💸O "caso Master" global

O Bank of Credit and Commerce International (BCCI) foi descrito por autoridades como "a maior fraude bancária da história financeira mundial"

Good morning, Brasil.

Mercados seguem voláteis e o Ibovespa volta aos 181 mil pontos. Lá fora, as bolsas também fecharam no negativo. Por aqui, a atenção se volta ao Banco Central e aos balanços do setor financeiro.

A agenda de resultados segue cheia, com destaques hoje para Bradesco e Porto. Nos EUA, o foco é a Amazon.

O Paper of the Day relembra uma história que talvez você não conheça, mas que é considerada uma das maiores fraudes financeiras de todos os tempos e que guarda muitos paralelos com o que estamos vendo nos dias de hoje.

Aqui está o seu THE PAPER de hoje.

QUICK TAKES

📎 Read: C6 já antevê devolver capital a acionistas e ‘conversa chata’ daqui para frente (Bloomberg Línea)

▶️ Watch: A incrível história da máfia do PayPal (NeoScribe)

#️⃣ Stat: Inadimplência bate novo recorde no Brasil e atinge 8,9 milhões de empresas (Times Brasil)

🧊 Ice Breaker: Sam Altman sentiu com a propaganda da Anthropic (Sam Altman)

ANTES DO SINO

Fechamento 04/02/2026 — (19:00)

Maiores altas
BRKM5
+1.95%
R$ 9,43
PSSA3
+1.51%
R$ 52,53
RAIL3
+1.33%
R$ 15,27
SUZB3
+1.04%
R$ 49,60
VALE3
+0.49%
R$ 89,43
Maiores baixas
RAIZ4
-13.27%
R$ 0,85
TOTS3
-12.89%
R$ 37,97
HYPE3
-10.30%
R$ 22,99
COGN3
-6.91%
R$ 4,04
CYRE4
-6.15%
R$ 29,00

PAPER OF THE DAY

O “caso Master” global

Se você acha que o caso do Banco Master foi uma revolução no crime financeiro, saiba que uma história como essa já aconteceu em escala global nas décadas de 70/80. O Bank of Credit and Commerce International (BCCI) foi descrito por autoridades como "a maior fraude bancária da história financeira mundial" – um esquema que, três décadas depois, encontra paralelos impressionantes com o escândalo brasileiro.

O que foi

Fundado em 1972 pelo banqueiro paquistanês Agha Hasan Abedi, o BCCI cresceu vertiginosamente até operar mais de 400 agências em 78 países, com ativos superiores a US$ 20 bilhões, tornando-se o sétimo maior banco privado do mundo. Mas essa expansão meteórica escondia uma realidade sombria: o banco foi deliberadamente estruturado para operar fora do alcance de qualquer autoridade regulatória.

A genialidade criminosa do BCCI residia em sua arquitetura corporativa fragmentada. Registrado em Luxemburgo, com subsidiárias nas Ilhas Cayman e operações espalhadas por paraísos fiscais, o banco criou uma teia tão complexa que nenhum regulador conseguia ter visão consolidada de suas atividades. Para dificultar ainda mais a supervisão, diferentes firmas de auditoria examinavam diferentes partes do banco, impedindo que qualquer uma detectasse a fraude completa.

Imagem: BCCI Insights

Organização criminosa

O BCCI transcendeu a categoria de instituição corrupta para se tornar uma organização criminosa multinacional. O banco operava uma extensa divisão clandestina dedicada a atividades ilícitas, com redes de operações criminosas espalhadas globalmente.

As operações documentadas incluem lavagem de dinheiro para os cartéis de Medellín e Cali na Colômbia – expostas pela Operação C-Chase do governo americano em 1988. O banco também financiava o terrorista palestino Abu Nidal, responsável por centenas de mortes, processando milhões de dólares em transações de armas. Países árabes e indivíduos faziam pagamentos regulares à conta de Abu Nidal no BCCI como "proteção" contra ataques terroristas.

Mas a operação mais audaciosa foi a aquisição secreta e ilegal do First American Bank, maior banco de Washington D.C. Com ele, o BCCI concedia empréstimos sem recursos a investidores árabes que nominalmente "compravam" ações do banco americano. Como garantia, o BCCI recebia de volta as mesmas ações, tornando-se proprietário de fato sem aparecer nos registros. A operação contou com Clark Clifford, ex-Secretário de Defesa americano, como presidente, o que conferia legitimidade política ao esquema.

Além disso, o banco também se tornou, na prática, um braço financeiro “oculto” da máquina de poder americana: órgãos como a CIA e o Conselho de Segurança Nacional mantinham contas e utilizavam o BCCI para movimentar dinheiro em operações secretas, desde a guerra do Afeganistão a outros interesses, aproveitando-se exatamente da opacidade e da estrutura global que também serviam ao crime organizado.

A fraude

No centro do esquema estava um gigantesco Ponzi bancário. Desde o final dos anos 1970, o BCCI falsificava livros contábeis para esconder empréstimos inadimplentes, usando consistentemente depósitos de novos clientes para cobrir perdas anteriores. A Price Waterhouse, firma de auditoria, chegou a certificar demonstrações financeiras como "verdadeiras e justas" entre 1987 e 1989, mesmo tendo identificado internamente transações "falsas ou enganosas".

Quando o banco colapsou em julho de 1991, mais de US$ 10 bilhões haviam desaparecido. Dezenas de milhares de depositantes e credores perderam dinheiro, incluindo o Emirado de Abu Dhabi, maior acionista do banco, que sofreu perdas bilionárias. O fundador Agha Hasan Abedi morreu no Paquistão em 1995 sem nunca ter sido julgado, apesar das acusações contra ele no Reino Unido.

