um banco cresce rápido, capta caro usando o guarda‑chuva do FGC como argumento implícito e, quando a conta chega, o fundo paga e o BC anuncia revisão de regras.
Takeaway: O que foi liquidado hoje não é apenas o Banco Pleno, mas o fim de uma instituição com quase seis décadas de história, que sobreviveu a recessões, calotes e reestruturações, mas que não resistiu à combinação de problemas antigos com o cenário atual.
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