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S&P 500: 9 semanas de alta, máxima histórica... mas alguém está mentindo
Caminhamos para mais uma semana de alta em uma das maiores sequências da história de altas seguidas no S&P500

Good morning, Brasil.
O Ibovespa fechou em queda de 0,39%, aos 175.063,40 pontos, encerrando o mês de maio no campo negativo. Após oscilar de sinal várias vezes ao longo do pregão, o índice doméstico foi impactado por uma bateria de dados econômicos globais e pelas oscilações nas negociações geopolíticas entre Estados Unidos e Irã.
Enquanto isso, Wall Street segue em outra: as bolsas americanas estenderam a sequência de recordes históricos, com o S&P 500 subindo 0,58% e o Nasdaq avançando 0,91%. Esse descolamento reforça na prática a tese e a importância da diversificação internacional de patrimônio.
O Paper of the Day, assinado por Vitor Miziara, faz uma provocação justamente sobre essa euforia em Nova York. Embora o S&P 500 engate uma de suas maiores sequências de altas consecutivas na história, os dados de macroeconomia real acendem um alerta. Será que o mercado está diante de uma ilusão estatística ou tem alguém mentindo nessa história?
Aqui está o seu the news money de hoje.
QUICK TAKES
📎 Read: Os bastidores do tombo de quase 60% de um dos principais fundos imobiliários da bolsa (NeoFeed)
▶️ Watch: As ações que deixaram a Nvidia pra trás (Fernando Ulrich)
#️⃣ Stat: Ações da Dell disparam 27% após anunciar o crescimento de vendas mais rápido desde seu retorno ao mercado de ações em 2018 (CNBC)
🧊 Ice Breaker: Engenheiro do Google é acusado de uso de informações privilegiadas na Polymarket (Bloomberg Línea)
PAPER OF THE DAY
S&P 500: 9 semanas de alta, máxima histórica… mas alguém está mentindo
Por Vitor Miziara
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Vitor Miziara atua desde 2008 no mercado financeiro, com passagem por gestoras, bancos e corretoras. É investidor anjo, conselheiro independente e empreendedor. Palestrante, professor na StartSe e colunista do Estadão (E-Investidor), analisa cenários macroeconômicos e investimentos com uma visão frequentemente fora do consenso. @vmiziara |
Caminhamos para mais uma semana de alta em uma das maiores sequências da história de altas seguidas no S&P500 – índice das 500 maiores ações nos EUA. A narrativa se baseia em economia resiliente e inteligência artificial revolucionando lucros das empresas tech. O problema é que quando olhamos os dados por trás da festa, algo não fecha.
Talvez o mercado esteja certo, antecipando uma recuperação econômica que ainda não chegou no bolso das pessoas e aceitando pagar um prêmio altíssimo por isso. Por outro lado existe uma possibilidade desconfortável: a de que o índice mais importante do mundo esteja sendo sustentado por uma ilusão estatística construída sobre poucas empresas enquanto a economia real envia sinais completamente diferentes.
Se o mercado de ações transforma em dinheiro a expectativa com a economia, alguma coisa está errada. Nunca a diferença entre o comportamento do mercado e o humor da população com a economia foi tão grande.
Por exemplo: O sentimento dos consumidores que estão no topo da pirâmide financeira caiu para os menores níveis da história recente – voltando a níveis da crise de 2008. Esse é um comportamento extremamente anônomo já que tanto em 2008 ou na grande inflação dos anos 70, bolsas e confiança caíram juntas.

Confiança do consumidor nos EUA
Ontem, quinta-feira, a prévia do PIB nos EUA mostrou um crescimento de 1,6% contra um esperado de 2% - uma disparidade forte não vista a muito tempo e que durante algum tempo pode sustentar a narrativa de “bad News is good News” em que menos atividade significa, em algum momento, menos juros e por isso alta nos ativos de risco.
A resposta para essa disparidade pode estar em como o índice é formado e a base de toda a alta: empresas de IA responderam por 71,1% do crescimento dos lucros do S&P 500 já que esse grupo de 44 empresas ligadas ao ecossistema de IA concentra cerca de 45% da capitalização total do índice.

Disparidade nos lucros das empresas
Outro ponto: a divida total das famílias americanas atingiu em Abril o recorde de US$18,79 trilhões – montante muito parecido com o valor corrigido pela inflação do primeiro trimestre de 2009. A dívida do governo em relação ao PIB também atingiu níveis recordes, mostrando que o endividamento continua acelerando enquanto o crescimento econômico não acompanha a mesma proporção.
Em valuation, o S&P500 atingi múltiplos historicamente elevados de quase 22 vezes o lucro contra uma média perto de 18 vezes. Está claro que o investidor está pagando caro por crescimento futuro em um ambiente onde juros continuam elevados e onde boa parte desse crescimento depende de expectativas extremamente otimistas sobre IA.
E expectativas têm um problema: elas funcionam muito bem… até o momento em que deixam de funcionar.
O índice na máxima, a confiança na mínima e a economia real mostrando fraqueza. Alguém está mentindo ou fingindo não enxergar o real cenário.
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AGENDA
Segunda 25/05: Memorial Day (Feriado EUA)
Terça 26/05: Investimento Estrangeiro Direto
Quarta 27/05: IPCA-15
Quinta 28/05: IGP-M; Taxa de Desemprego; PCE (EUA); PIB EUA
Sexta 29/05: PIB Brasil; Dívida Bruta/PIB
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