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5.680 empresas em recuperação judicial
Milhares de empresas não conseguem gerar caixa operacional suficiente para cobrir sequer as despesas com juros

Good morning, Brasil.
Ontem, os mercados respiraram um pouco: Ibovespa e S&P 500 avançaram mais de 1%, impulsionados pelo leve alívio no preço do petróleo Brent. Apesar do dia positivo, o cenário global permanece volátil e o investidor segue operando com cautela.
Toda a atenção agora se volta para amanhã, a "Super Quarta", com as decisões sobre os juros no Brasil e nos Estados Unidos.
O Paper of the Day traz um panorama do cenário empresarial brasileiro, que enfrenta um momento delicado com recordes de inadimplência e uma onda crescente de recuperações judiciais.
Aqui está o seu the news money de hoje.
QUICK TAKES
📎 Read: Howard Marks: crédito privado entra na hora da verdade e a IA tem “cheiro” de bolha (NeoFeed)
▶️ Listen: A promessa de um novo banco | Master fraude (the news)
#️⃣ Stat: Prévia do PIB, IBC-Br sobe 0,8% em janeiro, um pouco abaixo do esperado (InfoMoney)
🧊 Ice Breaker: A corrida bilionária da Cadillac para construir uma equipe de F1 do zero (InvestNews)
PAPER OF THE DAY
5.680 empresas em recuperação judicial
Entre 2020 e 2021, a Selic atingiu a mínima histórica de 2% ao ano. Com crédito abundante e custo baixo, empresas de diversos setores aproveitaram para captar recursos via debêntures, bonds e crédito bancário. Era um movimento racional: financiar a expansão com juros reais negativos fazia todo o sentido. O problema é que a conta chegou e agora o mercado tem sentido esse impacto na prática.
Hoje, com a Selic mantida em 15% (o maior patamar em quase duas décadas), as dívidas contraídas naqueles patamares estão vencendo em um cenário de dois dígitos. Para rolar esses compromissos, a engenharia financeira tornou-se um desafio complexo. O reflexo está nos números: ao fim de 2025, o Brasil registrou 5.680 empresas em recuperação judicial, um recorde histórico. Só em 2024, foram 2.273 novos pedidos, superando até o pico de 2016.
Esse cenário também se repete no agro, onde já contamos essa história aqui🌽
Juros da dívida
Uma análise da consultoria RK Partners, realizada para o Estadão com 282 empresas listadas na B3, revela um dado alarmante: 24% delas não geram caixa operacional suficiente sequer para cobrir as despesas com juros. Outros 23% operam com alavancagem entre 3x e 6x o EBITDA. Para dimensão de escala: uma empresa com dívida de 3x sua geração de caixa costuma destinar metade desse recurso exclusivamente ao serviço da dívida, restando pouco fôlego para reinvestir, contratar ou crescer.
O sinal mais crítico, porém, surge na composição das captações. Em 2023, as empresas emitiram R$ 236 bilhões em debêntures, dos quais R$ 39,8 bilhões foram destinados ao pagamento de dívidas existentes. Já em 2025, a captação saltou para R$ 493 bilhões e o uso para rolar passivos mais que triplicou, atingindo R$ 128,9 bilhões (mais de um quarto do total).

Imagem: Pixabay
A fila dos grandes
Esse sintoma já transbordou para todos os níveis empresariais: do pequeno varejo local a gigantes como Raízen, GPA, Americanas, Oi, Light, Unigel, Gol e Azul. São nomes de peso do mercado de capitais que recorreram à recuperação judicial ou extrajudicial nos últimos anos. Levantamentos recentes apontam cerca de 20 empresas listadas na B3 sob algum processo de reestruturação (judicial, extrajudicial ou Chapter 11, no caso das companhias aéreas que buscaram a proteção da justiça americana).
A preferência crescente pela recuperação extrajudicial entre as grandes é um sinal do próprio mercado: bancos e fundos estão optando por negociar antes que a situação degenere para uma recuperação judicial ampla, que é um processo sabidamente mais caro, lento e destrutivo para todas as partes.
Takeaway: A onda de recuperações judiciais é o desfecho de um ciclo de alavancagem barata que agora cobra a conta. Mesmo com possíveis cortes no Copom, o juro real seguirá restritivo, pressionando o caixa das empresas. Além disso, a carga tributária, o câmbio e o "Custo Brasil" completam essa difícil equação.
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GRÁFICO DO DIA
Os preços dos fertilizantes atingiram seus níveis mais altos desde outubro de 2022, com um aumento de 35% em relação ao ano anterior. Cerca de um terço do fornecimento global de fertilizantes passa pelo Estreito de Ormuz. Isso impulsionará ainda mais a inflação dos preços dos alimentos nas próximas semanas/meses. @charliebilello

Gráfico: @charliebilello
AGENDA
Segunda 16/03: IBC-Br
Terça 17/03: —
Quarta 18/03: Taxa de Juros Selic; Taxa-alvo FED
Quinta 19/03: Taxa de Juros Japão; Taxa de Juros Reino Unido
Sexta 20/03: —
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