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💸Um discurso aos amigos e aos inimigos

Um ano após o início de seu segundo mandato, Trump subiu ao palco do Fórum Econômico Mundial para o que chamou de discurso "a amigos e alguns inimigos".

Good morning, Brasil.

O mundo respira aliviado com as perspectivas de negociações entre Trump e os europeus, movimento que trouxe uma certa tranquilidade e impulsionou as bolsas globais. O destaque fica para o Ibovespa, que ultrapassou a marca dos 170 mil pontos e registrou um novo all-time high.

Mas, se o cenário externo "acalma", a tensão no caso Master continua. O Banco Central decretou ontem a liquidação de mais uma instituição: o Will Bank, adquirido pelo grupo em 2024 e ampliando ainda mais o impacto no FGC. Para hoje, há previsão de manifestação em frente à sede do banco, próximo à Faria Lima.

O Paper of the Day resume os pontos mais importantes do discurso de Donald Trump ontem no Fórum Econômico Mundial.

Aqui está o seu THE PAPER de hoje.

ANTES DO SINO

Fechamento 21/01/2026 — (19:00)

PAPER OF THE DAY

Um discurso aos amigos e aos inimigos

O presidente Donald Trump chegou a Davos na manhã de 21 de janeiro de 2026 após atraso por pane no Air Force One. Um ano após o início de seu segundo mandato, subiu ao palco do Fórum Econômico Mundial para o que chamou de discurso "a amigos e alguns inimigos", numa semana em que líderes europeus prometiam "resposta firme" às suas ameaças sobre a Groenlândia.

Dentre os temas abordados, podemos trazer alguns destaques:

O "Milagre Econômico" em números

Trump apresentou uma narrativa de sucesso econômico desenhado em números ambiciosos: crescimento projetado de 5,4% no quarto trimestre de 2025, inflação de 1,5% no mesmo período, e 52 recordes históricos do mercado acionário desde a eleição.

  • "Derrotamos a inflação" e somos "o motor econômico do planeta", declarou, creditando o desempenho à "maior campanha de desregulamentação da história".

O mercado, segundo Trump, adicionou US$ 9 trilhões em valor às contas de aposentadoria dos americanos, enquanto sua administração atraiu US$ 18 trilhões em investimentos. A produção de petróleo aumentou 730 mil barris por dia e a produção de gás natural liquefeito atingiu "máximas históricas".

Imagem: Fabrice Coffrini/AFP via Getty Images

Tarifas, Energia Nuclear e Guerra ao Fed

A agenda comercial de Trump combinou incentivos e ameaças numa formulação clara: "Venham produzir nos EUA e terão as menores taxas do planeta. Se não, terão de arcar com tarifas que podem direcionar trilhões de dólares ao Tesouro".

O presidente prometeu "o maior corte de impostos da história" para empresas que transferirem operações para os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que anunciou tarifas progressivas contra oito países europeus: 10% a partir de 1º de fevereiro, aumentando para 25% em 1º de junho de 2026 — Ameaça que retirou logo depois. Após "reunião muito produtiva" com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, o presidente americano declarou que "definiu a estrutura de um futuro acordo referente à Groenlândia"

  • Em tese, os países-alvo dessas tarifas seriam: Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia, nações que foram selecionados não por práticas comerciais desleais, mas por sua postura na disputa sobre a Groenlândia. Trump justificou as tarifas afirmando que "a União Europeia tributa de forma prejudicial os produtos americanos" e que "o sistema de tarifação na UE é muito pior do que o da China".

Em energia, Trump anunciou que "assinou uma ordem executiva aprovando uma série de reatores nucleares", reconhecendo que "o progresso na segurança é inacreditável". A meta é dobrar a geração de energia para abastecer plantas de AI, área em que Trump afirma que os EUA lideram "muito à frente da China".

E sobre a “guerra” ao Federal Reserve, ele foi direto: "Jerome 'Too-late' Powell é péssimo"; "Juros impedem EUA de serem bem-sucedidos"; "Vou exigir que taxas caiam imediatamente". Powell está sob investigação do Departamento de Justiça e Trump anunciará novo presidente do Fed "em breve".

