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  • 💸 Por que a prata se valorizou tanto?

💸 Por que a prata se valorizou tanto?

A escalada da prata materializa a reprecificação de um insumo que se tornou peça-chave na transição energética e da nova economia digital.

Good morning, Brasil.

S&P 500 e Nasdaq recuaram para as mínimas de um mês nesta terça-feira. Na volta do feriado americano, o mercado reagiu negativamente às novas ameaças de tarifas comerciais de Donald Trump contra a Europa e ao risco de retaliação do bloco.

Hoje, a atenção se volta totalmente para Davos. O discurso de Trump é o evento do dia, com autoridades políticas e financeiras em alerta para o tom que será adotado pelo presidente americano.

O Paper of the Day pega um gancho na reflexão de Alexandre Ribas, CEO da Falconi, sobre a prata. Afinal, como esse metal se impõe na nova economia e por que se valorizou tanto nos últimos meses?

Aqui está o seu THE PAPER de hoje.

ANTES DO SINO

Fechamento 20/01/2026 — (19:00)

PAPER OF THE DAY

O papel da prata na nova economia

A prata consolidou-se como um dos ativos de melhor desempenho de 2025, acumulando valorização em torno de 147%. O metal saltou da faixa de US$ 30/onça no início do ano para encerrar dezembro próximo a US$ 75/onça, mantendo a trajetória de alta em 2026 ao renovar o recorde histórico acima de US$ 90/onça em janeiro.

  • Tal movimento vai muito além de uma “bolha pontual”: trata-se da reprecificação de um insumo que passou a ser visto como estratégico na transição energética e na digitalização da economia.

Gráfico da prata - (BullionVault)

Desequilíbrio estrutural: cinco anos de déficit acumulado

O mercado de prata opera em déficit pelo quinto ano consecutivo, configurando um desequilíbrio estrutural raro entre commodities. Entre 2021 e 2025, o déficit acumulado somou cerca de 800 milhões de onças, volume equivalente a quase um ano inteiro de produção global. Apenas em 2025, o gap entre oferta e demanda ficou em torno de 100 milhões de onças.

  • A raiz desse problema reside na rigidez da oferta, visto que cerca de 70% da prata global é extraída como subproduto de minas de cobre, zinco, chumbo e ouro. Na prática, a viabilidade desses projetos é ditada pelos ciclos dos metais-base: se o cobre ou o zinco entram em ciclo de baixa, operações podem ser suspensas mesmo com a prata nas máximas históricas. Assim, o rali de preços “apenas” da prata perde sua função de gatilho automático para o aumento da oferta.

Os principais produtores

A produção global de prata é geograficamente concentrada, com a América Latina liderando o ranking. O México é de longe o maior produtor mundial, respondendo por cerca de 23–24% da oferta global, com aproximadamente 6.300 toneladas métricas (algo em torno de 200 milhões de onças) em 2024. A China ocupa a segunda posição com cerca de 3.300 toneladas (~110 milhões de onças), seguida pelo Peru com 3.100 toneladas (cerca de 108 milhões de onças).

  • Mas juntos, México, Peru, Bolívia, Chile e Argentina entregam cerca de 410 milhões de onças por ano — mais da metade da produção mundial. As principais empresas do setor incluem Fresnillo (México, maior produtora primária global de prata), Grupo México, Industrias Peñoles e Pan American Silver.

Mina no México - Imagem: Pan American Silver

Panorama da demanda

Do lado da demanda, o cenário é de transformação estrutural. A energia solar tornou-se o maior consumidor individual: em 2024, respondeu por cerca de 29% da demanda industrial, ante 11% em 2014. Cada painel fotovoltaico emprega entre 15 e 25 gramas de prata, fazendo com que o setor consumisse em torno de 230 milhões de onças em 2024, o equivalente a 28% da produção minerária global.

A eletrificação da frota atua como o segundo vetor de crescimento: veículos elétricos demandam de 25 a 50 gramas por unidade (cerca de 70% a mais que um carro a combustão), utilizados em sistemas de bateria, eletrônica de potência e infraestrutura de recarga.

