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  • 💸O que os brasileiros disseram em Davos?

💸O que os brasileiros disseram em Davos?

Enquanto o governo federal enviou apenas uma ministra de primeiro escalão, o setor privado compareceu em peso, liderado por bancos de investimento, mineradoras e grupos industriais.

Good morning, Brasil.

Mais um dia, mais um recorde histórico para o Ibovespa. O céu parece ser o limite para as ações brasileiras. Destaque também para o time da Brex, que acaba de concretizar um dos maiores exits internacionais da história do país — uma verdadeira aula de empreendedorismo.

Enquanto isso, o cenário político vive um dia de revelações. O portal Metrópoles publicou um vídeo de uma visita de André Esteves ao resort Tayáya com o ministro Dias Toffoli, enquanto a cunhada do magistrado deu declarações importantes ao Estadão. A pergunta que fica é: qual será a próxima revelação?

O Paper of the Day organiza os principais tópicos abordados pelos brasileiros em Davos. O evento foi marcado por uma forte presença da iniciativa privada, em contraste com a baixa representatividade do governo.

Aqui está o seu THE PAPER de hoje.

ANTES DO SINO

PAPER OF THE DAY

Brasileiros em Davos 2026

O Fórum Econômico Mundial de 2026 expôs uma assimetria marcante na representação brasileira. Enquanto o governo federal enviou apenas uma ministra de primeiro escalão, o setor privado compareceu em peso, liderado por bancos de investimento, mineradoras e grupos industriais que patrocinaram pela segunda vez consecutiva a Brazil House, espaço brasileiro exclusivo na Promenade, principal rua da cidade suíça.

A ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, representou sozinha o alto escalão governamental, contrastando com edições anteriores em que o presidente Lula, o ministro da Fazenda Fernando Haddad e outras autoridades econômicas marcavam presença.

Brazil House in Davos - Imagem: BTG Pactual

André Esteves e Roberto Sallouti: As palavras do BTG Pactual

Eleições de 2026 não assustam investidores:

Durante encontros na Brazil House, Esteves minimizou o impacto das eleições presidenciais de outubro sobre decisões de investimento de longo prazo no Brasil.

  • "Eu não vejo, do ponto de vista de investimento de longo prazo, a eleição sendo um grande tema, não". Segundo o banqueiro, não há percepção de postura de "espera" até outubro: "Eu não tenho ouvido [de investidores] sobre decidir [sobre investimentos] depois das eleições".

Em um outro painel sobre o setor bancário, Esteves fez uma declaração que gerou repercussão ao chamar o Brasil de "Disneylândia das fintechs", destacando a excelente infraestrutura digital do país. No entanto, a observação veio acompanhada de um alerta regulatório claro:

  • "Se você tem o mesmo serviço, e o mesmo risco, precisa ter a mesma regulação. E hoje acho que não tem".

Já Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual, que participou de Davos com dezenas de reuniões agendadas, traçou o caminho esperado para reanimação do mercado de capitais brasileiro. Ele descreveu uma sequência gradual: primeiro operações de "block trade" (vendas de blocos de ações), depois "follow-ons" (ofertas secundárias) e, na sequência, abertura de novos IPOs.

Essa projeção apoia-se em dois pilares: o patamar elevado da B3 e a expectativa de redução da Selic a partir de 2026, criando ambiente mais favorável para operações de renda variável.

Durante o painel na Brazil House sobre preparação da força de trabalho para o futuro, Sallouti apresentou o Inteli, instituto de tecnologia criado pelo BTG Pactual e André Esteves, como resposta estrutural ao déficit de engenheiros no Brasil.

Mário Mesquita e Flavio Souza, Itáu

O banco foi representado pelo economista-chefe Mário Mesquita e por Flavio Souza, CEO do Itaú BBA. Em entrevista exclusiva à CNN Brasil durante o fórum, Mesquita avaliou que o ambiente econômico global deve favorecer o Brasil nos próximos anos.

  • O economista destacou os ativos competitivos brasileiros em múltiplas dimensões: "O Brasil é uma potência agrícola global, o Brasil é muito competitivo em outras áreas, tem uma área no setor de mineração também fantástico, tem empresas como a Embraer, tem muitas empresas muito boas".

Já Flavio Souza, em entrevista ao Valor Econômico, apresentou visão positiva para o mercado de capitais brasileiro em 2026, apesar das incertezas geopolíticas e eleitorais. Sobre o peso das eleições, Souza afirmou: "Aqui em Davos, a sensação que eu tenho é que, para o investidor estrangeiro, o tema da eleição tem um peso menor do que nós atribuímos no Brasil".