Europa e Groelândia

A questão da Groenlândia dominou a dimensão geopolítica. Trump foi categórico: "Não há mais volta" em seu plano de controlar o território, exigindo "negociações imediatas" e argumentando que "somente os Estados Unidos podem proteger esse gigante pedaço de gelo".

  • Embora tenha afirmado que "não vou usar força, não preciso usar força", Trump foi explícito: "A Groenlândia tem uma escolha. Podem dizer não, e nós nos lembraremos disso".

Trump criticou a OTAN: "Nunca pedimos nada e nunca ganhamos nada"; Dinamarca "gastou menos de 1% prometido com defesa da Groenlândia"; "Queremos aliados fortes, não fracotes". O bloco europeu ameaça retaliação comercial de €93 bilhões.

Ele também disse que "não reconhece a Europa", acrescentando: "Eu amo a Europa, quero vê-la prosperar, mas ela não está indo na direção certa". "Não quero ofender ninguém".

Por fim, afirmou que quando seus amigos voltam de países da Europa, dizem que não reconhecem o continente. Ele menciona que os países europeus enfrentem uma "migração em massa descontrolada" e déficits recordes no orçamento e na balança comercial. Segundo ele, "partes do nosso mundo estão sendo destruídas diante dos nossos olhos e os líderes não estão fazendo nada a respeito".

Conclusão

Trump chegou a Davos proclamando um "milagre econômico" e prometendo "crescimento que nenhum país jamais viu". O discurso ocorreu em meio a uma escalada de tensões com a Europa por conta da Groenlândia, com o presidente inicialmente usando tarifas progressivas contra oito países europeus como instrumento de pressão.

A resposta europeia foi imediata e coordenada. Von der Leyen afirmou que o bloco estava "preparado para agir", Macron solicitou exercícios militares da OTAN na Groenlândia, e a Dinamarca anunciou planos de enviar até 1.000 soldados ao território. O bloco chegou a preparar contramedidas comerciais de €93 bilhões.

Porém, o recuo de Trump nas tarifas, anunciado horas após o discurso, demonstra que a pressão europeia e as negociações com a OTAN surtiram efeito. A "estrutura de acordo" sobre a Groenlândia permanece vaga, mas sinaliza que a disputa territorial pode estar migrando para canais diplomáticos dentro da aliança atlântica.

Resta saber se o acordo em discussão representa uma solução duradoura ou apenas pausa tática em uma disputa que expôs as fragilidades na aliança entre os países envolvidos. Os próximos meses revelarão se as negociações conduzidas por Vance e Rubio conseguirão conciliar as ambições estratégicas americanas no Ártico ou se a crise voltará a escalar.

HEADLINES

World Big News

  • A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que o país recebeu US$ 300 milhões com a venda de petróleo, a primeira parcela do acordo de fornecimento de 50 milhões de barris para os EUA (CNN Brasil)

  • O Parlamento Europeu acatou o pedido de um grupo de eurodeputados para que o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) avalie as bases jurídicas do acordo de livre comércio entre a UE e o Mercosul (DW)

  • O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que concordou em participar de um "conselho de paz" apoiado pelos EUA (The Guardian)

Governo, Tesouro, BC e Brasília

  • CVM chegou a livrar investigados do caso Master após acordos de R$ 6 milhões de casos anteriores (Valor)

  • A conta que o Banco Master deixou para o sistema financeiro vai ficar ainda maior diante da decisão do Banco Central (BC) de liquidar o will bank (NeoFeed)

  • Advogado de Daniel Vorcaro deixa defesa do banqueiro (CNN Brasil)

Economia Real, Agro e Commodities

  • Segundo um levantamento feito pela CBRE, a cidade de São Paulo já é o quinto maior mercado do mundo em número de projetos assinados por marcas, atrás apenas de Dubai, do sul da Flórida, de Nova York e de Phuket, na Tailândia (Metro Quadrado)

  • Anac quer regras mais específicas para diminuir judicialização no setor aéreo (g1)