Takeaway: Agora olhe o que está acontecendo e o que aconteceu inclusive na Lava-Jato aqui no Brasil. Ambos os casos revelam padrões alarmantemente similares: esquemas Ponzi bancários, inflação artificial de ativos, falhas sistemáticas de auditoria e supervisão, uso de estruturas corporativas complexas para obscurecer fraudes, e a capacidade de bancos capturarem reguladores. Isso nos mostra que não foi a primeira vez e infelizmente não será a última, pois enquanto houver “interesses”, o jogo continuará sendo o mesmo.

HEADLINES

World Big News

  • Milei caça US$ 250 bilhões que argentinos guardam em esconderijos secretos (InvestNews)

  • Ataques israelenses matam 21 em Gaza, e travessia de pacientes em Rafah é interrompida, diz governo do Hamas (g1)

  • Trump discute Ucrânia, Irã, Taiwan e comércio com Xi Jinping (CNN Brasil)

  • Saab, empresário venezuelano aliado de Maduro, que já havia sido detido nos EUA, é preso novamente (Reuters)

  • Estados Unidos e Irã concordam em realizar conversas na sexta-feira em Omã, mas ainda divergem sobre a agenda (Reuters)

  • Homem que tentou matar Trump é condenado à prisão perpétua (DW)

Governo, Tesouro, BC e Brasília

  • Houve chantagem contra o BC em negociação do Banco Master com o BRB, diz Renan Calheiros (Times Brasil)

  • Toffoli defende autocontenção no STF, e Moraes fala em ‘demonização de palestras’ (Jornal de Brasília)

  • Impacto com reajuste de salário para servidores aprovado pelo Congresso é maior que receita de 95% dos municípios brasileiros (g1)

  • Alvo da PF, fundador da Reag tem participação relevante no BRB, diz estatal (Seu Dinheiro)

Economia Real, Agro e Commodities

  • UE-Mercosul: Agro reage e governo pode editar salvaguardas bilaterais (NeoFeed)

  • Guerra por mão de obra: jatos da Embraer criam disputa por pilotos entre Latam e Azul. A Latam comprou seus primeiros jatos da Embraer e precisa de pilotos que saibam operá-los (InvestNews)

  • Borelli fatura meio bilhão e amplia fábrica para quadruplicar gelatos. Marca criada em Ribeirão Preto deve chegar ao fim do ano com mais 300 unidades franqueadas (Pipeline Valor)

  • CEOs de montadoras de carros enviam carta a Lula contra benefícios que favorecem BYD (O Tempo)

  • Ronaldo Fenômeno estreia em projeto imobiliário avaliado em R$ 1 bilhão. Reserva Beach Club é desenvolvido ao lado da BR Soho e de executivo da Galapagos Capital (Valor)

Faria Lima, Wall Street, Euro, Ásia

  • Claudio Ferraz deixa BTG Pactual após 25 anos e assume como economista da Galapagos (Bloomberg Línea)

  • Justiça condena BTG Pactual a indenizar idoso por prejuízo com operações estruturadas com derivativos (Valor Investe)

  • BTG Pactual encerra fundos de bonds três anos antes do previsto (Brazil Journal)

  • AgroGalaxy troca de comando pela quarta vez em três anos e terá novos CEO e presidente do Conselho (AgFeed)

  • Para sair da crise, Raízen discute desconto em dívidas e aporte de Cosan e Shell (InvestNews)

  • A Intel está entrando no mercado de GPUs e contratou um arquiteto-chefe, afirma o CEO Lip-Bu Tan (CNBC)

  • Washington Post anuncia demissões em massa e redução da cobertura jornalística (BBC)

Tech, Silicon Valley, Startups, Criptos, VC

  • A ElevenLabs captou US$ 500 milhões da Sequoia, atingindo uma avaliação de US$ 11 bilhões (TechCrunch)

  • A Positron de semicondutores quer bater a Nvidia e levantou US$ 230M para isso (Startups)

  • A Cavu Consumer Partners arrecadou US$ 325 milhões para seu quinto fundo, mantendo o foco em produtos que promovem a saúde (Axios)

  • Firefox em breve permitirá que os usuários bloqueiem recursos de IA em seu navegador (Sherwood)

IPO, M&A, Deals e Private Equity

  • A Bob's Discount Furniture levanta US$ 330,7 milhões em IPO nos EUA (Reuters)

CENTRAL DE RESULTADOS

  • Itaú: Lucra R$ 12,3 bi no 4T25, alta de 13,2%; no ano, lucro foi de R$ 46,8 bi (InfoMoney)

  • Santander: Lucro sobe 6%, vai a R$ 4 bilhões no 4T25 e fica dentro das expectativas (Money Times)

  • Alphabet: A receita da controladora do Google foi de US$ 113,8 bi, em comparação com a expectativa de Wall Street de US$ 111,3 bi (Sherwood)

  • Uber: Reportou um crescimento de receita de 20% no quarto trimestre, mas apresentou uma previsão de lucro moderada (CNBC)

Hoje: Bradesco, BR Partners, Porto, Amazon (Veja mais)

GRÁFICO DO DIA

Divisão da receita na Alphabet

MEMES SESSION

AGENDA

Segunda 02/02: PMI Industrial (EUA)

Terça 03/02: Ata do Copom; Produção Industrial (BRA); Oferta de Empregos (EUA)

Quarta 04/02: PMI Setor de Serviços (EUA)

Quinta 05/02: Balança Comercial (BRA); Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego (EUA); Taxa de Juros (GBP)

Sexta 06/02: Taxa de Desemprego (EUA)

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