O executivo destacou expectativa de retomada gradual de IPOs, com "follow-ons" devendo predominar no primeiro semestre, e forte atividade em fusões e aquisições, especialmente em infraestrutura

Gustavo Pimenta, CEO da Vale:

Em participação no evento, Gustavo Pimenta, CEO da Vale, levou a estratégia da mineradora para retomar o protagonismo global no setor.

Em entrevista ao Times Brasil durante o evento, Pimenta afirmou que a Vale avança de forma consistente com base em eficiência operacional e logística. Segundo o executivo, a empresa já foi a maior produtora de minério de ferro do mundo e vem recuperando essa posição de maneira gradual, priorizando competitividade e disciplina operacional. O CEO também ressaltou a relevância dos minerais críticos, tema central no Fórum Econômico Mundial.

Ele também ressaltou que a prioridade da Vale segue concentrada em ativos nos quais a empresa possui vantagem competitiva, como minério de ferro de alto teor, níquel e cobre. Esses minerais são considerados estratégicos para a transição energética e para a descarbonização da indústria global.

Governo:

A ministra Esther Dweck participou do painel "Superando o teto de crescimento da América Latina" ao lado de autoridades como Julio Velarde (presidente do Banco Central do Peru), Juan Carlos Mora (CEO do Bancolombia) e representantes do BID. Dweck defendeu que a integração latino-americana é o caminho essencial para impulsionar o crescimento da região, historicamente estagnado em torno de 2%.

  • "A América Latina é uma das regiões menos integradas do mundo. Do ponto de vista do potencial interno de crescimento, eu destacaria três frentes em que a integração regional é essencial: infraestrutura, integração produtiva, com cadeias regionais de valor mais articuladas, e integração de políticas sociais", afirmou a ministra.

A ministra destacou cinco frentes principais da estratégia de crescimento do governo Lula: "Do ponto de vista das estratégias de crescimento, é possível identificar cinco frentes principais. A primeira, sem dúvida, é a distribuição de renda e a redução das desigualdades como motor do crescimento. E isso não ocorreu apenas pelo lado do gasto público. O Brasil realizou algo que eu diria ser histórico: uma reforma tributária em um governo democrático, tanto do ponto de vista da tributação indireta, com a simplificação do sistema, quanto em relação ao imposto de renda".

HEADLINES

World Big News

  • Trump lança oficialmente 'Conselho da Paz' em Davos com críticas à ONU: “Eu nunca nem falei com eles” (g1)

  • Elizabeth Holmes, da Theranos, pediu ao presidente Donald Trump a libertação antecipada da prisão após ter sido condenada por fraudar investidores (CNN)

  • Zelenski anuncia negociações de paz EUA‑Rússia‑Ucrânia. Emirados Árabes Unidos vão sediar a primeira conversa trilateral visando o fim da guerra (DW)

  • Presidente venezuelana muda comandantes militares na véspera de reunião parlamentar sobre petróleo (O Globo)

  • O presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, escolheu o economista Jorge Quiroz para ser o coordenador da agenda de reformas de seu governo (Brazil Journal)

Governo, Tesouro, BC e Brasília

  • Ministros do STF defendem envio do caso Master à 1ª instância como “saída honrosa” para Toffoli (Folha)

  • O Fundo Garantidor do Crédito (FGC) deverá fazer uma chamada de capital de cerca de R$ 30 bilhões em “adiantamento de contribuições” para recompor o fundo depois do buraco aberto com o ressarcimento dos investidores do Banco Master (Brazil Journal)

  • Tarcísio diz que será candidato à reeleição em SP e anuncia visita a Bolsonaro para prestar apoio (g1)

Economia Real, Agro e Commodities

  • O mercado de leilões de saneamento básico deverá ter seu primeiro grande projeto deste ano em 25 de março, com a licitação de três concessões de esgoto em Goiás, com investimento somado de R$ 6,2 bilhões (Valor)

  • A Ticket, controlada pela francesa Edenred, e a VR conseguiram liminares na Justiça que suspendem os efeitos das novas regras estabelecidas pelo governo federal para o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) (Valor)

  • A JBS está expandindo no Oriente Médio, ampliando a capacidade de uma planta de carne de frango na Arábia Saudita, e formando parcerias locais pra expandir as vendas (InvestNews)

  • Grupo Elétron, que atua em comercialização de energia e geração renovável, acaba de entrar com um pedido de recuperação judicial listando mais de R$ 1,1 bilhão em dívidas (Brazil Journal)