Faria Lima, Wall Street, Euro, Ásia

  • Mastercard executa garantia de dívida e assume 32% das ações da Westwing (Bloomberg Línea)

  • Fraude na Americanas foi arquitetada e liderada por ex-CEO, diz CVM (Metrópoles)

  • Azul aprova plano de negócios e garante aporte de US$ 100 milhões para sair do Chapter 11 (InvestNews)

  • Santander vê fluxo de até US$ 1 bi para JBS com entrada em índice (Pipeline Valor)

  • Nubank e Mercedes-AMG PETRONAS F1 Team anunciam parceria global de longo prazo (Nubank)

  • Bank of America distribuirá ações no valor de US$ 1 bilhão a funcionários não executivos (Reuters)

Tech, Silicon Valley, Startups, Criptos, VC

  • Startup de IA focada em humanos já nasce valendo 4 unicórnios. Humans& estreou no mercado com mega rodada seed de US$ 480 milhões para reforçar relações humanas com uso de AI (Startups)

  • A startup de inferência por AI Baseten é avaliada em US$ 5 bilhões após nova rodada de financiamento. A Nvida participou com US$ 150 milhões na rodada (Techzine)

  • A startup de inteligência artificial Ivo levantou US$ 55 milhões em uma rodada de financiamento, liderada pelo investidor atual Blackbird (Reuters)

  • A Nagro, fintech brasileira especializada em crédito para pequenos e médios produtores rurais, recebeu um aporte do Itaú e do Rabobank em sua rodada Série B (Brazil Journal)

  • A Tesla está prestes a lançar no mercado dois de seus projetos mais ambiciosos: os ‘robotaxis’ e o Optimus, um robô humanoide (Brazil Journal)

  • CEO da DeepMind "surpreso" com a rapidez com que a OpenAI implementou anúncios (Axios)

IPO, M&A, Deals e Private Equity

  • A Advent está se preparando para lançar a venda do grupo italiano de confeitaria industrial IRCA GROUP, em uma transação que pode avaliar a empresa em cerca de € 3 bilhões (Private Equity Wire)

  • Bain Capital concluiu a venda estratégica da operação da WinTriX na China por US$ 4 bilhões (Private Equity Wire)

  • A Berkshire Hathaway pode vender ações de sua participação acionária de US$ 7,8 bilhões na Kraft Heinz, de acordo com um prospecto arquivado na SEC nos EUA (InfoMoney)

  • A Espanha captou €15 bilhões em uma emissão de títulos de 10 anos, superando o recorde de janeiro de 2025 (MarketScreener)

CENTRAL DE RESULTADOS (4T25)

  • Johnson & Johnson: Reportou um crescimento de 6,0% nas vendas e de 8,1% no lucro por ação ajustado diluído em 2025 (Morningstar)

  • Charles Schwab: Os resultados trimestrais foram beneficiados pelo sólido desempenho do negócio de gestão de ativos e pelo aumento das receitas de negociação (Yahoo Finance)

Hoje: Intel, PG, GE Aerospace — Veja mais

QUICK TAKES

📎 Read: Lula quer a Petrobras “cada vez maior.” A conta não fecha (Brazil Journal)

▶️ Watch: Resort ligado a Toffoli tem cassino e ministro é considerado o dono por funcionários (Metrópoles)

#️⃣ Stat: Ibovespa supera 171 mil pontos: de estrangeiro a eleições, entenda o recorde da Bolsa (InfoMoney)

🧊 Ice Breaker: Nubank desbanca Itaú BBA e XP e leva naming rights do Ironman no Brasil (Bloomberg Línea)

GRÁFICO DO DIA

Mercados ontem:

Gráfico: Finviz

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Terça 20/01:

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Quinta 22/01: PIB dos EUA; Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego (EUA); Núcleo do Índice de Preços PCE (EUA)

Sexta 23/01: Investimento Estrangeiro Direto (BRA); IPCA-15 (BRA); PMI do Setor de Serviços (EUA); PMI Industrial (EUA)

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