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Quem está na mesa da Raízen?
A crise da Raízen pode ser o gatilho de uma reconfiguração estrutural no mercado de distribuição de combustíveis no Brasil

Good morning, Brasil.
Os mercados digerem as recuperações judiciais no Brasil e os efeitos da guerra no Oriente Médio, acompanhando de perto as movimentações no Estreito de Ormuz. Além disso, hoje também é dia de IPCA por aqui.
Em Brasília, mais peças se movimentam sobre o Caso Master: o ministro Toffoli se declarou suspeito e deixou a relatoria do processo, que agora passa para as mãos de Zanin.
O Paper of the Day traz uma visão clara: o que está na mesa para a Raízen nos próximos 90 dias?
Aqui está o seu the news money de hoje.
QUICK TAKES
📎 Read: Risco de downgrade avança no Brasil e ameaça empresas de alta qualidade em meio à "tempestade perfeita" (NeoFeed)
▶️ Watch: Vibra Energia: a estratégia para manter as margens e reduzir a dívida (InvestNews)
#️⃣ Stat: Mais da metade da dívida da Raízen está com cinco grupos de credores. Veja lista (Globo Rural)
🧊 Ice Breaker: Terminal BTG Pactual, em Guarulhos, amplia capacidade com aposta na altíssima renda (Bloomberg Línea)
PAPER OF THE DAY
Quem está na mesa da Raízen?
Na noite de 10 de março, a Raízen protocolou pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo, com R$ 65 bilhões em dívidas financeiras. As ações, que estrearam a R$ 7,40 no IPO de 2021, chegaram ao pedido valendo cerca de R$ 0,50; quem investiu R$ 1.000 IPO teria hoje algo próximo de R$ 67.
A história de como se chegou aqui é conhecida: crescimento acelerado financiado por dívida, investimentos em etanol de segunda geração que não entregaram retorno, aquisição da Biosev mal digerida e juros altos que tornaram a alavancagem insustentável. Pelo caminho, a Raízen foi se desfazendo de ativos e encerrou a joint venture com a mexicana Femsa, saindo da operação da rede Oxxo no Brasil.
O pedido também teve um “timing” relevante: a empresa teria vencimentos na casa de R$ 1 bilhão nesta semana, ligados a títulos de dívida, inclusive CRAs. O protocolo interrompe esses pagamentos e suspende o serviço das demais dívidas financeiras por 90 dias, enquanto fornecedores e funcionários continuam sendo pagos.
O risco que a Raízen buscava evitar era o efeito dominó: seus contratos de financiamento têm cláusulas de cross-default que poderiam antecipar o vencimento de dezenas de bilhões em obrigações caso qualquer pagamento fosse descumprido — preocupação que já vinha aparecendo também na estrutura de dívidas da Cosan.

Imagem: Divulgação Raízen
Próximos passos
O plano combina aporte dos controladores com reestruturação da dívida. De um lado, a Shell se comprometeu a colocar R$ 3,5 bilhões e Rubens Ometto, via Aguassanta, mais R$ 500 milhões. Do outro, credores aceitam converter uma fatia relevante da dívida em participação acionária, reduzindo a alavancagem atual.
Esse pacote financeiro vem acoplado a um programa de venda de ativos que já estava em processo: usinas no Brasil e, sobretudo, a operação na Argentina (refinaria de Dock Sud e cerca de 700 postos sob a bandeira Shell), que pode levantar algo na casa de US$ 1 bilhão. O problema é que credores calculam que seria necessária uma capitalização bem maior do que os R$ 4 bilhões hoje colocados na mesa para reequilibrar a estrutura. Ao mesmo tempo, o CEO, Nelson Gomes, comunicou que a alavancagem atual levou a Raízen a um ponto em que a execução operacional sozinha não basta, e que reduzir o endividamento virou prioridade, com aporte dos controladores e desinvestimentos como peças obrigatórias dessa equação.
A Cosan, que era esperada como parte relevante da solução, recuou das negociações de capitalização, deixando a Shell sozinha à mesa. O que parecia um plano coordenado virou uma equação com variáveis abertas e com 90 dias para fechar.
Quem está sentado na mesa
Antes do Carnaval, o presidente Lula convocou uma reunião em Brasília com representantes da Cosan, da Shell, do BTG, de Fernando Haddad, da Petrobras e da cúpula do BNDES. Segundo fontes próximas às discussões, um dos temas foi a possibilidade de venda de ativos estratégicos da Raízen para a Petrobras. A ideia não avançou naquele momento porque ainda havia propostas alternativas dos acionistas na mesa, mas, se essas alternativas não forem adiante, o governo volta a aparecer como peça relevante na equação.
E enquanto o governo pode estar de olho na Raízen, é bom lembrar que a J&F também está de olho na Rede Ipiranga. O Ultra contratou o BTG Pactual para vender a distribuidora, e TotalEnergies, Saudi Aramco e J&F aparecem entre os interessados. Nesse cenário, não é absurdo imaginar o grupo dos irmãos Batista também aparecendo nas conversas sobre o futuro da própria Raízen.
Esse é o takeaway que vale guardar: a crise da Raízen pode ser o gatilho de uma reconfiguração estrutural no mercado de distribuição de combustíveis no Brasil com a J&F potencialmente ganhando uma grande relevância nesse setor.
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GRÁFICO DO DIA

Tabela: @renatobreia
AGENDA
Segunda 09/03: PIB do Japão
Terça 10/03: Vendas de Casas Usadas (EUA)
Quarta 11/03: Venda no Varejo (BRA); IPC (EUA)
Quinta 12/03: IPCA (BRA); Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego (EUA)
Sexta 13/03: Crescimento do Setor de Serviços (BRA); PIB dos EUA; PIB Reino Unido
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