  • Mais de 217 mil brasileiros solicitaram a autoexclusão de contas em sites de apostas em pouco mais de um mês de disponibilidade do serviço, segundo dados do Ministério da Fazenda (O Globo)

Faria Lima, Wall Street, Euro, Ásia

  • Ibovespa fecha em alta de mais de 2% e quebra novos recordes (InfoMoney)

  • Recompras podem chegar a R$ 76 bilhões em 2026. Localiza, MRV, Hapvida e Prio têm programas generosos em andamento (InvestNews)

  • CDBs do Master transitaram por fundo da XP que teve participação no Will Bank (Valor)

  • Jamie Dimon faz rara crítica, vinda de um CEO, à política de imigração de Trump: “Não gosto do que estou vendo” (CNBC)

  • Donald Trump processou o JPMorgan e seu CEO, Jamie Dimon, em pelo menos US$ 5 bilhões por causa de alegações de que o maior banco dos EUA teria deixado de oferecer a ele e a suas empresas serviços bancários por motivos políticos (Bloomberg Línea)

  • Amazon aposta no varejo físico e anuncia megaloja para disputar espaço com Walmart e Target. Com 21 mil m², a nova unidade da Amazon nos arredores de Chicago mistura supermercado, varejo e logística (Seu Dinheiro)

  • As ações da Ubisoft despencaram após a criadora de “Assassin's Creed” revelar reestruturação e cancelamento de jogos (Reuters)

  • Citi contrata ex-executivo da Paramount para chefiar o setor de serviços bancários para o setor de mídia (WSJ)

Tech, Silicon Valley, Startups, Criptos, VC

  • OpenEvidence, o “ChatGPT para médicos”, dobra sua avaliação para US$ 12 bilhões (CNBC)

  • A plataforma de aprendizado de idiomas Preply agora está avaliada em US$ 1,2 bilhão após levantar US$ 150 milhões em uma rodada de financiamento Série D (TechCrunch)

IPO, M&A, Deals e Private Equity

  • A Brex, fintech fundada pelos brasileiros Pedro Franceschi e Henrique Dubugras, foi adquirida pelo Capital One Financial Corporation por US$ 5,15 bilhões (cerca de R$ 27 bilhões) (Bloomberg Línea)

  • BTG Pactual levantou US$ 750 milhões com a emissão de um bond de 5 anos (Brazil Journal)

  • China e EUA aprovam spin-off do TikTok nos EUA (Semafor)

CENTRAL DE RESULTADOS (4T25)

  • Intel: Anunciou um prejuízo líquido de US$ 600 milhões. No mesmo período do ano anterior, a Intel havia reportado um prejuízo líquido de US$ 100 milhões (CNBC)

  • PG: Os lucros da Procter & Gamble superaram as estimativas, mas a queda na demanda afetou as vendas (CNBC)

  • GE Aerospace: A companhia encerrou 2025 com uma carteira de encomendas significativamente maior do que nos anos anteriores (Leeham)

Hoje: Booz Allen Hamilton

QUICK TAKES

📎 Read: Um estádio no interior de São Paulo no meio do escândalo da Reag (NeoFeed)

▶️ Watch: Dias Toffoli recebendo André Esteves e Luiz Pastore no resort Tayayá (Metrópoles)

#️⃣ Stat: PIB dos EUA tem alta anualizada de 4,4% no 3º trimestre de 2025, mostra 2ª leitura (InfoMoney)

🧊 Ice Breaker: “O Agente Secreto” recebe quatro indicações ao Oscar, incluindo Filme do Ano e Ator (Bloomberg Línea)

GRÁFICO DO DIA

E enquanto tudo isso acontece no Brasil… O Ibovespa estaria “descolado” da realidade do país? Análise interessante.

MEMES SESSION

+ STF, resort de luxo, SAF do Galo… o que mais?

AGENDA

Segunda 19/01: Dia de Martin Luther King, Jr. (Feriado EUA)

Terça 20/01:

Quarta 21/01: IPC Reino Unido

Quinta 22/01: PIB dos EUA; Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego (EUA); Núcleo do Índice de Preços PCE (EUA)

Sexta 23/01: Investimento Estrangeiro Direto (BRA); IPCA-15 (BRA); PMI do Setor de Serviços (EUA); PMI Industrial (EUA)

THE PAPER // THAT'S ALL, FOLKS

BECAUSE MONEY MATTERS. Leitura diária obrigatória para gestores, traders, bankers e CEOs. Todas as manhãs de pregão, na sua caixa de entrada.