Já no alicerce da economia digital, eletrônicos e semicondutores consumiram 231,6 milhões de onças em 2024 (alta anual de 2,1%). Trata-se também de um mercado de chips de quase US$ 700 bilhões, onde a prata é insumo-chave para placas, conectores e soldas de alta performance.

Do lado financeiro, o fluxo de também ganhou força. Os ETFs de prata acumulam 1,13 bilhão de onças sob gestão (superando US$ 40 bilhões), com aportes da ordem de 187 milhões de onças em 2025. Esse movimento contrasta com o recuo de 4% na compra de barras e moedas físicas, reflexo dos preços elevados e da migração para veículos regulados.

Redesenho dos fluxos globais

Por fim, a convergência entre déficit físico e fluxo de investimento está reconfigurando a geopolítica da prata.

De um lado, a China elevou o status do metal a recurso estratégico e, a partir de 2026, passou a restringir suas exportações por meio de um rígido sistema de licenças. Como o país concentra entre 60% e 70% da prata refinada exportada no mundo, esse modelo de autorização estatal, na prática, coloca sob controle de Pequim a maior parte dos embarques globais, priorizando o abastecimento da demanda doméstica de energia solar, veículos elétricos e eletrônicos.

De outro lado, os ETFs tornaram-se grandes drenos de oferta: o acúmulo de mais de 1 bilhão de onças em veículos listados retira metal do mercado físico e aprofunda a escassez.

Ou seja, a prata, antes vista como “inferior” ao ouro, consolidou sua transformação: deixou de ser apenas metal um monetário ou de joalheria para se firmar como uma commodity industrial crítica da nova economia elétrica.

HEADLINES

World Big News

  • Em uma defesa enfática da soberania europeia, Emmanuel Macron criticou a irracionalidade do Governo Trump em seu discurso de ontem no Fórum Econômico Mundial de Davos (Brazil Journal)

  • Em Davos, von der Leyen defende a "independência europeia" contra a visão do mundo de Trump (Euro News)

  • Parlamento Europeu congela ratificação de acordo comercial com os EUA (Euro News)

  • Reino Unido aprova plano da China para megaembaixada em Londres, apesar de temores de espionagem (Reuters)

Governo, Tesouro, BC e Brasília

  • Lula critica Trump e diz que norte-americano quer 'governar o mundo' por rede social (g1)

  • O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, embarcou nesta terça-feira, 20, pela manhã para Israel, onde participará de um evento contra antissemitismo e tentará se reunir com nomes políticos de direita daquele país (InfoMoney)

  • Fundo ligado a família de Toffoli encerra atividade e transfere R$ 33 mi em cotas a offshore em paraíso fiscal (SBT News)

  • O Master admitiu ao Banco Central não ter informações sobre os fundos administrados pela gestora de investimentos Reag que garantiam os empréstimos concedidos pela instituição financeira (O Globo)

  • O juro real de curto prazo da dívida pública voltou a rondar os 8%. O Tesouro Nacional vendeu no leilão desta terça-feira (20) o lote integral ofertado de NTN-B (Tesouro IPCA+) com vencimento em 2029 a uma taxa de 8,0475% ao ano (InfoMoney)

Economia Real, Agro e Commodities

  • A família Paulus dobrou sua participação na CVC Corp nos últimos dois anos e confirmou que estuda trazer para o Brasil a Biblos, marca de turismo premium consolidada há 49 anos na Argentina (Bloomberg Línea)

  • A unidade de metais básicos da Vale quer produzir 1 milhão de toneladas de cobre por meio do desenvolvimento de ativos existentes, superando a meta de produção para 2035 (InvestNews)

  • Petrobras assina contratos de R$ 2,8 Bilhões com 3 estaleiros (Forbes)

  • Exportação de café do Brasil cai em 2025, mas bate recorde em receita (Times Brasil)

Faria Lima, Wall Street, Euro, Ásia

  • Leste e Avenue lançam fundo em dólar para frotas de caminhões nos EUA. Objetivo é captar US$ 30 milhões (Pipeline Valor)

  • JP Morgan liga alerta para Yduqs (YDUQ3) e outras empresas do setor após notas do Enamed (Seu Dinheiro)

