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💸O "caso Master" global
O Bank of Credit and Commerce International (BCCI) foi descrito por autoridades como "a maior fraude bancária da história financeira mundial"

Good morning, Brasil.
Mercados seguem voláteis e o Ibovespa volta aos 181 mil pontos. Lá fora, as bolsas também fecharam no negativo. Por aqui, a atenção se volta ao Banco Central e aos balanços do setor financeiro.
A agenda de resultados segue cheia, com destaques hoje para Bradesco e Porto. Nos EUA, o foco é a Amazon.
O Paper of the Day relembra uma história que talvez você não conheça, mas que é considerada uma das maiores fraudes financeiras de todos os tempos e que guarda muitos paralelos com o que estamos vendo nos dias de hoje.
Aqui está o seu THE PAPER de hoje.
QUICK TAKES
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▶️ Watch: A incrível história da máfia do PayPal (NeoScribe)
#️⃣ Stat: Inadimplência bate novo recorde no Brasil e atinge 8,9 milhões de empresas (Times Brasil)
🧊 Ice Breaker: Sam Altman sentiu com a propaganda da Anthropic (Sam Altman)
ANTES DO SINO

Fechamento 04/02/2026 — (19:00)
PAPER OF THE DAY
O “caso Master” global
Se você acha que o caso do Banco Master foi uma revolução no crime financeiro, saiba que uma história como essa já aconteceu em escala global nas décadas de 70/80. O Bank of Credit and Commerce International (BCCI) foi descrito por autoridades como "a maior fraude bancária da história financeira mundial" – um esquema que, três décadas depois, encontra paralelos impressionantes com o escândalo brasileiro.
O que foi
Fundado em 1972 pelo banqueiro paquistanês Agha Hasan Abedi, o BCCI cresceu vertiginosamente até operar mais de 400 agências em 78 países, com ativos superiores a US$ 20 bilhões, tornando-se o sétimo maior banco privado do mundo. Mas essa expansão meteórica escondia uma realidade sombria: o banco foi deliberadamente estruturado para operar fora do alcance de qualquer autoridade regulatória.
A genialidade criminosa do BCCI residia em sua arquitetura corporativa fragmentada. Registrado em Luxemburgo, com subsidiárias nas Ilhas Cayman e operações espalhadas por paraísos fiscais, o banco criou uma teia tão complexa que nenhum regulador conseguia ter visão consolidada de suas atividades. Para dificultar ainda mais a supervisão, diferentes firmas de auditoria examinavam diferentes partes do banco, impedindo que qualquer uma detectasse a fraude completa.

Imagem: BCCI Insights
Organização criminosa
O BCCI transcendeu a categoria de instituição corrupta para se tornar uma organização criminosa multinacional. O banco operava uma extensa divisão clandestina dedicada a atividades ilícitas, com redes de operações criminosas espalhadas globalmente.
As operações documentadas incluem lavagem de dinheiro para os cartéis de Medellín e Cali na Colômbia – expostas pela Operação C-Chase do governo americano em 1988. O banco também financiava o terrorista palestino Abu Nidal, responsável por centenas de mortes, processando milhões de dólares em transações de armas. Países árabes e indivíduos faziam pagamentos regulares à conta de Abu Nidal no BCCI como "proteção" contra ataques terroristas.
Mas a operação mais audaciosa foi a aquisição secreta e ilegal do First American Bank, maior banco de Washington D.C. Com ele, o BCCI concedia empréstimos sem recursos a investidores árabes que nominalmente "compravam" ações do banco americano. Como garantia, o BCCI recebia de volta as mesmas ações, tornando-se proprietário de fato sem aparecer nos registros. A operação contou com Clark Clifford, ex-Secretário de Defesa americano, como presidente, o que conferia legitimidade política ao esquema.
Além disso, o banco também se tornou, na prática, um braço financeiro “oculto” da máquina de poder americana: órgãos como a CIA e o Conselho de Segurança Nacional mantinham contas e utilizavam o BCCI para movimentar dinheiro em operações secretas, desde a guerra do Afeganistão a outros interesses, aproveitando-se exatamente da opacidade e da estrutura global que também serviam ao crime organizado.
A fraude
No centro do esquema estava um gigantesco Ponzi bancário. Desde o final dos anos 1970, o BCCI falsificava livros contábeis para esconder empréstimos inadimplentes, usando consistentemente depósitos de novos clientes para cobrir perdas anteriores. A Price Waterhouse, firma de auditoria, chegou a certificar demonstrações financeiras como "verdadeiras e justas" entre 1987 e 1989, mesmo tendo identificado internamente transações "falsas ou enganosas".
Quando o banco colapsou em julho de 1991, mais de US$ 10 bilhões haviam desaparecido. Dezenas de milhares de depositantes e credores perderam dinheiro, incluindo o Emirado de Abu Dhabi, maior acionista do banco, que sofreu perdas bilionárias. O fundador Agha Hasan Abedi morreu no Paquistão em 1995 sem nunca ter sido julgado, apesar das acusações contra ele no Reino Unido.
Takeaway: Agora olhe o que está acontecendo e o que aconteceu inclusive na Lava-Jato aqui no Brasil. Ambos os casos revelam padrões alarmantemente similares: esquemas Ponzi bancários, inflação artificial de ativos, falhas sistemáticas de auditoria e supervisão, uso de estruturas corporativas complexas para obscurecer fraudes, e a capacidade de bancos capturarem reguladores. Isso nos mostra que não foi a primeira vez e infelizmente não será a última, pois enquanto houver “interesses”, o jogo continuará sendo o mesmo.
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MEMES SESSION


AGENDA
Segunda 02/02: PMI Industrial (EUA)
Terça 03/02: Ata do Copom; Produção Industrial (BRA); Oferta de Empregos (EUA)
Quarta 04/02: PMI Setor de Serviços (EUA)
Quinta 05/02: Balança Comercial (BRA); Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego (EUA); Taxa de Juros (GBP)
Sexta 06/02: Taxa de Desemprego (EUA)
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