  • O plano do Family Office do Patria para conquistar 10% do mercado nacional de gestão de patrimônio (E|investidor)

  • Pouco depois de ter colocado R$ 2 bilhões na Cosan na rodada de capitalização liderada pelo BTG, a Perfin continua com apetite pelos segmentos de infraestrutura em que atua: energia, rodovias e saneamento (Brazil Journal)

  • Reality empresarial vai premiar 10 PMEs com listagem na ‘neobolsa’ BEE4 (Bloomberg Línea)

Tech, Silicon Valley, Startups, Criptos, VC

  • Pomelo, empresa de infraestrutura para o mercado de pagamentos, anunciou uma rodada série C de US$ 55 milhões (Startups)

  • Ruvo, a fintech do ex-Uber que facilita um ‘Pix’ entre Brasil e EUA (Brazil Journal)

  • Uso de AI em exploração deve gerar ganho de até US$ 5 bi, diz CEO da Aramco (Bloomberg Línea)

  • Strategy compra US$ 2,13 bilhões em bitcoin em oito dias (InfoMoney)

IPO, M&A, Deals e Private Equity

  • Picpay define faixa de preço para IPO e pode ser avaliado em até US$ 2,6 bilhões (Valor)

  • Alloha avança em diligência na empresa de fibra da TIM (Pipeline Valor)

  • A insurtech norte-americana Ethos Technologies, investida de fundos como Sequoia Capital, SoftBank e Accel, avançou com seu pedido de IPO nos Estados Unidos (Startups)

  • O Grupo Carso SAB, empresa de Carlos Slim, informou em comunicado que adquirirá a Fieldwood México da russa Lukoil, obtendo assim os 50% restantes nos campos Ichalkil e Pokoch (InvestNews)

  • A Netflix mudou sua oferta para um pagamento integral em dinheiro pelos estúdios e ativos de streaming da Warner Bros. Discovery, sem aumentar o preço de US$ 82,7 bilhões (Reuters)

CENTRAL DE RESULTADOS (4T25)

  • Netflix: Apresentou números melhores do que o esperado, mas afirmou que intensificará o lançamento de novos conteúdos no próximo ano e suspenderá seu programa de recompra de ações devido à aquisição pendente da Warner Bros. Discovery (Yahoo Finance)

  • 3M: Os lucros da fabricante dos Post-it superaram as expectativas, mas a perspectiva é incerta, já que as preocupações com as tarifas voltam à tona (Market Watch)

Hoje: Johnson & Johnson, Charles Schwab

QUICK TAKES

📎 Read: A Netflix queria reinventar a TV ao vivo. Não tem sido fácil (InvestNews)

▶️ Watch: Ray Dalio, da Bridgewater, sobre os temores de uma "guerra de capitais" em Davos (CNBC)

#️⃣ Stat: Itaú é único brasileiro em ranking das 500 marcas mais valiosas do mundo (InfoMoney)

🧊 Ice Breaker: Audi revela oficialmente o R26, carro de Bortoleto na F1 2026 (ge)

GRÁFICO DO DIA

Gráfico interessante que mostra a evolução da Alphabet ao longo do tempo. Grande empresas são construídas com tentativas, erros e acertos, mas sempre para uma direção correta.

MEMES SESSION

Apesar de gerar US$ 20 bilhões de receita recorrente anual: “A OpenAI não dará lucro até 2030 e ainda precisa levantar mais US$ 207 bilhões para impulsionar seus planos de crescimento”, estima o HSBC.

AGENDA

Segunda 19/01: Dia de Martin Luther King, Jr. (Feriado EUA)

Terça 20/01:

Quarta 21/01: IPC Reino Unido

Quinta 22/01: PIB dos EUA; Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego (EUA); Núcleo do Índice de Preços PCE (EUA)

Sexta 23/01: Investimento Estrangeiro Direto (BRA); IPCA-15 (BRA); PMI do Setor de Serviços (EUA); PMI Industrial (EUA)

THE PAPER // THAT'S ALL, FOLKS

BECAUSE MONEY MATTERS. Leitura diária obrigatória para gestores, traders, bankers e CEOs. Todas as manhãs de pregão, na sua caixa de entrada.